Face hunters: a vanguarda da moda ao alcance de todos



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O senso comum compreende a moda como sendo “aquilo que todo mundo usa”; não deixa de ser verdade, mas os desdobramentos que essa palavra carrega vão muito além do “se está usando muito laranja” e nos deixam ver uma série de complexos parâmetros que irão decidir o que veremos nas passarelas durante as principais semanas de moda do mundo. Muito antes das tendências surgirem em formato de peças às vezes bastante bizarras, um time de estudiosos do assunto está pelas ruas capturando os meandros da cultura e do comportamento, analisando a metereologia, a economia e tudo o mais que está sob o guarda-chuvas que chamamos de sociedade.

Há alguns poucos anos atrás, esse tal time de pessoas que virava as ruas buscando tatear o que vamos querer vestir na próxima estação era restrito à profissionais da área, consultores das companhias de moda mas, entre meados dos 90 e início dos 2000, esse domínio foi sugado pelo advento avassalador das câmeras digitais; esses aparelhos possibilitaram que gente cheia de feeling fashion, olhar aguçado e alguma cara dura saíssem às ruas e festas fotografando pessoas de estilos únicos. Depois, tudo direto para os blogs. Era o início de uma revolução.

O japonês Shoichi Aoki é, disparado, o pioneiro dessa globalização fashion; nos anos noventa, ele podia ser constantemente visto nas esquinas de Tokio com uma câmera amadora em punho, abordando e clicando os passantes que lhe chamavam atenção pela ousadia no vestir. Não que fosse uma tarefa difícil, na época, o bairro de Harajuku era a Meca dos fashionistas nipônicos, daqueles jovens e adolescentes usando roupas de mil camadas estampadas, obis e sandálias plataformas dessas que se vê as nuvens de perto; era a nascente elite econômica do país, senhora de todas as excentricidades. Algum tempo depois, Aoki apostaria na publicação “Fruits”, uma revista que juntava suas fotografias do mês e as espalhava, virou cult. Hoje, os catálogos “Fruits” são considerados um importante documento cultural e Shouchi Aoki uma sumidade.

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Em sua trilha veio Scott Schuman, um americano de 39 anos que igualmente munido com sua câmera, capta só o melhor das ruas de Manhattan mas, ao contrário de seu equivalente oriental, não privilegia a abordagem de pessoas, nem visuais mais vanguardistas, Shuman, que desde 2005 mantém o blog The Sartorialist, busca captar a elegância das tendências já implantadas.

Mas é o Face Hunter Yvan Rodic quem ocupa hoje o topo do movimento. O publicitário ganhou, também em 2005, uma câmera e passou a levá-la para todos os cantos de Paris, ruas, festas, escolas, museus, fotografando todas as pessoas que considerava, em seu instinto, donas de um conceito de moda a frente de tudo o já visto. Pensou que talvez mais alguém pudesse se interessar pelo que estava fazendo e lá criou o seu espaço na web que, em menos de um ano, se tornaria a referência no assunto. O Suiço, erradicado na França, decidiu largar o emprego quando percebeu que a coisa era rentável, nada mais coerente pois o Face Hunter gerava uma receita invejável com suas 20 mil visitas diárias somados aos trabalhos que passou a realizar para revistas como a Vougue. Yvan Rodic é pago para estar nas fashion weeks e nas grandes metrópoles mundiais (Stocolmo, Berlin, São Paulo, Lisboa, Nova Iorque, Londres, Seul, etc etc etc), com sua câmera – agora profissional – fazendo o que sempre fez. Dá também palestras sobre estilo e consultoria para que as grifes pesquisem o que será tendência no meio urbano.

Já se fala de um nome para esse fenômeno, fotografia social, que seria o trabalho de catalogação do street style e por todo mundo já estão disseminados blogs e páginas que pretendem atender à demandas, mais do que das empresas fashion, mas das pessoas que se inspiram em conceitos vindos de todo canto para construir a sua própria moda.

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priscilla santos

é adoradora de cervejas e colabora com a obvious.
Saiba como escrever na obvious.

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