
Imagem do site upart
Não sou grande compradora de cerâmica popular - tenho apenas um burro pequenino, cinzento, que quase parece uma cabra ou outro bicho, e leva às costas uma cesta cheia de miudezas coloridas. Mas sempre gostei das bandas, e dos santos e demónios da Rosa Ramalho, e das figuras do presépio, estas mesmo quando, como muitas vezes, têm os olhos fora do sítio e as mãos maiores que a cabeça.
Alguns clássicos passam actualmente por um renascimento. O galo de Barcelos, que se tornara entediante e quase perdera a sua dignidade, como todas as imagens de que a ideologia nacional se apropria, ainda para mais nas suas reproduções industriais descuidadas, está agora a ser recuperado, redesenhado (tal como os lenços de Viana e outras coisas que passaram ao território do folclore oficial) e vendido em projectos como, por exemplo, a loja Alma Lusa.
Tudo isto para chegar a Júlia Côta, que descobri há dias no site da Upart. Segundo a entrevista/reportagem disponível online, a sua é já a terceira geração de artesãos do barro na família. Infelizmente, nenhum dos filhos de Júlia parece ter herdado o ofício.

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Fiquei deslumbrada com os diabos; depois, descobri algumas outras figuras cheias de personalidade. Uma das coisas que me fascinam é a diversidade que se consegue com elementos mínimos, a partir de uma forma e de uma linguagem que parecem à partida limitativas. Como se a artesã estivesse, há décadas, a inventar uma história a que fosse acrescentando estas personagens. As bonecas de Júlia Côta são umas senhoras e pêras, de mão na anca e sobrancelhas rijas, e a qualidade do trabalho não deixa dúvida de que são obras de amor.
9 comentários
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bjr
Eu acho que daverias colocar aqui algumas das tuas peças cerâmicas... são muito melhores do que estas e, quando todos descobrirem as tuas capacidades em por a mão na massa, ou no barro, ficas rica em dois tempos :)
Diogo
ei estava mesmo a precisar disto para a minha cadeira de oficina de cerâmica..alguém me sabe dizer + nomes de pessoas que trabalhem com cerâmica conhecidas? mas coisas talvez + modernas..não tanto populares...
deixo o meu contacto para se alguem quiser responder:
diogo-valente@live.com.pt
wave
Bjr, permites-me um pouco de publicidade aos meus rissóis?
Caro leitor Obvious, faça já a sua encomenda e receba grátis uma chamuça.
Daniela Graça
Diz quem provou, que eu faço bem bolos... :D
Diogo, a nossa leitora Tajana talvez consiga dar alguns palpites muito informados
Wave, Tu e os teus rissois são muito bem vindos... já as chamuças, são um pouco picantes... provavelmente é um tendência herdada da cozinheira :)
Daniela... Mais uma cozinheira :) Não sei o que é que a cerâmica tem a ver com comida que possa ter motivado esta onda de propaganda culinária... impressionante.
tajana
Eu tinha colocado um comentário de resposta ao Diogo, mas não foi publicado.
Comida e cerâmica têm tudo a ver. Ambos servem para sujar as mãos.
Xavi
Viva!
Para que conste, há uma herdeira de Rosa Ramalho a trabalhar em ceramica popular, de seu nome Júlia. É filha e assina JR.Eu tenho algumas peças dela que usa muito a cor mel, diabos,animais, crucifixos, jarrões e uma medusa absolutamente espectacular.Cps.
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