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as melhores capas da Penguin em livro

publicado em artes e ideias por tajana | 16 comentários

Não há em Portugal equivalente às edições de bolso da Penguin. Aliás, nunca percebi porquê (snobeira?), os livros de bolso não são um formato muito generalizado por cá.

livro penguin literatura capas

Há dias comprei um livro que traz as imagens de 700 capas de livros entre os milhares que a Penguin editou ao longo dos seus 70 anos de vida, e que é uma maravilha. É um livro de coleccionador, um álbum sentimental para os milhões de pessoas que, desde meninas, conhecem e compraram ou herdaram de pais e irmãos livros da Penguin. Como os próprios editores dizem, é um desfilar de memórias, acentuado pelo carácter frágil dos livros de bolso - as imagens que já tinhamos esquecido, o papel amarelo, a improbabilidade de que um livro sobreviva mais de algumas décadas. O volume da Penguin (cuja capa imita a do romance To Kill a Mockingbird) tem coisas lindas, e coisas que acho feias ou ridículas (o tempo não perdoa...). Mas vale bem a pena ver.

É desta longevidade e persistência, mais que das capas bonitas, que sinto falta na edição portuguesa. Não conheço uma editora portuguesa que tenha conseguido criar uma história tão permanente, coerente e, ao mesmo tempo, tão popular como a Penguin. Bem sei que somos poucos, e que o efeito de escala é importante. Mas, como leitora e amante de livros, não posso deixar de lamentar-me. Isto apesar de alguns bons ‘capistas’ na nossa edição (nomeadamente, Victor Palla, com as suas tipografias fabulosas) e algumas colecções isoladas: a poesia da Assírio e Alvim; várias colecções da Cotovia, como a sabiá; os novos clássicos das Edições 70. Como objecto de culto, no entanto, temos ainda e sempre os livros e capas da &etc. - peças quase artesanais de uma editora resistente, coisas que só existem porque há editores, como o Vitor Silva Tavares (veja-se a entrevista ao jornal Público), que encaram a edição de livros como uma "aventura poética".

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E para quem torcer o nariz por eu aparentemente só gostar de capas sem bonecos ou com caras de poetas meio loucos e letras tortas, aqui fica uma cheia de cor de que gosto muito - a do último romance de Pepetela, O Planalto e a Estepe. Uma jóia, quando a maior parte dos romances (pelo menos os que ocupam de forma selvagem os tops de vendas) levam estampada uma imagem estéril e bonitinha tirada de um banco de imagens qualquer.

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E no Brasil - que boas capas há?

Podem ver aqui algumas das capas do livro da Penguin.

tajana
Sobre a autora: tajana é colaboracionista e parasita ocasional do obvious. Acredita que há uma única forma correcta de comer bolos de arroz. Saiba como fazer parte da obvious.

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16 comentários

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Estava aqui um amigo a dizer que livros de bolso não são de macho :)

tajana

Pois não - o que é de macho é levar a Bola entalada no sovaco peludo!

sao

o que é um livro de macho? o manual do apicultor? (o meu pai tem! hehe)

eu gosto de livros de bolso - cabem nas malas mais pequenas, nos bolsos da maior parte dos casacos e até podem levar-se na mão.

e tenho um ódiozinho de estimaçao de andar a ler alguém, querer comprar os livros um a um, porque sai mais barato (é espaçado) e posso levá-los para todo o lado, e dizerem-me "ah, não, já não fazemos; agora temos é a obra completa", e apresentarem-me um volume de capa dura, duas mil páginas e 5 quilos.

comprei uns livros de bolso agora na feira, do bradbury, da colecçao argonauta, esse clássico do mistério/ficção/terror.

sinto algum fascínio pela colecção da minha mãe que, numa altura em que dava aulas a 30 kms de casa e ia e vinha de autocarro, passava pela livraria da terra e ia comprando para ler livros da EA. o papel das capas na altura não era liso e brilhante, mas granulado, com desenhos de cores vivas.

ou então os da colecção do maigret/simenon, do início dos anos 80, que em cada capa têm uma cena de crime misteriosa que, normalmente, tem alguma ligação ao conteúdo.

ainda bem que não é de macho gostar de livros de bolso, se nao ainda me cresciam umas patilhas.

(falharam-me uns tiles porque tenho sono; sorry)

sao

da &etc comprei agora uma jóia: "achas revolucionárias", com textos de john oswald ("o governo do povo"), do strindberg ("pequeno catecismo para uso da classe inferior") e de malevitch ("a preguiça como verdade efectiva do homem").

a capa, que foi o que primeiro me chamou a atenção, é branca, vermelha e negra, com letras gloriosas (tcharan!)

o texto do strindberg é uma maravilha - excerto:

"O QUE É A RELIGIÃO?
Uma necessidade que surgiu num estádio de evolução inferior e da qual a classe superior se serviu para manter a classe inferior sob o seu domínio"

Purpleinside

TEnho pena que em Portugal não existam mais livros de bolso e não entendo porquê. A versão "paperback" seria bem mais económica, tanto para as editoras quanto para os leitores... O ideal para uma "bookworm" como eu :)

Sério que em Portugal não tem mais livros de bolso?!? Impressionante!

