garry winogrand: uma fotografia


 Branco Fotografia Garry Preto Winogrand

Pelos padrões da estética pop da era virtual, esta fotografia não teria salvação nem direito a claque: embora esteja quase lá, não tem máxima profundidade de campo; não tem nem deixa de ter algo a que se possa chamar uma definição impecável; é muito escura; do céu podia dizer-se que está rebentado; as pessoas estão em contraluz; e, last but not least, está torta.

Mas tem, pelo menos, dez histórias, além daquela do sol longo e da outra das estrelas que desaparecem no chão sombrio. Um homem, três mulheres e uma criança, aquilo que pode ou não ser uma família, um casal no reflexo da montra, um táxi, um autocarro. Los Angeles para sempre no fim de um dia de Verão, e tanta gente, tantas situações, que bem pode conter mais do que uma cidade, mais do que um tempo.

Quando primeiro a vi, aquilo de que mais gostei foi caber nela tanta coisa. Como já estava ligada à internet, amei-a também por poder tanto contra o tédio do irrepreensível e do vazio.


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