No passado mês de Março, a Cidadela de Cascais voltou a estar no centro das atenções ao ser palco da 32ª edição da ModaLisboa|Estoril. Durante quatro dias, vinte criadores e marcas nacionais apresentaram as suas colecções para o próximo Outono/ Inverno, sob o tema “Heartcore”. A pergunta: “De que fibra é feito o coração?” deu o mote e a resposta certa seria: “De vitalidade, criação e energia” – os pressupostos que determinaram os dias de desfile. A Magnética esteve presente com uma cobertura diária do evento.
No primeiro dia, José António Tenente apresentou uma colecção exuberante e sofisticada definida por silhuetas “retro”, onde se destacaram os volumes e folhos em diferentes materiais e texturas. Em oposição às propostas femininas, inspiradas na obra de Paula Rego, as peças masculinas destacaram-se por uma paleta de cores sóbrias e pelo rigor e contenção militar.
O estilista Dino Alves seria a surpresa da noite seguinte. Um espectáculo memorável! A estética das mulheres da classe média- baixa da zona centro de Portugal foi reinterpretada dando origem a uma colecção de sobreposições e diferentes combinações de materiais e texturas em que os chapéus e os apontamentos de cores vivas completaram esse “styling popular”.
Reportagem de Helena Proença, Fotografia Sandra Garrucho, Vídeo Moopie Videos. Magnética, páginas 80 a 89
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Se há coisa que consigo perceber ainda menos que a bolsa de valores, é a moda. Não vejo nada de mulheres de classe média-baixa nas imagens. Nem nada da Paula Rego (ah, e para isso eram precisas modelos atarracadas, com barrigas da perna de camponesas, algo anti-elegante, pelo menos). Talvez o meu comentário seja igual ao das pessoas que abanam a cabeça perante a arte moderna e acham que tudo é uma fraude (a forma como criações de ambas são descritas muitas vezes pela crítica, aliás, tem semelhanças). Acredito que seja isso. Mas no caso da moda ainda há a questão das vaidades tontas do 'beautiful people' que vai lá assistir. Dá-me náuseas.
Ui, isto não é um comentário ao artigo, em si, mas a todo este fenómeno da moda. Acho tudo isto ainda mais desconectado da vida das 'pessoas normais' que a mais indecifrável arte conceptual.
tajana em 13 de abril de 2009
A moda "arte conceptual"? Bem observado, pelo menos esta moda, embora de arte ache que não tem nada devido ao seu conteúdo degradante.
Rita, eu não disse que a moda era arte conceptual- apenas disse que talvez a minha incapacidade de perceber a moda seja como a que muita gente tem em perceber a arte conceptual, e que o tipo de discurso que se ouve sobre uma e outra tem semelhanças.
tajana em 14 de abril de 2009
Mas a designação é fantástica, Tajana: "moda conceptual". UAU!!! O obvious, sempre na linha da frente, acaba de baptizar este fenómeno... Em nome de todos os leitores, obrigada.