Campus Party Brasil: olhares sobre a blogosfera brasileira


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Pela manhã, as pessoas andavam pelo Centro de Exposições muito mais tranquilas. Prenúncio de uma dia menos absurdo? Nada disso, era só o sistema de refrigeração caprichando no congelamento de músculos. Por dentro, o frisson parecia até maior porque os gammers gritavam periodicamente.

Já no outro lado do pavilhão, o silêncio. Nas bancadas que concentram uma grande parte dos blogueiros da Campus Party, o que se vê mesmo são as pessoas olhando fixamente para o notebook com seus editores de texto abertos, quase alheios à conexão de 10Gb que, juram, sai dos cabos.

Mas a maratona de palestras que procuraram refletir sobre a blogosfera brasileira nesta quarta fizeram esse pessoal sair um pouco da rotina para ocuparem os pufes coloridos do Campus Blog. E satisfeitíssimos.

Fábio Malini, um pesquisador bastante interessado na dinâmica ética que governa ou desgoverna os blogs nacionais, pôs na pauta copypaste, blogagem profissional, comunicação de massa e uma constatação de amoralidade no meio; tudo entremeado pela teoria de que blogs são clausuras; ali só se escreve para si mesmo. As perguntas que se seguiram à palestra fecharam com chave de ouro, por exemplo, para que servem os links? Eles são a prova cabal de que os blogs estão corroídos pela não-produção de conteúdo. Noutra, perguntaram a Malini o que ele achava da próxima novela das oito ter um personagem blogueiro. Viagem insólita. Era hora de tomar um café.

A palestra a seguir pôs na mesma mesa os rapazes das agências iThink, do LiveAD, do Bullet e da Espalhe, moderados por Carlos Merigo, do Brainstorm#9. Muito à vontade, eles debateram sobre um dos assuntos mais execrados da rede: o marketing de guerrilha, as ações virais, promoções de marca e os rumos dessa flerte entre as mídias sociais e a blogosfera. Ali, repetição de conteúdo não parecia pecado mortal, era natural e essencial para o sucesso dos negócios corporativos. A conversa foi arejada, ampla e concluiu, entre outras coisas que a) o que tem faltado às empresas brasileiras é ousadia e b) levar blogueiros para um passeio no Mediterrâneo não é mau, mau é fazer isso sem nenhuma idéia sustentável ao fundo.

O tema dos novos rumos da educação levou blogueiros que trafegam pelo magistério a trocarem experiências, idéias e desafios. “O que os blogs podem fazer no processo ensino-aprendizagem?” a pergunta-chave. A educação passa pela sua fase mais intensa na adaptação ao mercado do século XXI e esbarra na falta de infra-estrutura mais antigos métodos difíceis de serem superados, ou mesmo adaptados.

Às seis horas da tarde, os usuários do Twitter postavam de modo ensandecido sobre a chegada da ex-vereadora e ex-candidata à prefeitura de São Paulo, Soninha e, até o fechamento desse artigo, os debates sobre as mídias sociais nas eleições continuavam embora contando com meia dúzia de ouvintes. A mesa parece auto divertir-se.

Às 21h:45, o Guitar-hero parou e os gammers estavam bem quietinhos ouvindo sobre como entrar no competitivo mercado de games. À essa altura, as meninas blogueiras que se reuniam numa espécie de chá animado por camisetas e bichinhos de pelúcia avanço, se despediram e dispersaram, de volta aos laptops: hora de digerir tudo e transformar em postagens frescas.

Imagens: Pólvora e Receita de Sucesso

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Priscilla santos

é adoradora de cervejas e colabora com a obvious.
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