breve história do cinema pornográfico - #2

É impossível traçar um limite exacto, uma fronteira, entre o erótico e o pornográfico. Alguns admitem que o pornográfico se caracteriza pela exposição explícita dos actos sexuais ou de partes do corpo ou mesmo exposição dos genitais, enquanto que o erótico trata com mais subtileza a apresentação dos corpos. Conheça um pouco da história desde género cinematográfico (segunda parte).



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Leia a primeira parte deste artigo

Eram os momentos de expansão e definição de dogmas e clichês. Anal, orgias, gang bang, dupla penetração, os chamados faciais, gape e a importação do bukkake (de origem japonesa) dominaram a maneira de narrar a história. Filmes como Garganta profunda e Emmanuelle formam a Bíblia do gênero atual. Junto com isto, Europa - com seu Le ore, da Itália, e Japão com seu Joshikosei (garota de escolha) em cenas que simulavam um snuff movie - também investiram pesado em suas produções, quebrando barreiras e reinventado o jeito de fazer cinema. Não à toa, muito do cinema independente norte-americano da década de 80 incorporou algumas idéias surgidas no cinema pornô.

Com a invasão dos videocassetes na década de 80, os filmes pornôs ganharam os lares de todo mundo e surgiu também a constelação de astros, as atrizes como gancho da película - muito mais importante que diretores e enredo. Isto mudou na década de 90, com as grifes tomando conta do mercado e se tornando referência, como a Buttman. Atualmente, com o mercado forte e rentável, os gêneros se firmaram. Há os filmes de alto orçamento, geralmente com atrizes famosas e com enredo, e os amadores, onde a idéia é justamente não parecer em nada profissional e que fazem sempre relações teoricamente proibidas (médico e enfermeira, pai e babá, etc.). Há também os chamados softcores, que não mostram genitálias e nem cenas explícitas. Outra regra imutável são as inúmeras seqüências de filmes, que chegam até a ter quarenta ou cinquenta continuações.

Independente de seu status industrial, o cinema pornográfico é capaz de produzir interessantes pérolas cinematográficas, em geral por sua ousadia ou falta de medo em transgredir. Diretores, em incansável busca de diferenciação, são capazes das mais espetaculares mudanças radicais de narrativa ou até mesmo no uso da fotografia, já que o conteúdo, em si, raramente foge de seu objetivo máximo: entreter os espectadores e excitá-los. Neste aspecto, o estilo “baseado no real” surgiu e foi amadurecido em obras pornográficas, assim como também o uso diferenciado de cores para dar contornos narrativos às ações. Como praticamente vale tudo, o cinema pornográfico não hesita em arriscar. E, em arte, o risco quase sempre é um fator crucial.

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Este aspecto transgressor nem sempre é encontrado, já que a massiva produção impede a existência de tempo para uma produção um pouco mais detalhada, como era comum na década de 1970. Junta-se a isto o regime exploratório da indústria, que consome suas atrizes e atores ao máximo, em não poucos casos, quase de maneira criminosa. Mesmo assim, o cinema pornográfico permite, ao brincar com a libido, momentos de sublimação artística na formação da arte seqüencial em movimento. É a maneira de fazer cinema que não aceita covardias. Algo que, atualmente, parece ser a regra de muitos gêneros do cinema.

Assim colocado, a pornografia é parte integrante da história da humanidade e da história da arte, onde pintura, escultura e literatura fizeram interessantes tratados artísticos tendo a pornografia como base. Esta história é praticamente impossível de rastrear com precisão. De ruínas em Pompéia às artes do paleolítico, passando pelos textos de Marquês de Sade, existem registros pornográficos em tudo o que for possível imaginar. E no cinema, o que podemos dizer como pornográfico, na acepção de Paulo Rafael, acontece desde sua invenção…

O cineasta Fernando Augusto Tiezzi afirma em um texto sobre História do Cinema: "No final do século XIX, quando surgiu o cinema, nasceu também um novo gênero que ajudaria a tornar o cinema popular: o gênero erótico. Sabe-se que, quando estava se tornando uma diversão de massa nos chamados vaudevilles, muitos filmes já traziam conotação erótica e até mesmo cenas de sexo explícito. A ausência de história, dava margem à cenas rápidas, com atores não creditados e que serviria como uso imediato, para logo depois o filme ser esquecido ou jogado fora. Como os vaudevilles eram de certa forma marginalizados, estes filmes não sofriam censura e eram exibidos normalmente."

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Alguns dos principais filmes:

Behind the green door (1972) Primeiro filme lançado no cinema em todos os estados dos EUA. Feito pelos irmãos Mitchell, é estrelado por Marilyn Chambers.

Debbie does Dallas (1978) Estrelado por Bambi Woods e Christie Ford, com o nome de Misty Winter. Na década de 90, ganhou uma encenação na Broadway, claro, sem cenas de sexo.

Deep throat (1972) Dirigido por Gerard Damiano e estrelado por Linda Lovelace, o filme foi o primeiro sucesso mundial do cinema pornográfico.

Emmanuelle (1974) Emmanuelle ou Emanuelle é a personagem de filmes softcore francês criado por Emmanuelle Arsan no romance “The Joys of a Woman”. O primeiro filme foi feito na França em 1969 e a versão que ganhou o mundo foi refeita nos EUA com Sylvia Kristel no papel título.

The devil in miss Jones (1973) Justine Jones comete suicídio e vai parar no inferno, onde o diabo oferece a chance de mais uma vida, agora como libertina. Georgina Spelvin é a atriz no primeiro filme que quebrou a barreira dos US$ 50 milhões de lucro.

The world’s biggest gang bang (1995) 240 minutos de filme sobre a tentativa de Annabel Chong (Grace Quek, seu nome real) de fazer sexo com 300 homens em janeiro de 1995.

Artigo da autoria de Danilo Corci, Speculum.

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