As Olimpíadas de Verão e suas mascotes


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A primeira aparição de um personagem aconteceu em 1932, quando o cão chamado Smoky deu o ar de sua graça nos Jogos de Los Angeles. Mas, assim como Schuss, um esquiador de cabeça vermelha e roupa azul, que apareceu em souvenirs durante os Jogos Olímpicos de Inverno de 1968, em Grenoble, ele não foi a mascote oficial. Se os Jogos de Saporo, no Japão, não tiveram sua mascote, os alemães não deixariam passar a oportunidade de criar a primeira mascote oficial de uma Olimpíada. Foi em Munique, em 1972, que o cão basset Waldi teve a honra de receber tal título. Os organizadores perceberam que o público presente estava ávido por consumir lembranças do evento e uma série de produtos estampados com Waldi, gerou lucros bastante generosos. Imagine se não tivesse ocorrido o episódio mais triste da história de uma Olimpíada: o "Massacre de Munique".

Para felicidade geral de todos, público e organizadores, estava instituído o uso permanente das mascotes. Em Montreal, no Canadá, em 1976, foi a vez de Amik, um castor que representava as tradições do país. Em 1980, nos Jogos Olímpicos de Moscou, marcados pelo boicote americano, a mais querida e lembrada mascote de todos os tempos: o ursinho Misha. Mikhail Potapych Toptygin era seu nome completo e levou cerca de seis meses para ser criado por Victor Chizikov, na época um conhecido desenhista de livros infantis. Entre tantas desavenças políticas, ele conseguiu ser a grande estrela e se sobrepôs aos fatos políticos. No encerramento dos Jogos, aconteceu um fato que até hoje é lembrado como um dos mais emocionantes da história do esporte: centenas de placas movimentadas por pessoas nas arquibancadas formaram a imagem de Misha, que ao final derrama lágrimas. Emoção mundial. Se a Olímpiada, esvaziada pela ausência de diversos países, era comunista, os souvenirs de Misha foram vendidos no melhor estilo capitalista.

 2008 Animais Beijing China Desporto Esporte Jogos Mascotes Olimpicos Pequim Na Olimpíada seguinte, em 1984, Los Angeles, Estados Unidos, foi a vez dos soviéticos e de outros países comunistas boicotarem; mais uma vez quem perdeu foi o esporte mundial. Em termos de mascote, porém, a simpática águia Sam criada por Bob Moore, desenhista da Disney, não ficou atrás. Carismática, obviamente provocativa, uma vez que é um dos símbolos americanos, ela lembrava os traços de um outro conhecido personagem: o Zé Carioca.

Quatro anos mais tarde, em Seul, na Coréia do Sul, outra adorável mascote voltada principalmente para cativar o público infantil: o tigre Hodori. Em coreano "Ho" significa tigre e "Dori" um diminutivo masculino comum no país. O nome foi escolhido entre 2.295 sugestões enviadas pela população. Em seu pescoço, os anéis olímpicos, e na cabeça, o "Sangmo", chapéu usado em uma tradicional dança de camponeses. Hodori chegou a ter uma companheira, a tigresa Hosuni, mas ela foi praticamente renegada a segundo plano devido ao sucesso do simpático tigrinho asiático.

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Nos Jogos Olímpicos de Barcelona, na Espanha, em 1992, foi a vez de Cobi, desenhado pelo cartunista Javier Mariscal. O cachorrinho surreal porém, não agradou logo de início o povo espanhol. Acostumados com figuras muito mais carismáticas, foi preciso paciência para os espanhóis mudarem de opinião. A paixão no entanto, foi crescendo e ao final da XXII Olimpíada, Cobi já era amado por todos.

Se na Espanha, Cobi não começou muito bem, nos Jogos seguintes, em 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos, Izzy, a mascote, começou bem pior. O ser amorfo criado a partir de sugestões de crianças do mundo inteiro, Izzy vem de "Whatizit", algo como "Oqueéisto?!" em português. Realmente, o que era aquilo, pois mesmo sofrendo uma série de alterações em sua aparência durante os Jogos, Izzy nunca foi querido e certamente foi imediatamente esquecido.

 2008 Animais Beijing China Desporto Esporte Jogos Mascotes Olimpicos Pequim Em 2000, nas Olimpíadas de Sidney, na Austrália, Ollie, Syd e Millie foram as mascotes. Os nomes, uma abreviação de Olimpíadas, Sidney e Milênio, representavam a terra, o ar e a água. Pela primeira vez em Jogos de Verão, foram usadas três mascotes ao invés de uma. Todos eram animais nativos conhecidos. Ollie uma ave chamada Kookaburra, Syd um ornitorrinco e Millie uma equidna. Matthew Hatton foi o criador das criaturinhas que tiveram uma aceitação morna pelo público.

 2008 Animais Beijing China Desporto Esporte Jogos Mascotes Olimpicos Pequim 2004, em Atenas, na Grécia, as mascotes foram duas: Phevos e Athena. Os irmãos causaram um certo desconforto graças à sua aparência e não agradaram nem um pouquinho os gregos. A imagem da dupla mal foi explorada durante os Jogos. Os nomes foram dados em homenagem a Deuses do Olimpo: Phevos, mais conhecido como Apolo, é o Deus da luz e da música e Athena, Deusa da sabedoria e protetora da cidade de Atenas. Inspiradas em bonecas encontradas em sítios arqueológicos, eles tentaram fazer uma ligação entre a antiga história grega e os Jogos Olímpicos da Era Moderna. Nem com a ajuda dos Deuses foram bem recebidos.

 2008 Animais Beijing China Desporto Esporte Jogos Mascotes Olimpicos Pequim Agora em Pequim, são cinco as mascotes. As Fuwa ("bonecos da boa sorte"), como são chamadas, têm as cores dos anéis olímpicos e levam uma mensagem de paz, amizade e boa sorte para todas as crianças do mundo. Além de representarem as crianças, elas têm várias outras possíveis interpretações, tudo para garantir uma imagem totalmente correta, politicamente falando. São elas: Beibei (peixe), Jingjing (urso-panda), Huanhuan (a própria chama), Yingying (antílope-tibetano) e Nini (andorinha). Elas também se referem a elementos da natureza, como terra, fogo, água, madeira e céu. Outra particularidade diz respeito aos nomes. Quando os cinco são unidos, formam a frase "Welcome to Beijing" em chinês (Bei Jing Huan Ying Ni ).

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Beibei, o peixe azul (argola da Europa), simboliza a prosperidade chinesa. Remete aos esportes aquáticos e foi apresentada como uma menina gentil e pura. Jingjing, o panda preto (argola da África), mostra honestidade e otimismo e representa os esportes que usam a força, como o judô e o levantamento de peso. Representa a felicidade. Huanhuan, a chama vermelha (argola da América), não representa nenhum animal, mas sim a própria chama olímpica. Remete aos jogos que são praticados com bola. Yingying, o antílope-tibetano (argola da Ásia), representa a vastidão das terras chinesas e a saúde. Animal em extinção, ele remete ao atletismo. Nini, a andorinha verde (argola da Oceania), traz o ideal da felicidade. Assim como Beibei, é uma menina, inocente e alegre. Representa a boa sorte aos Jogos e remete à ginástica olímpica.


andré montejorge

é publicitário, tem dois filhos e ama cozinhar. Edita o Bem Legaus além de colaborar com alguns blogs de várias nacionalidades. Pretende virar chef de cozinha e quem sabe manter um blog sobre culinária.
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