Tem uma série de filosofia que cada livrinho aborda um tema e acho excelente o tamanho do livro é muito prático. Tem muitas capas bonitas, de cabeça lembro de um livro com obras de Alfons Mucha que a capa é uma das obras dele, mas tem outras bem criativas, até mesmo em livros técnicos.

tajana

Portugal tem livros de bolso, claro, mas não com a intensidade que há em Inglaterra ou Estados Unidos. Inclusive, tem havido algumas editoras que se associaram nos últimos anos para lançar colecções de bolso, e creio que não têm tido um êxito estrondoso. É impressionante - um romance à venda por 16 ou 18 euros, quando não 20, existe em edição de bolso por 8 ou 9, e nem assim... às vezes penso se as pessoas ignorarão as colecções de bolso deliberadamente para poderem continuar a dizer que não lêem porque os livros são muito caros. E claro, um livro de bolso não faz o mesmo efeito nas prateleiras...

Mas os livros ai em Portugal estão bem carinhos, 8 ou 9 Euros dá uns 25 Reais e aqui se acha livros de bolso por R$12 e até R$9 e são bons livros até no acabamento. E mesmo assim a quantidade de pessoas lendo é muito pequena, acho que a preguiça de pensar é maior que a vontade de aprender. Mesmo que os livros fossem dados de graça ainda assim muitos (a maioria) não leriam. Sem contar aqueles que compram um livro e simplesmente o colocam na estante depois de apenas dar uma passada de olhos, estão apenas possuindo o livro como um objeto qualquer de consumo.

Purpleinside

Os livros em Portugal são muito caros. E depois admiram-se que os nossos hábitos de leitura não são os melhores...

sao

qual é a editora da série de filosofia que cada livrinho aborda um tema? assim é difícil contra argumentar pois só uma pessoa sabe do que é que está a falar. em vez de conversa inteligente, temos especulação: esperemos que não sejam os resumos da Europa-América para o ensino secundário.

Eu percebo o texto da tajana: comparativamente à penguin, não temos nada. E mesmo as editoras mais constantes (esteticamente) e com tamanhos acima do livro de bolso (estou a pensar na Assírio e a excluir a colecção Gato Maltês, por exemplo), apostam mais no low profile limpinho do que na criatividade propriamente dita - quanto às capas.

A penguin edita TUDO. E faz todas as capas possíveis imaginárias. Daí este livro.

Imagine-se a monotonia de um livro com capas da Assírio: dez páginas de capas azuis seguidas de três páginas de capas vermelhas.

A verdade é que o estilo limpinho é porreiro para quem lê porque não distrai muito. E é bom para a editora, porque sustenta uma imagem pela qual se distingue... mas não é lá grande coisa em termos criativos.

sao

ainda as capas: esta fase digital e dos bancos de imagens disponíveis está a ter resultados tristíssimos. há capas horrendas de tão estilosas e modernas. vazias. e com conteúdos que não têm nenhuma ligação com o dos livros.


Apenas citei, pois não lembrava de cabeça qual era a editora, não imaginei que o "papo" iria se aprofundar. É da coleção primeiros passos da editora Brasiliense o título "O que é Ideologia" da Marilena Chaui custou R$7,50. E ao subir na estante, vc me fez subir na estante, me deparei com outra coleção de livros de bolso da editora L&PM que editou "O Jogador" em um livrinho simpático e de bom acabamento por R$8,00. E o campeão, um livro que considero muito bom "Os Dentes da Galinha" do Stephen Jay Gould da editora Paz e Terra que custou R$3,00.

O acabamento destes livros é muito bom e se levar em consideração o preço as capas até que são bonitas e todos estes que citei tem capas condizentes com os assuntos. Todos fazem parte de coleções com vários títulos. Estes são apenas alguns exemplos, se eu cavucar minha estante vai aparecer mais títulos que fazem parte de coleções de bolso por preços similares.

Adorei a idéia de uma jornada pelas capas da Penguin. No Brasil existe uma noção distorcida de que ler é atividade de rico e livro é coisa de elite. Fica parecendo que as livrarias deveriam ter aquelas portas redondas, enormes, como se fossem cofres gigantes. Assim, uma publicação mais barata, capa mole e em "papel jornal" acaba sendo mal vista pelos editores e pelo público, que com frequência está mais interessado em ser visto na companhia de um livro e não necessariamente na sua leitura. Adoro livros de bolso. Até do cheiro.

Adorei saber da existência desse livro. Eu já comprei uma outra edição de livro q já tinha só por causa da capa, confesso. Dois deles foram as edições da Penguin de LARANJA MECÂNICA (simples, só com um copo de leite, mas pra quem conhece a história diz tudo) e O GRANDE GATSBY, com uma belíssima foto em p&b.
Primeira visita a esse blog e adorei!

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A Cia das Letras investe nas pocket editions,
porém as suas edições são um pouco mais
caras que as da LP&M, já que o seu formato
é mais semelhante aos livros tradicionais.
Ela inicia no ramo dos livros de bolso com 42
edições contra 580 da "concorrente”. No seu
catálogo existem bons exemplares nacionais,
como Livro de Sonetos de Vinícius de Morais,
Agosto de Rubem Fonseca e Incidente em
Antares de Érico Veríssimo. Particularmente
eu sou fã da simplicidade, mas com a soberba
do bom gosto levantando o meu nariz, é claro.

silvioafonso.


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Raquel

Que imagens mais linda. Qual o nome do livro com as capas da Penguin?

Grata.

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