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conversa com Eder Chiodetto

publicado em fotografia por | 15 comentários

contemporaneo flaneur paris Chiodetto
Manoel de Barros. Foto: Eder Chiodetto

Chiodetto é autor do livro "O lugar do escritor", no qual fotografa o local de trabalho de 36 importantes escritores brasileiros, revelando, portanto, a intimidade onde são criados seus imaginários. O fotógrafo afirma ter encontrado na fotografia uma maior liberdade estilística. Entretanto, seu trabalho sempre manteve um paralelo entre palavra e imagem. Em resposta a uma das questões propostas, Chiodetto explicou que as duas linguagens, literatura e fotografia, podem lhe dar um poder de fogo, de forma intensa, mas particularizadas ao tema. Por isso, decidiu explorar, a partir da lente da câmera, o espaço físico e real onde diferentes escritores conduzem seus imaginários, universo este considerado por ele como invisível e prolixo.

Espectador contemporâneo, Eder Chiodetto defende a idéia de que nossa percepção passa por um momento de transformação e de redefinição, para assim, melhor compreender o mundo que está por vir. E afirma ainda que o homem contemporâneo seja o criador e ao mesmo tempo a vítima do que ele chama de uma crescente cegueira, e que a atual crise geral do olhar possa estar na raiz de um passo evolutivo do homem. Segundo Chiodetto, as formas de obtenção e circulação das imagens neste momento passam por uma revolução. A partir disto, percebemos que a relação do fotógrafo com tais mudanças não é pessimista ou catastrófica. Em uma das respostas à entrevista, Chiodetto explica que em seu livro as imagens estão relacionadas à descoberta e ao instante:

A espera esteve na gênese desta coleção de imagens. Geralmente eu marcava as entrevistas com os escritores pedindo um tempo grande, uma tarde inteira, um dia inteiro...O meu tempo de espera era o do relaxamento da caça. Na verdade era fazer com que a caça acreditasse que aquilo não se tratava de uma caçada. O que era uma sensação falsa estimulada por mim, pois sempre tive a consciência de que era um ávido caçador faminto. (Chiodetto, entrevista concedida em Agosto de 2004).

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Jorge amado. Foto: Eder Chiodetto

O fotógrafo conta que, enquanto produzia as fotos, buscava um estado de suspensão compulsório vivido por aqueles criadores. Conclui-se, portanto, que Chiodetto não conduzia seu olhar ao óbvio, mas impunha uma leitura que ia além do referencial, caracterizando assim seu processo imaginário. Em O lugar do escritor é curioso notar o isolamento como condição primária para que aqueles escritores invadam – ou deixem ser invadidos – um mundo de idéias, um pomar da imaginação, onde basta colher a personagem ou a cidade em que lhe apetece contar uma história. No entanto, alguns destes escritores permitem a companhia concreta da rua, do espaço externo no ambiente de elaboração literária.

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Ferreira Gullar. Foto: Eder Chiodetto

No caso do poeta Ferreira Gullar, esta intromissão em seu escritório é um galho que descobre o vão deixado pela janela aberta. Tal situação é captada pelo olhar de Chiodetto que indaga ao poeta sobre o fato:
Esta árvore foi crescendo para o lado de cá e terminou fechando a janela. De vez em quando vem os funcionários da prefeitura e cortam, mas felizmente eles pararam de cortar. Eu deixo aí. Tinha até um galho que estava entrando por aqui. É minha companheira de trabalho. Ela e o gato que senta no meu colo quando estou escrevendo. (Ferreira Gullar in “O lugar do escritor”, p. 30).

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Ariano Suassuna. Foto: Eder Chiodetto

Estes são alguns dos pormenores revelados pelo olhar exploratório de Chiodetto através de sua câmera fotográfica. Conclui-se a partir deles que a série de fotografias de "O lugar do escritor" foram feitas por um observador de paisagem que se desloca da rua para o interior das casas, mas que mantém as mesmas características do olhar indagador de uma flânerie urbana. Em uma de suas respostas, o fotógrafo revela ter se perguntado constantemente por qual seria a maneira com que aqueles escritores lidavam com seus mundos imaginários. Sua pergunta inicial era saber em que lugar um prosador escreve sua ficção ou um poeta seu poema. Tais questionamentos fazem com que tudo seja visto como pela primeira vez. As imagens que pareciam ter sido banalizadas pelo imediatismo e falta de tempo contemporâneos, são resgatadas por este olhar que irá transformá-las a partir do imaginário conduzido pela curiosidade e contemplação.

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Adélia Prado. Foto: Eder Chiodetto

Eder Chiodetto, como fotógrafo, produz um imaginário relacionado à sua observação e eterniza imagens que ultrapassarão nossa contemporaneidade, feitas a partir do instante e de um olhar indagador que observa como pela primeira vez. Tal compreensão poderia também ter sido feita através do trabalho de outros artistas, de outras áreas e linguagens mas que tivessem como pertinente em suas poéticas o tema do olhar, pois está claro que é papel do homem contemporâneo compreender, adaptar e aperfeiçoar suas formas de observar, para que assim haja não um empobrecimento do imaginário mas uma revolução.

