Quero matar Hitler

O livro "Quero matar Hitler", do historiador britânico Roger Moorhouse, lançado no Brasil pela Ediouro, tenta fazer um guia completo das tentativas de assassinatos do líder nazista por seus inimigos. E o que deveria ser algo novo se perde no desejo do autor em ser iconoclasta.


 Adolf Hitler

Na longa biografia escrita por Joachim C. Fest, a história de Adolf Hitler pode ser detalhada, mas mesmo assim, as coisas não ficam claras o suficiente para entender o fenômeno de devoção que ele era capaz de despertar em uma nação toda – e, mais além, em outras que endossaram todo o seu discurso. Uma das figuras mais marcantes do século XX e também da curta história da Humanidade, Adolf Hitler vem ganhando, cada vez mais, análises um pouco mais esclarecedoras, menos passionais. E, por mais horripilante que seja a História, ela tem de ser dissecada em detalhes.

No gancho do filme Operação Valkyria, começam a surgir livros tentando desvendar o por quê da baixa resistência a Adolf Hitler, os motivos do povo alemão em fechar com seu führer sem questionamentos. "Quero matar Hitler", do historiador britânico Roger Moorhouse, lançado no Brasil pela Ediouro, tenta fazer um guia completo das tentativas de assassinatos do líder nazista por seus inimigos. E o que deveria ser algo novo se perde no desejo do autor em ser iconoclasta.

Hitler acreditava piamente que era protegido pela providência, algo como um super-homem nascido para cumprir uma missão: limpar o mundo e criar a superpotência ariana. Nas histórias apresentadas no livro, de fato, apenas a Operação Valkyria, liderada por membros do Exército alemão, na época em que todos eles já sabiam que a guerra estava perdida, é apresentada como uma real tentativa de eliminação de Hitler. As demais histórias servem de uma suculenta entrada de argumentações – como detalhar o plano que o exército Aliado desenvolvia para tirar o tirano do poder.

O problema maior do livro nem é em sua temática, algo que desperta o interesse de quem é gosta do assunto. O problema é que Moorhouse se confunde relato histórico com relato literário ficcional. É nítido o interesse do historiador em se esforçar para criar um “thriller” cinematográfico, que acaba por desabar com a credibilidade do livro. Algo completamente desnecessário. Tivesse se mantido nos trilhos da História, teria entregue um livro necessário para se debater motivações. Ficou na água com açúcar e serve apenas como uma boa sessão da tarde histórica.

Artigo da autoria de Danilo Corci

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