A publicidade e a higiene íntima feminina #2


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Leia a primeira parte deste artigo: a publicidade e a higiene íntima feminina #1

É possível que a Segunda Guerra Mundial tenha feito mais pela liberação feminina que os embates feministas. O conflito possibilitou que, nas décadas seguintes, as mulheres ganhassem cada vez mais postos em trabalhos ativos o que afetou a moda, o comportamento e também suas demandas íntimas. Nos anos de 1960 a liberdade dos movimentos passou a ser ainda mais explorada que nos anos anteriores pelo anunciantes de de tampões e penso higiênico.

Ter pouco ou nenhum contato com o sangramento, viver a vida como nos dias comuns, eram esses os chamarizes do Tampax e do OB. A TV também já estava bastante disseminada e, instantaneamente, se tornara a melhor amiga dos publicitários. Correr, pedalar, ir à praia, jogar tênis... eram algumas das atividades que sugeriam as propagandas da época como se todas as mulheres em dias menstruais fosse acometida por um furor esportivo irresistível.

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Nos anos 70, a inovação foi o uso de adesivos auto-colantes nos absorventes em forma de almofada, que aderiam à calcinha dispensando recursos como o uso de duas lingeries, cintos ou outras formas de contenção do tal produto. No Brasil, a ditadura militar censurara um comercial onde Marília Pêra contava dessas novidades porque, se os pensos eram sinônimo de liberdade, estavam censurados. Tudo piorado por se tratar da marca Sempre Livre.

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Os anos 80 seguiram sem grandes mudanças tanto nos absorventes quanto nas suas propagandas, foi mesmo nos anos 90 que se viu um inumerável acervo de designers que tornaram os absorventes externos mais confortáveis, com curvas, ao contrário daquele retângulo recheado de algodões. Novos tecidos também passaram a ser usados, vieram as abas laterais e foram um sucesso e, então, cultuava-se o conforto e discrição. Mais uma vez, para as brasileiras as coisas se encaminharam de uma forma peculiar; no país, a resistência quanto ao uso de tampões batia de frente com a grande vontade das mulheres dos trópicos de usar roupas coladas ao corpo.

De lá em diante, a tecla do conforto e a da adaptabilidade do absorvente externo foram praticamente as únicas peças de exploração dos anúncios publicitários. Os pensos diminuíram, ganharam embalagens coloridas e as campanhas pela televisão abandonaram a compulsão esportista em prol de um foco leve e tranquilo, com bastante céu azul, nuvens e atrizes despojadas. Já os absorventes internos, ganharam versões ultracoloridas e diversos tamanhos no mesmo pacote, sobre os mesmo pretexto de adaptarem-se as necessidades de cada mulher em particular.

Interessante é que, na contramão de todas as campanhas, vêm crescendo o movimento que quer abolir os absorventes descartáveis pela volta das antigas almofadas feitas de tecido. Seriam a solução mais natural para a pele sensível da vulva, além de muito mais econômicos e praticamente não-agressivos ao meio ambiente. Alheios a tudo isso, os investimentos publicitários nessa área prosseguem, como não poderia deixar de ser: as mulheres são um público exigente, querem novidades e continuarão procurando formas de se sentirem mais seguras, ativas e confortáveis em todos os dias do ano.


Priscilla santos

é adoradora de cervejas e colabora com a obvious.
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