
Joe Rosenthal - rising the flag
Quando teve início a guerra com o Japão, nenhum estratega americano imaginou que uma pequena ilha vulcânica, perdida no meio do oceano pacífico, seria palco de uma batalha decisiva na história desse conflito. Iwo Jima, cujo nome em japonês significa "ilha de enxofre", é uma pequena ilha com apenas 21 km2, em que a vertente sul é dominada pelo monte Suribachi, com cerca de 160m de altura.

Iwo Jima
A determinação de ambos os lados era elevada devido ao posicionamento estratégico que a ilha ocupava no teatro de guerra. Com a conquista de Iwo Jima, os americanos poderiam utilizar a ilha para lançar ataques aéreos directos ao Japão e também acabariam com os pré-avisos que as forças japonesas emitiam sempre que os bombardeiros ai passavam rumo ao território imperial.
Tomar a ilha não seria fácil e as forças norte-americanas já esperavam que os soldados japoneses oferecessem uma violenta resistência. As praias de areia negra eram uma resistência natural à rápida progressão das tropas em desembarque e, enquanto não conseguissem tomar o monte Suribachi, os norte-americanos permaneceriam extremamente vulneráveis aos ataques inimigos. O monte era de vital importância, pela sua localização, a elevação oferecia uma vantagem estratégica para quem estivesse no alto: das suas encostas era possível lançar fogo de artilharia para qualquer direcção.
Os Estados Unidos saíram vitoriosos da batalha de Iwo Jima, mas a vitória custou muitas vidas humanas. Do lado americano, o número de mortes foi de cerca de 5.000 e as baixas ultrapassaram os 24 mil homens. Do lado japonês, as perdas foram ainda maiores: cerca de 20 mil japoneses morreram. Os norte-americanos não conseguiram fazer muitos prisioneiros: apenas pouco mais de mil japoneses foram capturados vivos.
Este palco de guerra deu origem a uma das mais famosas fotografias da história, captada por Joe Rosenthal no dia 23 de Fevereiro de 1945. Na verdade, já tinha ocorrido um primeiro hastear de bandeira aquando os fuzileiros americanos tomaram por fim o monte Suribachi. No entanto, foi dada a ordem para proceder a um segundo hastear, com uma bandeira maior. Foi este último momento que ficou imortalizado por Rosenthal.
Esta fotografia rendeu-lhe o prémio pulitzer e ilustrou o patriotismo e determinação da nação americana. As pessoas envolvidas na imagem ficaram também imortalizadas ao verem os seus nomes associados à imagem. Foram eles Franklin Sousley, Harlon Block, Michael Strank (que não sobreviveram até ao final da batalha) John Bradley, Rene Gagnon e Ira Hayes.

Esta fotografia foi também utilizada no memorial de guerra dos fuzileiros norte-americanos, dedicado a todos os membros desta força que morreram na defesa do pais desde 10 de Novembro de 1775.

