Twitter e imprensa


 Twitter e imprensa

A Internet 2.0 surgiu como uma promessa de maior interação entre os usuários da rede, mas os usos que se faz hoje de suas possibilidades superam quaisquer expectativas e o futuro acena com experiências ainda mais fascinantes, mas assustadoras para alguns. Mas o processo de expansão dessa Internet imediata, colaborativa e de alta conectividade, causou e vem causando impactos não só no uso cotidiano que fazemos de redes sociais ou meios wiki. Quando os blogs começaram a sair da sua proposta “relato íntimo” e foram flertar com os meios de comunicação de massa (selecionando ou dando notícias, emitindo opiniões), a imprensa fez questão de mostrar seu incômodo. Os jornalistas saíram ferozes ao ataque com o argumento de que sabia-se lá quem estava do outro lado dando as “notícias”; ou seja, não haveria nos blogues a confiabilidade, nem a certeza de idoneidade que a imprensa tradicional, teoricamente, tem.

Mas, nessa chamada web 2.0, os blogs acabaram dando origem a outras ferramentas de criação e publicação de conteúdo que transformaram radicalmente as relações entre os usuários da rede e entre suas próprias produções, como o Orkut ou o MySpace. Até essas deram um salto evolutivo ao integrarem postagens às funcionalidades de uma rede social e acabaram por parir espaços como o Flickr e o Twitter. Justamente esses são vistos como a nova ameaça às tradições jornalísticas.

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Seguindo o caminho dos blogs, essas redes de microblogging e de publicação de imagens tem, com cada vez mais freqüência, transitado para além das palavras e fotografias íntimas indo experimentarem contar o que se passa ao redor. As condições do trânsito, a meteorologia, passeatas, ações da polícia... enfim, qualquer coisa vista ou vivida pelo usuário se torna passível de ser exposto, organizado por tema e relevância, comentado.

Talvez os cientistas sociais do futuro se lembrem da cobertura dos atentados à Bombaim, na Índia, como o marco desse fenômeno sem precedentes. Pessoas comuns, munidas de celulares, iPhones, câmeras digitais, notebooks ou um misto de tudo, tiravam fotografias, filmavam e escreviam o que ali se passava em tempo real e eram acompanhados pelo restante dos usuários ao redor do mundo que, por sua vez, reorganizavam as notícias, comentavam ou simplesmente partilhavam a íntegra do que recebiam. Quase mil imagens foram enviadas aos grupos Mumbai Terrorism, 11/26/2008 e Mumbai 26/11/08, do Flickr, produzidas por cerca de 48 usuários diferentes – passantes, turistas, indianos, reféns, fotógrafos profissionais.

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Já o volume de informação postada via Twitter é impossível de ser medido. Estima-se que no dia dos atentados, as mensagens de até 140 caracteres enviadas sob a tag #Mumbai chegavam a uma média de 80 à cada 5 segundos, entre notícias locais, republicações, links para outras fontes e comentários. Quatro usuários indianos foram destacados pelos próprios membros da comunidade como principais acessos à notícias em inglês. Na madrugada daquele dia, pairavam ameaças de corte de rede para os internautas sob a alegação de que os conteúdos gerados estavam alimentando também os terroristas.

O poder deste novo meio de comunicação não parece passível de ser refreado. As mídias clássicas protestam e resistem a perceber que as coisas estão mudando e que esses novos meios de difundir notícia não excluem os já consagrados, mas juntam a eles novas visões. O ofício do jornalista é que vai passar por uma profunda mudança que terá de deixar de lado o misticismo da profissão e do “furo” para se dedicarem a averiguar, organizar e refletir as contribuições que vão lhe chegar e/ou que você vai produzir.

Ao longo deste artigo, as imagens intensamente capturadas na Índia; algo entre o artístico, o amador, a denúncia e a arrebatadora necessidade de se partilhar um olhar sobre o extremo.

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priscilla santos

é adoradora de cervejas e colabora com a obvious.
Saiba como escrever na obvious.

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