
O artigo de hoje aborda um assunto da nossa esfera íntima: o acto de urinar. Paradoxalmente, irei abordá-lo sob uma perspectiva masculina, uma vez que o objecto de que pretendo falar é justamente o urinol público, uma coisa de homens. Este equipamento começou a surgir em França, segundo parece, no século XIX. Com o tempo, o seu uso estendeu-se às cidades europeias e, posteriormente, ao continente americano. Durante muito tempo foi uma espécie de símbolo urbano de civilização e da supremacia masculina de uma sociedade sexista - um símbolo mal cheiroso! Após a Segunda Guerra Mundial a evolução do estatuto social da mulher e também as novas exigências de higiene acabaram por ditar o fim do urinol público. Esta é a história do seu nascimento, vida e morte e, curiosamente, do seu recente renascimento.
O urinol público surgiu em França em resultado do hábito dos franceses de urinar contra a primeira parede que estivesse a jeito sempre que lhes dava vontade. Pensa-se que não tinham qualquer problema em fazê-lo, mesmo em locais frequentados. O nome original, pissoir, deriva precisamente da palavra francesa que designa o acto de urinar: pisser.



Diversos tipos de urinóis públicos em Paris, França
As autoridades municipais resolveram criar locais nas cidades onde os cavalheiros pudessem esvaziar comodamente a bexiga. Não se sabe se o objectivo era a higiene pública ou o pudor da sociedade da época, uma vez que muitos deles não passavam de uma parede com um painel à frente. Havia pissoirs individuais e de vários lugares. Em França tornou-se comum este tipo de urinol com tapa-vistas à altura das partes púbicas (e púdicas), executados em ferro fundido com requintes artísticos, atrás do qual se viam os pés e a cabeça dos homens que estavam a urinar, bem como a urina que caía ao chão e salpicava. Não era um espectáculo lá muito agradável, diga-se. Disgusting. Em Amesterdão ainda se conservam em uso várias unidades deste tipo de urinol.


Urinóis públicos ao longo do canal central de Amesterdão, Holanda

Urinol público em Rudkøbing, na Dinamarca
Por esse motivo outros países, ao importarem este equipamento, lhe introduziram melhoramentos. Os ingleses, tradicionalmente mais púdicos, converteram o tradicional pissoir francês num espaço fechado, uma cabina, protegendo mais a privacidade que tanto lhes é cara. Mantiveram o trabalho artístico no ferro fundido e pintaram-no regularmente de verde; nos casos de urinóis individuais, de vermelho. Alguns deles ainda estão em uso em diversas cidades inglesas e foram inclusivamente restaurados. Na Alemanha também foi adoptado este modelo.


Urinol público em Berlim, na Alemanha


Urinóis públicos em Bristol e Lincolnshire, respectivamente, na Inglaterra
Este modelo de cabina, usado em todo o mundo, foi posteriormente adaptado para receber vasos sanitários que permitissem as pessoas sentarem-se, alargando o seu uso a outro tipo de necessidades fisiológicas e... às mulheres. Surgiram assim os WCs públicos que actualmente servem as nossas cidades. Mais higiénicos, mais confortáveis, são porém incomparavelmente menos belos do que os seculares urinóis públicos em ferro fundido. Mas isso é apenas uma questão estética...
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11 comentários
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rafa
'objecto de que pretendo falar é justamente o urinol público, uma coisa de homens' ... q engraçado nao sabia q mulheres nao precisam fazer xixi em locais publicos
rafa
putz..urinol eh a privada de parede, nunca foi destinado a mulheres... como eh falar as coisas sem pensar ne ...
Rita
É isso mesmo Rafa :)
A verdade é que as mulheres têm as mesmas necessidades fisiológicas que os homens mas nem sempre lhes viram reconhecido esse direito, bem com outros também elementares.
hehehe. Rafa, mais uma meta a ser conquistada pelas mulheres :)
Lauro
É realmente um assunto muito interessante. Podem ser levantadas questões sobre normatização dos corpos e urbanização, hábito e legislação e, claro, gênero.
D
Falar de Urinóis é entender a evoluçao dos banheiros públicos!
Muito interessante!
D, é isso aí :) obrigado por comentar.
silvioafonso
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Rita, você é uma menina, mas quando crescer e descobrir que além da beleza o seu conhecimento é infinito, o mundo terá outra forma, talvez, aí, possamos encontrar o que procuramos pelos "cantos" do universo.
http://palhacopoeta.blogspot.com
silvioafonso.
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silvioafonso
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As mulheres sabem como lidar com isso. Mesmo tendo necessidades maiores que as dos homens no instinto da procura do "urinol" elas se resguardam e não saem por aí fazendo as suas necessidades em qualquer lugar que lhes pareça possível.
http://palhacopoeta.blogspot.com
silvioafonso.
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Marisa
Veja alguns modelos de sanitários do mundo
Rui Augusto
Seria interessante um artigo sobre a versão moderna dos urinóis públicos, ou das casas de banho modernas públicas transportáveis ou temporarias.
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