US Marine Corp - Memorial
As forças militares norte americanas ocuparam Iwo Jima até 1968, quando foi finalmente devolvida ao Japão.
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comments powered by DisqusJ. F. Mitre
Lembrando da existência de dois filmes recentes sobre Iwo Jima.
São "Cartas de Iwo Jima" e "A Conquista da Honra". O primeiro reconstrói a história olhando o ponto de vista dos japoneses, a partir de cartas encontradas na ilha. Isso, era inédito. O segundo, basicamente mostra a história da fotografia ilustrada nesse texto (Rising the Flag) e das pessoas envolvidas com ela. Aliás, esse é o único mérito desse segundo filme.
Eduardo Barros - Vitória/ES
Se o mérito estético da foto é admirável, vale refletir sobre seu significado. O "segundo hastear" teria sido uma encenação?
Até que ponto deve-se laurear "o patriotismo e determinação da nação americana" que acabaram por carbonizar, incinerar, assassinar, 256.300 almas em Hiroshima e Nagasaki, em sua grande maioria civis? Tudo vale em nome da glória de sua nação?
bjr
Mitre e Eduardo, obrigado por comentarem.
Ao escrever o artigo, o que me moveu foi somente a história de uma fotografia que se tornou um símbolo para a nação americana. Não quer dizer que partilhe do sentimento. Obviamente que "laurear" o patriotismo dos americanos não foi o objectivo do artigo, como creio que terá ficado explícito :)
No entanto fascinou-me a forma como uma simples imagem adquire dimensão e se torna num símbolo.
Camila Haase
É isso de facto JBR. É a força e o impacto da imagem e, mais notadamente, da fotografia que faz história e conta a história. Se procurarmos bem, há muito que é representado através dela. Inclusive, como bem escreveu o Mitre, essa aqui foi o impulso do filme. Achei ótimo, você poderia, em próximos artigos, contar mais histórias das fotografias. :-)
Eu
Como se sabe dos vencidos não reza a Historia.
naldinho
pow de mais !
agora fiquei muito interessado no passado americano.
tipo assim de guerra
Amós Mondlane
bjr, Camila Hassane e Eduardo Barros.
Estou nutrindo simpatias pelos vossos comentários.
Em ambos lados beligerantes a guerra divide- os produzindo para os dois lados herois, valentes, desertores, mutilados. isto é, infectados e afectados.
A valentia e o heroismo dos outros faz a outra ala criar e resuscitar seus herois e efeitos.
C Hess
VEJAM O FILME “Cartas de Iwo Jima” E O Q PODEMOS CHAMAR DE SEU "COMPLEMENTO" - “A Conquista da Honra”, SÃO ESPETACULARES, ESPECIALMENTE POR MOSTRAR AS DUAS VISÕES DOS Q LUTARAM POR ESSE PEDAÇO DE TERRA PERDIDO NO OCEANO!
NÃO PERCAM!!!!
IMPERDÍVEIS!!
ESSENCIAIS!!
Amós
C Hess, obrigado por no seu comentário usares um vocabulário de fácil compreensão,...."por amostrar as duas visões..."
A guerra resulta do antagonismo entre duas visões, ninguém na história já se municiou para combater se a si mesma.
Por isso os bons cineastas, sempre exploram e exibem todas as facetas da moral dum filme com o propósito de oferecer aos críticos um espaço para comentários.
Abraço!
Cesar
Talvez Iwo Jima foi a batalha mãe de Hiroshima e Nagasaki. A batalha foi uma das mais cruentas da guerra, e todas as batalhas no Pacífico foram cruentas, os japoneses fanaticamente preferiam morrer a se entregar. A batalha estava perdida, mas mesmo assim os americanos tinham que ir de trincheira em trincheira, e responder à bala (e também a lança-chamas) ao fogo inimigo.
Talvez daí tenha nascido o desejo de quebrar o espírito guerreiro japonês com o mínimo de baixas para ambos os lados. As bombas atômicas fizeram isso. Se antes de Hiroshima e Nagasaki, os japoneses estavam com esperança de derramar sangue americano o máximo possível, e todo japonês, homem, mulher, jovem, criança ou velho estava disposto a se sacrificar em uma última batalha, se até ali os falcões de guerra japoneses ainda tinham pretensões de lavar a honra com um holocausto tanto de japoneses como americanos, a bomba desfez toda ilusão de batalha. Não havia defesa, não haveriam baixas americanas, o solo sagrado seria reduzido a uma superfície vitrificada pelo fogo atômico, e só o povo japonês seria sacrificado, sem honra e sem glória.
Mas existe também alguns boatos que o alto comando japonês estava dividido, e uma parte deles já estava tentando negociar a paz com os americanos, e os soviéticos teriam se recusado a fazer a intermediação. Obviamente uma proposta destas geraria uma divisão fratricida entre japoneses, os sensatos que queriam o armistício seriam acusados de traição e perseguidos até o fim de suas vidas, e mesmo depois. A bomba foi então um alívio para eles, por que fez com que os falcões de guerra engolissem seu orgulho (imagino que alguns devem ter praticado sepuku, alguém sabe da história?)
As vítimas das bombas atômicas são, desta forma, verdadeiros mártires. Graças a seu sacrifício involuntário, o Japão pode parar a guerra que já tinha perdido. E, felizmente, o desenlace da rendição foi diferente do que aconteceu no fim da Primeira Guerra Mundial. Vencedores e vencidos se uniram para reconstruir seus países - Os EEUU levaram a melhor, por que seu parque industrial saiu renovado e com vigor total. No fim da primeira guerra, o que se viu foi os vencedores humilhando os vencidos, uma atitude que alimentou o Nazismo mais tarde.