as seiscentas e setenta e seis aparições de Killoffer

Um homem chega ao seu apartamento. Parece prostrado como parece ter dificuldades em encontrar o buraco da fechadura cujo formato é em estrela. Finalmente ele entra, somente para se defontrar com algum caos muito bem preparado e, de lá, é atacado pela própria louça.


Killoffer franca ilustrador paranoico desenho bd HQ

A L’Association é um dos mais importantes editoriais franceses, especializado na publicação de comics e se considera a vanguarda do movimento chamado nuevo cómic independiente francés, ocorrido nos anos 90.

Entre seus membros estava Patrice Killoffer, ou simplesmente Killoffer; francês de Metz, 42 anos, escritor, ilustrador e paranóico. Lançou-se no ofício pelo início dos anos de 1980, quando cursava a escola superior de artes aplicadas de Duperré, em Paris e, antes do fim daquela década, já publicava em alguns periódicos e fundava outros.

"Seiscentas e setenta e seis aparições" nasceu de um intercâmbio entre a França e o Canadá: a Killoffer fora oferecida uma bolsa de estudos e hospedagem para viver uma temporada em Quebec tendo, como contrapartida simples, de escrever um livro sobre a província. Sem nenhuma surpresa, o tal livro fora vetado pela instituição que lhe oferecera a viagem porque, entre outras descomposturas, o autor declara em seu texto que ele era alí apenas um filtro de digestão: digeria Paris e a transformava em merda francesa na América. Á propósito, segundo ele, Quebec era uma cidade de homens-humus. Não importa. Rejeitado por seus patronos, o livro é publicado pela L'Association em 2002 e angaria prêmios.

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676 aparições é uma história sobre cantos escondidos da mente que, de repente, ganham vida própria. Mas, em Killoffer, a temática já bastante explorada ganha novos contornos ao nos lançar página à página numa escalada de terror onde, não um, mas centenas de cópias de Killoffer se reúnem para atos perigosos e violentos que colocam a si e a outros em grande perigo e/ou situações humilhantes.

Em formato avantajado (35,5x25cm) 676 aparições de Killoffer mantem na largueza do seu espaço a continuidade entre os desenhos (somente os primeiros usam tem borda de separação que formem quadros). Isso dá ao progresso das multiplicações do autor uma cadência, um movimento mesmo, que é... perturbador e onde, ao fim, já se torna impossível discernir qual dos homens de terno seria a matriz Killoffer.

O livro, por enquanto, só está disponível em francês e inglês, mas já se encontra em processo de tradução para o português, seguindo o caminho de publicações como Persépolis de Marjani Satrapi e Epiléptico, de David B. – ambos também artistas da L’Association. Ficaremos atentos às notícias.

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Priscilla santos

é adoradora de cervejas e colabora com a obvious.
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