"The cats" - Coltrane ronda-se, Coltrane habita-se


 Coltrane Jazz Musica

O jazz, contra tudo o que é imperfeito e acaba, o jazz é coisa prodigiosa e infinita. E o fim da década de 50 mais ainda – deu álbuns extraordinários de forma generosa e fascinante. É um dos mistérios do mundo, um mistério bom. Invariavelmente, em todas as leituras e buscas, acabo a ouvir uma qualquer maravilha enorme de 1957, 1958 ou 1959.

Tinha acabado ouvir "Art 'n' Zoot", Art Pepper e Zoot Sims em concerto no princípio da década de 80, e tinha pensado "Ora aqui está um belo álbum que não é do final dos anos 50". Quinze minutos depois, não sei como, estava a ouvir "The Cats", de John Coltrane, Kenny Burrell, Tommy Flanagan e Idrees Sulieman, e às primeiras notas de "Minor Mishap" percebi que tinha chegado a um disco de onde não sairia tão cedo, de onde não sairia igual. Fui ler. Eventualmente, reparei na data. 1957. Caramba.

Um álbum muito bom do final dos anos 50 é, no mínimo, em regra, genial. Que tenham sido gravados tantos em tão pouco tempo é que parece mentira. "The cats" é um desses discos. Entra pelos ouvidos, tem forma e som de música, mas sabemo-nos depressa na vertigem das rupturas existenciais, à beira de um mundo que se reinventa. Começa e continua, continua, continua. Só em nós qualquer coisa acaba.

Minor Mishap (excerto)


São Reino

é uma colaboradora multifacetada do obvious, verdadeira malabarista que tanto escreve sobre arte como aparos de canetas.
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