#4 descolagem - os múltiplos caminhos da cultura de convergência (primeira parte)

Eis a 4º edição do Descolagem, evento que discute tecnologia, novas mídias e educação em um colégio onde o hightech é o lanche do recreio. Essa é a primeira parte que conta um pouco do que aconteceu por lá e sobre a Narrativa Transmídia, nova forma de comunicação e geração de conteúdo que promete inovar com algo fascinante e que conhecemos bem: o ato de contar histórias.


#4 Descolagem

O trânsito do bairro da Tijuca, região norte carioca, não é para os impacientes, muito menos para os potencialmente atrasados. Quando consegui chegar ao Núcleo Avançado de Educação, todos os puffes e cadeiras do auditório principal já estavam ocupados; lotou faz tempo, mas a apresentação começou agora mesmo, ainda não teve nenhuma palestra. Agradeci mais que aliviada à recepcionista que conferia o nome dos inscritos e fui em direção ao pátio principal onde outros atrasados acompanhavam o curador Beto Largmandando as boas vindas e agradecimentos aos apoiadores do #4 Descolagem que ora se iniciava sob minha excitação de criança esquecida na sessão de brinquedos.

Mal havíamos começado quando o Maurício Mota decreta: o vício do ineditismo nos impede de inovar com que já foi feito; ao seu redor, diversos se fingiam de fogueiras que ardiam ininterruptamente, uma metáfora perfeita para a ideia central do autor e do evento. Há cerca de cinco mil anos as pessoas se reúnem para ouvir histórias de pessoas que se aplicam a inventá-las e contá-las. Mesmo diante de toda inovação tecnológica e toda parafernália cibernética, ainda queremos ouvir e criar narrativas sedutoras, independente do meio/plataforma de que vamos nos valer. Mota é o Contador de História-chef que integra o grupo de realizadores/teóricos/entusiastas da chamada Narrativa Transmídia. O termo se refere à cultura de convergência, que prevê a multiplicação das formas de se produzir e conhecer histórias e todo material que possa se relacionar a elas: músicas, gravuras, crônicas, jogos. Todas as ferramentas unidas em torno de um mesmo tema. A proposta é darmos uma pausa no vício da nova grande descoberta que transformará alguém em celebridade no Vale do Silício, no novo uTube ou no novo Twitter que só nos faz dar voltas em torno de algo raso, que é a própria ferramenta, em detrimento da parte mais bacana, que é o próprio conteúdo. “Aproveitar mais a viagem do que a chegada”.

#4 Descolagem

Durante um rapidíssimo intervalo, pude tomar um gole de água em meio aos monitores de plasma, laptops e painéis de fotografia que mobiliam o pátio do colégio (sim, do Colégio Estadual José Leite Lopes – NAVE é um projeto conjunto entre o Governo do Estado do Rio e uma empresa que prevê um centro de educação voltado para a área de tecnologia e programação). Assim que os fones de tradução simultânea estavam a postos, Geoffrey Long, analista de mídias e também storyteller tomou a palavra. Seu primeiro exemplo sobre o funcionamento da narrativa transmídia foi uma linha do tempo que mostrava a trilogia Matrix ramificada com outras criações paridas pelo seguimento. Animatrix, Enter the Matrix e as próprias sequências do filme são exemplos de como, a partir de um enredo raiz (chamado, no conceito, de Nave-mãe), são explorados novos níveis e ângulos.

Acompanhando separadamente cada um dos trabalhos originados de Matrix podemos compreendê-los de forma independente, mas a melhor compreensão do mundo Matrix é bem mais interessante quando visto em totalidade. Por outro lado, é bom que não se conheça tudo, é a partir das lacunas de enredo, dos lapsos e das coisas sem explicação (o que é Boba Fett??) que a imaginação do público voa para produzir novas desdobramentos do mundo Matrix, Star Wars ou Buffy. Surgem daí vídeos caseiros, fanfictions, animações, apps... as possibilidades são infinitas.

#4 Descolagem

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Priscilla santos

é adoradora de cervejas e colabora com a obvious.
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