batman, o cavaleiro das trevas



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Batman, O Cavaleiro das Trevas” (“The Dark Knight”, 2008) faz, quanto a mim, de Christopher Nolan o realizador mais interessante desta saga, mesmo concorrendo com Tim Burton. “Batman Begins” (Christopher Nolan, 2005) foi já uma surpresa e a escolha do realizador/argumentista pegar na história da infância da personagem, super-herói da DC Comics, para explicar a sua dupla personalidade e a sua malfadada sorte no combate ao crime foi, sem dúvida, muito inteligente. O herói maldito que vive uma dupla identidade é ali muito bem retratado a partir da desgraça familiar e da impossibilidade deste se libertar das amarras do destino. A saga tem quatro títulos cinematográficos anteriores, dois pela mão de Tim Burton (“Batman” de 1989 e “Batman Returns” de 1995) e outros dois pela mão de Joel Schumacher (“Batman Forever” de 1995 e Batman & Robin de 1997).

O enredo de “Batman, O Cavaleiro das Trevas” recria a personagem do Joker, um assaltante de bancos já antes representado por Jack Nicholson em 1989, que é neste filme interpretada pelo agora falecido actor australiano Heath Ledger. Uma interpretação fabulosa que dá uma textura muito interessante a este Joker, mais louco do que palhaço, e que encena uns diálogos densos sobre “regras”, “esquemas” e “anarquia”. A trupe do Joker é toda ela bastante bem caracterizada e as imagens de Gotham City contrastam com as cenas filmadas em Hong Kong. O filme é obrigatório e encena a luta de Bruce Wayne (Christian Bale) e James Gordon (Gary Oldman), o polícia incorruptível, no combate ao crime. Desta vez os dois juntam-se ao procurador Harvey Dent (Aaron Eckhart), mais conhecido por “duas caras”, que namora actualmente a ex-namorada de Batman, Rachel Dawes. Rachel Dawes é aqui interpretada por Maggie Gyllenhaal, o que deixa saudades de Katie Holmes que representou Rachel em “Batman Begins”.

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Um filme de heróis e vilões, sobre a natureza humana e onde as estratégias de cooperação ganham um realce enorme na cena dos barcos orquestrada pelo Joker. Assim, num jogo de grande crueldade, várias pessoas devem decidir se fazem explodir ou não os seus conterrâneos. Entre dois barcos cheios de gente o que não fizer explodir o outro explode. O que fazer? Morrer ou matar? Se um dos barcos deve explodir para salvar o outro o que vai acontecer se a decisão for demorada? Se ambos cooperarem todos ganham? Um tipo de jogo do prisioneiro onde a cooperação ou a competição pode ditar a sorte de muita gente. Cara ou coroa? Se para alguns, como o subversivo Joker, a convicção é certamente que por questões de sobrevivência um dos barcos faz explodir o outro, para outras pessoas, na senda de Batman e Gordom, é certo que a decisão não vai ser tomada e nenhuma escolha é necessária. A tomada de decisão é recorrente em todo o filme e é ela que vai sempre ditando o volume das diatribes do malvado Joker. A história é conhecida e o caos provocado pelo criminoso e pela sua trupe de loucos com cara de palhaços é gerado com o consentimento da máfia que alinha com este para impedir que Batman arruíne o negócio underground de Gotham. O problema é que, ao contrário da máfia local, Joker é um terrorista que não se interessa pelo dinheiro mas antes quer provocar o maior número de danos possível e assegurar a necessidade de impor uma anarquia geral que destrua tudo e todos. Uma obra de acção muito bem feita que tanto faz lembrar a saga da “Missão Impossível” como o filme “A Laranja Mecânica” de Stanley Kubrick.

Batman tem neste filme um novo equipamento têxtil que foi recriado para permitir movimentos da cabeça e para suportar mordidelas de animais e que está soberbo do ponto de vista estético. O filme tem sido um enorme sucesso de bilheteira e logo no primeiro fim-de-semana começou a dar lucros. Como afirma “duas caras” ou Harvey Dent: “ou morres herói ou vives o tempo suficiente para te tornares vilão”. Recomenda-se vivamente. Querem saber porque é que o Joker ficou com aquela cicatriz em forma de grande sorriso?

Patricia Gouveia

é uma personagem do jogo Mouseland. Dedica-se a viajar no ciberespaço e em realidades alternativas reais que misturem realidade e ficção numa constante exploração e experimentação lúdica.
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