
Studebaker Commander Starliner - 1953
Não é exagero afirmar que Raymond Loewy se encontra entre os dois ou três designers mais importantes do século XX. De origem francesa, desenvolveu a maior parte da sua actividade nos EUA onde estabeleceu uma relação privilegiada com a maior indústria do mundo. Em todos os seus projectos e obras revelou uma capacidade notável para entender as máquinas e os sistemas e para ver mais além. Foi sensato e arrojado ao mesmo tempo e definiu novos standards para o design moderno. O famoso estilo streamline, por exemplo, tão característico do design dos anos 50', teve origem na sua prancheta de desenho. Entre os equipamentos e objectos que desenhou - e foram muitos - não podia faltar um dos produtos mais queridos da indústria americana: o automóvel.
A colaboração de Loewy com a indústria automóvel iniciou-se bem cedo, em 1936, ao ser contratado pela empresa Studebaker como consultor. Mais tarde passou a executar diversas tarefas de design, entre as quais a reformulação do logótipo da marca. Somente em 1953 surgiu a oportunidade de conceber um novo modelo destinado a um segmento de clientes jovens. Loewy desenvolveu o projecto com o designer Robert E. Bourke. Nasceu assim o Starliner, conhecido como o primeiro automóvel desportivo americano. Novos padrões foram estabelecidos com este modelo que são ainda hoje atributos de qualquer automóvel desportivo, como o perfil longo e baixo e uma frente em cunha com o radiador oculto atrás da grelha. Com este projecto também inverteu o gosto exagerado pelos cromados - chamava aos carros americanos da época "jukeboxes sobre rodas".
Pouco depois Loewy deixou a Studebaker e desenhou uma série de outros automóveis desportivos para diversas marcas. Em 1956 foi convidado pela Jaguar para conceber um novo coupé. Pouco se sabe do destino deste protótipo, excepto que não passou disso mesmo. As fotografias são raras mas revelam os tradicionais princípios estilísticos do designer, aos quais se acrescentavam algumas inovações: uma traseira curta e rebaixada e o tejadilho inclinado. Quem olhar para o famoso Jaguar XK-E, desenhado por Malcolm Sayer em 1961, não consegue deixar de ver ali influências do anterior projecto de Loewy.



Jaguar coupé - 1956
Em 1957 foi a vez do BMW 507, apresentado no Paris Auto Show desse ano. As mesmas características estilísticas estão presentes neste protótipo que, tal como o Jaguar, não chegou a ser produzido. Em vez deste foi escolhido o projecto de Albrecht Graf Goertz. Depois, em 1960, Loewy projectou o Lancia Loraymo, palavra que foi composta com três sílabas do seu próprio nome. Neste projecto o design modificou-se um pouco. Podemos ver uma frente agressiva com uma enorme grelha ladeada por dois faróis que, como alguém disse então, lembram a cabeça de um tubarão-martelo.


BMW 507 - 1957
Lancia Flaminia Loraymo - 1960
O projecto derradeiro de um automóvel e o culminar da carreira de Loewy ocorreu em 1961, com o regresso à Studebaker para desenhar o Avanti. As grandes linhas do automóvel ficaram prontas num tempo recorde, cerca de quinze dias, graças à experiência e confiança do designer nos seus princípios. Desta vez o projecto passou à produção e os primeiros exemplares saíram da linha de montagem ainda em 1962. Era um dos carros mais avançados e mais bem equipados do seu tempo. Possuía travões de disco à frente, elementos da carroçaria em fibra de vidro e um painel de instrumentos invulgarmente ergonómico. Pouco tempo depois a Studebaker encerrou e a produção cessou, não sem que antes o Avanti se tornasse um sucesso e entrasse para a galeria dos automóveis míticos.


Studebaker Avanti - 1962
Fonte: The Avanti
11 comentários
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Broas
Pessoalmente acho todos os carros horríveis com excepção do Lancia... as linhas do Lância são fantásticas. É pena os pneus fininhos. Grande parte dos carros da década de 60 e 70 pecam pelos pneus. Chegam mesmo a ser ridículos. Quanto ao Raymond, só peca por ser frances :) cambada de convencidos! Parabéns pelo artigo, fantástico!
Maria João
Broas... acho que tu tens um péssimo gosto LOL Agora a sério, gostos não se discutem :) (mas que tens um péssimo gosto tens) rsrsrs
Luis
O Avanti é o mais giro de todos!
Eduardo Barros
Divino!
Fábio
As traseiras são legais as frentes não
Hugo
Fantástico!!!
sandra leite
acho o máximo os artigos da Rita. Tinha que ser Obvious né?;)
beijos
Obrigada, Sandra. É bom ter uma admiradora assim fiel como você. Bjs
Eduardo Maio
Pode ter sido um designer muito influente noutros ramos e no design industrial, mas nos automóveis não fez nada de novo.
Desenhou carros baseados no seu estilo, com linhas pouco comuns, mas não eram muito aerodinamicos pois como todos os carros da época estavam a fazer as coisas ao contrário. Eram apenas carros diferentes com pouca expressão comercial.
Tenho que concordar com o Broas pois nenhum carro se aproveita.
Eduardo, muito obrigada pelo comentário.
Talvez Loewy não tenha sido um designer pioneiro nos automóveis mas o que é fascinante no caso dele é a versatilidade. O à-vontade com que desenha uma locomotiva, um automóvel, uma garrafa de coca-cola ou o interior do Skylab é impressionante.
josé Eduardo
Estimada Rita
Prometo que vou ler mais artigos seus assim que puder. Para já gostei muito do que li sobre o carro anfíbio e sobre o designer do Studbaker. Sou muito lento (nabo) a mexer no computador, mas talvez me aplique um pouco para ler os seus interessantíssimos artigos, e a´sua forma tão atraente e simpática de escrever. Até breve, e parabéns. (Um dia destes falo-lhe das minhas colecções, acho que vai ter interesse)
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