
Por aqui, só o improvável tem vez: três índios caminham de bermuda, chocalho e descalços, uma coelhinha da Playboy passa devidamente seguida por homens e câmeras digitais, o pinguim Tux faz uma pose provocante em frente ao palco e, enquanto o cara do megafone anuncia algo plenamente incompreensível, um robô caminha no corredor balançando os cabelos de fibra ótica. A moldura é uma gigantesca lan house que sopra 10Gigas de velocidade. O evento é esse mesmo, Campus Party.
Nerds, geeks e entusiastas digitais não veem problema nenhum com o aparente caos, pelo contrario; o criam e o incentivam. O evento começou ontem e tem lugar no Centro de Cultura Imigrantes, em São Paulo, recebeu da imprensa esse ano uma atenção especial e saber de sua existência já não é mais confinado a algum micro universo habitado por meia dúzia de caras sem vida social. O Campus Party revela o paradoxo de um micro universo infinito.
Eram seis horas da tarde e a fila para credenciais continuava grande. A cada meia hora, o ônibus que interliga gratuitamente o Centro Imigrante ao metrô Jabaquara faz chegar ainda mais gente, entre campuseiros e pessoas da própria comunidade. Mais cedo, a ansiedade para ver a palestra de Tim Berners-Lee, “o homem que criou a internet”, fez uma parte da fila ceder à oferta de pulseiras para credenciamento temporário. Lá dentro ele falava pausadamente e era acompanhado por um grupo extasiado com quem os fotógrafos da imprensa disputavam espaço.

O ex-ministro da Cultura Gilberto Gil se apresentava ao mesmo tempo em que se apresentava o projeto de desenvolvimento público de um robô. As palestras, promoções, produção e troca de conteúdos acontecem simultaneamente e os primeiros minutos no lugar são de cabeça girando sem parar, justamente porque voltamos ao início: a profusão. O que o primeiro dia de atividades intensas no Campus Party revela é a diversidade, a sede pela partilha, a vestir bem excêntrico e a grande interação entre essas pessoas que convencionadas a serem chamadas de nerds.
Generalizações são necessárias? A experiência vista desse ponto aqui conta que mais vale a diversidade e a diferença caótica que vai girando em torno da mesma paixão que o eterno monobloco do mais do mesmo e das simplificações.




10 comentários
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Nando
U-a-u!!!!
Cezar Queiroz
Muito boa essa matéria, a cobertura do evento vai continuar?
icommercepage
E pensar que só agora os caras vem me avisar que as coelhinhas da Playboy deram um show no evento.
Se eu soubesse teria ido neste dia heheheheh
Olá Cezar, vai continuar, obviamente :)
Carlos Martins
Espero que a moda das coelhinhas seja importada para este lado do atlântico! :)
prill
Obrigada pelo comentário, meninos, e a cobertura vai continuar. Vocês estão por aqui? EStou perto do banner do y!posts, querendo (e quem mais estiver rodando no evento) visitem-me (ataque de carência).
hasta! :)
Leonardo Pastor
Infelizmente ficarei aqui em Salvador com inveja de quem está em São Paulo na Campus Party.
W3Con
Excelente cobertura, principalmente das coelhinhas...
Viva a Party Brasil...
W3Con, obrigado :)
? prill
E nem imaginávamos que a coisa das coelhinhas tomaria o vulto que tomou...
Os blogs, obviamente, têm acompanhado o embate com fervor, atacando a grosseria com que a moça ruiva foi tratada. A tag é #coelhinha no twitter
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