
Talvez seja mais fácil visualizar algo através da escrita do que através de um desenho. Alguns textos excepcionalmente bem redigidos possuem essa capacidade mesmo sobre as mais brilhantes pinturas, pois as suas descrições são mais vagas e sugestivas do que as linhas precisas de um desenho. Porque estimula a imaginação e o sonho, a leitura é tão necessária ao desenvolvimento das crianças. Consciente de tudo isto, a artista americana Nora Sturges lançou a si própria um desafio tão impossível como aliciante: colocar na tela os ambientes fabulosos do livro "As Cidades Invisíveis", de Italo Calvino.
Marco Polo, o viajante e narrador do livro de Calvino, aparece aqui como um turista comum e serve como elo de ligação entre os vários quadros. É ele quem experimenta ambientes ora amigáveis ora hostis. Quase podemos sentir as suas emoções. Em cada quadro há uma cena com uma história independente e um ambiente próprio. Como nas gravuras e iluminuras medievais e renascentistas, a pintora representa ambientes imaginários embora vagamente reais. O estilo naif de Nora Sturges revela-se muito adequado. Os ambientes encontram-se polvilhados de elementos enigmáticos e quase mágicos que transmitem um mistério e uma poética enormes - estranheza, exotismo, diferenças culturais... Um videogame intemporal entre passado e futuro.





Comentários
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isabella
Gostei muito do artigo e achei interessante a interpretacao de Nora.
Abraços,
Robick
Gosto da interpretação da artista de um dos meus livros favoritos :-)
Obrigado Isabella... como vai o David? :)
Robick, as cidades invisiveis dão muita latitude à imaginação :)
Mariana Bonfim
Não é um dos livros mais fáceis de se traduzir a sua escrita em imagens. A artista está de parabéns.
Como eu disse anteriormente, Mariana, italo escreve de uma forma que dá largas à nossa imaginação... achei muito interessante ver como cada artista entendeu Italo...
Como eu disse anteriormente, Mariana, italo escreve de uma forma que dá largas à nossa imaginação... achei muito interessante ver como cada artista entendeu Italo...
Ed
Bom, há uma distância entre o escrito, o imaginado e o traduzido em tons e formas. Boa criação a sua, boa imaginação. Trabalho dificil de fato.
Ed... algo interessante ao ver estas interpretações é a possivel no interpretação de algumas cidades, vc não acha? obrigado por comentar.
Ed
Sim, exatamente, essa não interpretação de algumas cidades abre um leque de possibilidades...tantas em numeros quanto os galhos de uma grande árvore, mesmo sendo daqueles galhos mais curtos, ou aqueles que por crescerem demasiadamente pendem ao solo, fazendo com que formigas subam até a copa e se alimentem das flores mais altas, e colonizem o tronco aonde ele abre uma fissura, que fora causada por um evento natural quando a arvore tinha apenas poucas décadas de vida, em tempos já a muito idos....
;)
@Ed, LOL
Ed
Realmente, bem imaginada esta produção artistica.
Já reli o livro nesse meio tempo.
Fabrízia Pires de Oliveira
Muito interessante a interpretação da artista, mergular nas cidades imaginárias de Calvino através da arte, aguça ainda mais as "viagens literárias" que cada um interpreta com a leitura do livro.
Adorei!!!
Mario
Legal, mas acho que não é bom traduzi-lo em imagens. As cidades são tão mutantes, tão efêmeras e as vezes estão somente na lembrança de quem a conta... Acho dificil...
:)
Adair
Belíssima interpretação de Cidades Invisíveis
Já li e adorei.
Parabéns
Prof. Diego
Eu como professor de Geografia me encantei pela obra de Calvino. Tento interpretar suas cidades com a peculariedade dos objetos que a contém e das vidas presentes que fazem a cidades ser por si só um mundo, uma totalidade... As cidades de Calvino na realidade são extremamente modernas e até futuristas... Um homem de VERDADE a frente do seu tempo... Parabéns pelas imagens!
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