 

cris alcântara é colaboradora do obvious. Ela gostaria de viver num mundo art decó entre paredes em tons verde água e casas a la "Jetsons". Saiba como fazer parte da obvious.

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Essa primeira foto é do Manoel de Barros, falta o nome do escritor, gente!!!

;)

Acredito que seja uma curiosidade geral saber como é o espaço físico usado por um escritor para criar seus espaços imaginários.

Não estarão os espaços imaginários na própria imaginação dos escritores?
Penso que o espaço físico só importa como curiosidade,quem tem talento e sabe colocar em letras seus melhores pensamentos escreve em qualquer espaço...

Rufus

As fotos são miseráveis pra quem se pretende fotógrafo

Volto outra hora para ler com mais calma. Adoro Manoel de Barros...


Obvious!

Cris

Acredito que todos estes grandes escritores brasileiros possam escrever em qualquer lugar... mas acho interessante sim conhecer mais na intimidade o lugar onde eles escrevem...

icleia rodrigues de lima e gomes

Mil perdões pelos melindres, mas ... ou eu emburreci ou essas fotografias não estão dizendo nada ...

Rufus

É isso aí, Icleia, é o que eu acho... São mt ruins como fotografias e completamente irrelevantes como documento. Não dizem nada. Aliás, a gente lê o artigo todo e fica com a sensação que não leu nada, que não tem conteúdo. A linguagem é muito complicada, mt cara, só pra erudito entender mas não diz nada mesmo. Longe do estilo a que o Obvious nos habituou...

wolney

Icleia e Rufus, acho que estou com vcs. Esteticamente falando não gostei das fotos mas mesmo assim, o obvious sempre nos habituou a imagens fantásticas e textos para nós mortais percebermos. Dava para pelo menos encontrar fotos que sejam dignas desse nome? bração

Tive aulas com Eder quando fazia jornalismo. Um ótimo professor e profissional. Um artista.

Reinaldo Cortesan

Sou fotógrafo, gosto do trabalho do chiodetto neste livro e gostei do artigo. Viva a liberdade de expressão, mas abaixo à crítica sem fundamento.

Icléia Rodrigues de Lima e Gomes

Não sou fotógrafa, Senhor Cortesan,mas tenho a boca torta com o uso do cachimbo de professora e fruidora de Literatura Brasileira . E é uma certa familiaridade com os vultos alvos de Chiodetto que me deixa bem à vontade e "livre" para afirmar e reafirmar que os travesseiros não estão dizendo nada das cabeças desses escritores . Os fundos não condizem com as figuras ! Vamos brincar? Faça montagens com esses fundos pondo neles o Paulo Coelho de figura . O leitor menos avisado "engole"... Só isso. Touché !

Ricardo

Eu tenho o livro o "O lugar do escritor". É lindo. E, sim, me consegue dizer muito. Acho digno que ao desdenhar de forma ácida um obra, antes, deve se conhecer melhor o trabalho. Hoje ficou fácil brincar na internet de "crítico". Deve fazer um bem danado ao ego, suponho. Enfim, quanto ao texto, achei uma boa sacada fazer um paralelo entre o trabalho do Chiodeto com a questão do flaneur. Acho que é isso mesmo, é bonito ver a alma nos detalhes. Ela parece se esconder, mas está ali, basta ter a liberdade sensorial de um flaneur. Bem legal! Volto mais uma vez aos "críticos internéticos", a última parte do texto parece responder precisamente a vocês: "está claro que é papel do homem contemporâneo compreender, adaptar e aperfeiçoar suas formas de observar, para que assim não haja um empobrecimento do imaginário, mas uma revolução". Saudações.

Gabriela Rangel

meus Deus adorei as fotos e conferi mais pesquisando, ele fotografou paulo coelho tb, e ficou ótimo. sabe o que acho? que as pessoas não entenderam o que ele diz aí na conversa e mesmo o que diz o texto. gente, vamos olhar para as coisas bobas da vida, as passageiras, como o quarto bagunçado de um escritor e não querer ver nada além disso! o belo é o momento, o instante passageiro captado pelo olho do artista! As fotos tem uma beleza singela, e poucos conseguem tirar arte do singelo.

Se a necessidade é buscar uma lógica no olhar, alguma racionalidade, neste trabalho ela me aparece no embate entre a virtualidade da linguagem escrita, o a concretude da presença, do estar factível. Onde mora a virtualidade da obra literária, onde ela se mostra em átomos? No quarto? No cérebro? Nas marcas da existência dele espalhadas pela casa? Nos móveis? Onde está o sonho que ele nos descreveu? Onde mora a imaginação?

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