O Design na Contemporaneidade


design Cadeira irmãos Campana Em História os críticos só conseguem estudar e definir uma época após o chamado tempo de historicidade, que é demarcado pelos tais 20 anos. Aliás, vinte anos após os anos 80, puft, aí está, a onda oitentista veio e voltaram as músicas, os cenários e a moda, assim, todos nós conseguimos dizer: “isso é tão anos 80!”

Os meus alunos de design sempre me perguntam como definir o design e a arquitetura na contemporaneidade. Eu simplesmente escapo em responder a pergunta com a tal desculpa da “história da historicidade”. Ora, ora, “ainda não podemos definir tão definidamente, pois sabem, faltam aí uns bons 12 aninhos...” Mentira! Há meses atrás preparei uma palestra (já apresentada mil vezes) em que com imagens e palavras consegui definir duas linhas. Duas linhas conflitantes que definem sim a tal contemporaneidade, ao menos em design e em arquitetura (por favor, não me perguntem nas artes, aí é impossível).

Hoje existem duas linhas diferentes, entretanto bem definidas que delineiam o que se tem produzido em design de interiores, mobiliário e na arquitetura. Uma delas é uma linha que trabalha com cor, muita cor nas mais diferentes formas desta, linhas sinuosas e orgânicas e novos materiais, além de continuarem a abusar das releituras do uso do plástico e do polipropileno. Karim Rashid é o nome que uso para ilustrar esta vertente do design contemporâneo. Rashid é egípcio, mora hoje em Londres e é um dos nomes mais importantes na área. Pretende fazer com que seu design ganhe o mundo (já ganhou) e que seja barato (boa fórmula, pop e para todos). Suas linhas são arredondadas, suas formas coloridas e os materiais variados. Rashid seria como que o Dali do design.

design contemporaneo Projeto de interiores feito por Rashid

Neste momento da palestra alguns dos meus alunos me perguntam se os Campana se incluem nesta vertente. Olha só, os Campana são designers??? Xiiii, se formos nos basear nos acadêmicos das faculdades de design industrial, a resposta é sonora: “Não! Não são!” Ouviram? Veio até em coro! Mas eu estou aqui para dizer que ... Eles são maravilhosos, e se são designers ou não, não me importa, sei que adoraria usar alguns de seus móveis em alguns dos meus projetos, e odiaria ser obrigada a usar uma cadeira ergonômica, tecnológica, bela e que cumpre todos os paradigmas para ser “design”, de qualquer um dos alunos saídos de uma faculdade de design industrial.

Enfim, mas respondendo a pergunta lá atrás, sim, os Campana se incluem nesta vertente mais divertida do design de hoje.

Outro talentoso nome do design e que também segue esta linha é o de Ebo Amorim. Já o citei em artigos anteriores e seu trabalho não passa desapercebido. Cores, formas, uma mescla genial entre vanguardismo e pitadas de retrô. Há que se ter muito talento para ser divertido em design, e só os geniais conseguem fazer isto com arte e técnica, aliás, este é e sempre foi o tema de maior discussão na história do design: no trabalho de Amorim vale observar a maneira que ele harmoniza as linhas retas e curvas que usa, as cores e como resolve seus problemas de função.

design genialidade em formas e cores

Pronto. Continuando a tentar comprender a contemporaneidade em design e em arquitetura: a tal segunda linha é o oposto da primeira é se baseia na simplicidade. Um professor meu dizia que devemos tomar cuidado ao usar o termo minimalista, afinal, isto é designação de movimento, estilo... Mas há uma vertente do design e da arquitetura na contemporaneidade que se baseia no mínimo ao extremo, uso de muito branco e neutras, concreto puro e aparente e linhas retas. Aliás, é o que mais há, retas, retas, retas e simplesmente apenas o necessário. Um dos nomes que uso para ilustrar esta face do design contemporâneo é o do escritório português Aires Mateus. Um dos projetos deles que mais gosto é o de uma a casa no litoral alentejano.

design contemporaneo Casa no Litoral alentejano, Aires Mateus

Há no projeto uma extrema delicadeza: um quadrado leva ao interior da habitação que é feita de espaços fechados que se abrem para um átrio interno. Tudo coerente com a paisagem do lugar. Lindo.

Outro bom exemplo é o italiano Marco Gorini, que faz cozinhas plenamente racionalistas, de um minimalismo extremo entre o aço e a simplicidade. Suas formas são puras e os projetos tem muita força. A linguagem de Gorini é própria.

design contemporaneo Bancada, projeto de Gorini

Outra dica para aqueles que se interessam por esta leitura racional do design e da arquitetura contemporânea é o livro “Ainda moderno?” de Lauro Cavalcanti. Ele discute a partir de fotos de casas atuais o fato do estilo modernista ainda ser a grande influência de um grupo de arquitetos e designers contemporâneos.

Enfim, acredito que desta maneira fica mais fácil de se compreender a contemporaneidade, ao menos no design. Vai abaixo uma lista de contemporâneos da área, classifiquei em dois grupos: os divertidos e os retos. Vale a pena conferir o trabalho deles:

Divertidos: Karim Rashid, Campanas, Ebo Amorim

Retos: Artur de Mattos Casas , Aires Mateus, Marco Gorini


Cris Alcântara

Ela gostaria de viver num mundo art decó entre paredes em tons verde água e casas a la "Jetsons".
Saiba como escrever na obvious.

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