as melhores capas da Penguin em livro

Não há em Portugal equivalente às edições de bolso da Penguin. Aliás, nunca percebi porquê (snobeira?), os livros de bolso não são um formato muito generalizado por cá.


livro penguin literatura capas

Há dias comprei um livro que traz as imagens de 700 capas de livros entre os milhares que a Penguin editou ao longo dos seus 70 anos de vida, e que é uma maravilha. É um livro de coleccionador, um álbum sentimental para os milhões de pessoas que, desde meninas, conhecem e compraram ou herdaram de pais e irmãos livros da Penguin. Como os próprios editores dizem, é um desfilar de memórias, acentuado pelo carácter frágil dos livros de bolso - as imagens que já tinhamos esquecido, o papel amarelo, a improbabilidade de que um livro sobreviva mais de algumas décadas. O volume da Penguin (cuja capa imita a do romance To Kill a Mockingbird) tem coisas lindas, e coisas que acho feias ou ridículas (o tempo não perdoa...). Mas vale bem a pena ver.

É desta longevidade e persistência, mais que das capas bonitas, que sinto falta na edição portuguesa. Não conheço uma editora portuguesa que tenha conseguido criar uma história tão permanente, coerente e, ao mesmo tempo, tão popular como a Penguin. Bem sei que somos poucos, e que o efeito de escala é importante. Mas, como leitora e amante de livros, não posso deixar de lamentar-me. Isto apesar de alguns bons ‘capistas’ na nossa edição (nomeadamente, Victor Palla, com as suas tipografias fabulosas) e algumas colecções isoladas: a poesia da Assírio e Alvim; várias colecções da Cotovia, como a sabiá; os novos clássicos das Edições 70. Como objecto de culto, no entanto, temos ainda e sempre os livros e capas da &etc. - peças quase artesanais de uma editora resistente, coisas que só existem porque há editores, como o Vitor Silva Tavares (veja-se a entrevista ao jornal Público), que encaram a edição de livros como uma "aventura poética".

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E para quem torcer o nariz por eu aparentemente só gostar de capas sem bonecos ou com caras de poetas meio loucos e letras tortas, aqui fica uma cheia de cor de que gosto muito - a do último romance de Pepetela, O Planalto e a Estepe. Uma jóia, quando a maior parte dos romances (pelo menos os que ocupam de forma selvagem os tops de vendas) levam estampada uma imagem estéril e bonitinha tirada de um banco de imagens qualquer.

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E no Brasil - que boas capas há?

Podem ver aqui algumas das capas do livro da Penguin.


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