George Baselitz: de cabeça erguida a favor da arte


George Baselitz pintura expressionista

Um dia, folheando uma revista de arte há cerca de uns 5 anos, vi uma imagem de uma mulher meio desforme, pintada em cores fortes, pinceladas desconexas. O que mais me chamou a atenção foi o fato de ela estava de cabeça para baixo. O autor da obra era George Baselitz. Fui pesquisar e conhecer mais sobre aquele que se tornaria a maior influência sobre meu trabalho. Descobri então que ele estava vivo (e ainda está), é alemão e nasceu no ano de 1923. Senti um misto de alegria e curiosidade, enfim um dos gênios estava vivo. Eu poderia escrever-lhe um mail, poderia trombar com ele em qualquer galeria na Alemanha (onde ainda vive) e poderia até mesmo, se ele souber ler em português, tê-lo como leitor destas linhas. As figuras de cabeça pra baixo de Baselitiz são e foram a principal parte do total de sua obra, o que se tornou uma espécie de obsessão do mercado de arte. Já a crítica o pintor nunca se importou em agradar, pra ele qual o mal em fazer sucesso?

BBaselitz nasceu em uma cidadezinha da antiga Alemanhã oriental chamada Deutschbaselitz, de onde saiu 3 anos antes da construção do muro. Assim, cria o pseudônimo George Baselitz, em homenagem à terra natal. Criativo, ele também fugiu do conceitualismo dos anos 60, apesar de existir sim uma idéia atrás de seus retratos de cabeça pra baixo. Afinal, quem foi que disse que a boa arte existe sem um conceito? Mas isso é assunto pra outra conversa.

Baselitz possui a lembrança de uma infância na guerra e de uma adolescência num regime cujo estilo artístico era caracterizado pelo Realismo Socialista. Além de pinturas, Baselitz produz esculturas, gravuras e desenhos.

George Baselitz pintura expressionista

Esta acima é “Ceia em Dresden”. Nesta obra a linguagem própria de Baselitz está claríssima. Nela ele usa os tons de rosa, o amarelo e o azul, delimitados por uma massa pictórica em preto. Não percebemos a linha, e imagino que o pintor não deva fazê-la em momento algum, há apenas, e divinamente, massa pictórica, densa, descritiva e forte. As figuras não nos passam fragilidade, são como seres que parecem enxergar mais do que o mundo real em que vivemos, a ceia em Dresden é dramática, cruel, mas os personagens parecem saber da presença do espectador.

George Baselitz pintura expressionista

Já em “Elke Nude 2”, a figura nua também não demonstra fragilidade, a obra é mais serena, há tons de cinza entre vermelhos, azul e a mistura de cores, dando à tela a caracteristíca pós moderna de Baselitz: seu expressionismo, único. A mulher observa tranquila enquanto é observada, e eu ouso dizer que nesta obra Baselitz se arrependeu do vermelho do fundo da tela, optando depois pelo branco.

A obra de Baselitz é caótica, é agonia e êxtase de um autor genial, criador de uma maneira sua de pintar, passou a repetir a fórmula sim, assumiu isso, o que definiu fortemente sua poética, Baselitz não se rendeu, nem à guerra e nem à crítica. De cabeça erguida construiu sua obra.


Cris Alcântara

Ela gostaria de viver num mundo art decó entre paredes em tons verde água e casas a la "Jetsons".
Saiba como escrever na obvious.

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