O vulcão criativo chamado Gogol Bordello

Nossa idéia de cultura é você estar preparado para entender uma cultura diferente da sua. Senão, você não passa de nacionalista imbecil”. Eugene Hütz


 Gogol Bordello

Comece a usar púrpura! Agora!” É isso que pede Eugene Hütz, um ucraniano que teve de deixar seu país em 1986 em razão da catástrofe atômica de Chernobyl. Ele é o líder da banda Gogol Bordello, que combina elementos do punk, música cigana, flamenco, folclore italiano, música de cabaré e tudo mais o que você puder imaginar. Os shows de sua banda estão entre as coisas mais malucas e interessantes da música pop atual.

Depois de deixar a Ucrânia, Hütz viveu como refugiado na Polônia, na Hungria, na Áustria e na Itália. Finalmente, em 1993, ele se mudou para Nova York. Lá ele conheceu o guitarrista Vlad Solofar e o tocador de squeezebox Sasha Kazatchokoff. Os três acabaram convidando o baterista norte-americano Eliot Fergussen para fazer parte da Gogol Bordello.

Os primeiros shows da banda consistiam em tocar música cigana em casamentos de imigrantes russos nos EUA. Depois, eles passaram a fazer apresentações pra lá de bizarras nas casas noturnas alternativas novaiorquinas. Seus shows, um verdadeiro espetáculo teatral, conquistaram seguidores fiéis na cena underground dos EUA.

 Gogol Bordello

Em 1999, o grupo lançou o single When the Trickster Comes a-Pokin’. Depois, a banda logo chegou a seu primeiro CD: Voi-la Intruder. Produzido por Nick Cave e pelo baterista do Bad Seeds, Jim Sclavunos, este álbum é uma das coisas mais interessantes e engraçadas produzidas nos últimos anos.

Em seguida ao lançamento do primeiro CD, Solofar e Kazatchkoff deixaram a banda. Em seus lugares entraram os israelenses Oren Kaplan (guitarra) e Ori Kaplan (saxofone) - que não são parentes apesar dos sobrenomes idênticos - e o acordeonista russo Yuri Lemeshev.

Em 2002, Gogol Bordello embarcou em uma turnê europeia, o que trouxe para a banda novos fãs e novas vendas com lançamento do Voi-La Intruder para o público do Velho Continente. Nessa mesma época o grupo lançou um novo CD, Multi Kontra Culti vs. Irony. Depois, em 2005, veio o EP East Infection.

Em 2007, eles lançaram o ótimo Super Taranta!. O CD é uma prova de que a banda não vai jamais diminuir o ritmo de sua loucura e criatividade. Inventivo da primeira à última faixa, Super Taranta! é algo extremamente difícil de classificar e impossível de não gostar. Cheio de energia e inovação, é um trabalho que vale a pena ouvir.

A melhor explicação para o CD está na música Tribal Connection, na qual Hütz canta em seu inglês carregado “I wanna walk this earth like it is mine”. Algo como “eu quero andar no mundo como se ele fosse meu”. Assim é a música de Gogol Bordello: sem fronteiras e impossível de enquadrar.

Atualmente, a banda não conta mais com Ori Kaplan e os shows têm a participação dos dançarinos-percursionistas Pam Racine e Elizabeth Sun, além do baixista Rea Mochiach. O comediante britânico Phill Jupitus descreveu a banda como “alguma coisa do tipo: The Clash e The Poques brigando em um palco do Leste Europeu”. Para muitos, Gogol Bordello é a versão musical de Borat.

A única certeza é: Gogol Bordello é uma das bandas mais criativas da música pop dos nossos pobres e repetitivos dias. Seus shows estão anos-luz de distância de qualquer coisa que você, caro leitor, já assistiu.

Por Renato Roschel


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