#4 descolagem - os múltiplos caminhos da cultura de convergência (segunda parte)

Diretor de transmídia e produtor de séries como Smallville e Heroes, Mark Warshaw é um dos pioneiros da cultura de convergência. Nessa segunda parte, que conta um pouco do que passou pelo #4 Descolagem, o americano é o mestre de cerimônias na demonstração sobre como mercado e narração de histórias se unem para inovar com o tradicional.


#4 Descolagem

Todos extasiados com as possibilidades da cultura de convergência e com as piadas geek distribuídas a 3 por 4. Novo mini-intervalo, água mais uma vez e o frio no pátio vai subindo. Estou cumprimentando amigos e colegas, ouço um elogio ao Obvious que me faz envaidecer, o frio passa um tempo. Preparo os gadgets: papel e caneta. Mark Warshaw é o dono do microfone e faz piada com os probleminhas técnicos, aquece as mãos na fogueira-monitor e declara que gostaria de fazer sua apresentação deitado em um dos pufes, “mas vou ficar aqui exibindo o corpinho”. Todos riem. A descontração dá rapidamente lugar à admiração quando Warshaw começa a contar sobre como se tornou um dos pais de Smallville e Heroes. Nos minutos seguintes seríamos tragados por fantásticas apresentações de cases transmidia.

Segundo a descrição da sua página no projeto “Os Alquimistas”, Mark Wharshaw é roteirista, produtor, diretor e trabalha no epicentro da colisão entre mídias novas e tradicionais. Foi um dos primeiros profissionais a levar interatividade para os programas de TV. Uma experiência foi em Smallville no ano de 2001; para dar conta de orçamentos mais baixos, surgiu a ideia de colocar imagens de câmera na mão, ideia na cabeça dentro do seriado, pronto, novos conteúdos, webisodes, começaram a surgir ali. Em seguida, com o que alimentar o site do seriado? Sim, os vídeos, mas também um jornal para a cidade do jovem Superman; o que estaria escrito nele? Wharshaw conta que saiu pela redação oferecendo espaço aos roteiristas juniores e logo a coisa deslanchou, as pessoas gostavam de acompanhar a publicação fictícia.

#4 Descolagem

Com o amadurecimento do projeto, veio a possibilidade de expansão com empresas injetando dinheiro e outras ferramentas de produção de conteúdo. Embora assentado sobre um viés ideológico: convergência midiática, inteligência coletiva e cultura participativa, a narrativa transmídia não ignora que faz parte do mercado. Se os executivos de Hollywood gostam de dinheiro, roteiristas, câmeras e editores também, ou seja, gerar renda é saudável para todos. A cultura de convergência se encaixa no mercado midiático e por isso não o perde de vista. Para Mark Wharshaw, os desdobramentos das narrativas são uma ótima oportunidade de unir fãs e empresas. Após essas reflexões, mais cases mostrando como uma companhia de telefonia uniu o lançamento da nova temporada de Smallville com a produção de conteúdo em SMS.

Também produtor associado de Heroes e Heroes Evolutions, ele está agora envolvido com a criação e administração de programas de TV moldados para a convergência de mídias. No telão, alguns teasers mostraram como sagas de aventura fantástica e reality shows que exploram os desafios do voluntariado serão capazes de se auto multiplicarem gerando novas histórias, novas situações. A apresentação do - praticamente carioca – Wharshaw chega ao fim com todos devidamente fascinados com ela, mais uma edição do Descolagem com novo encontro já marcado para outubro. Horas depois já estávamos reunidos para o tradicional chopp pós-nerdworks onde resolvi contar que comecei de verdade na internet escrevendo fanfics, fanarts, textos que hoje são devidamente renegados.

Criar a partir de aventuras que vimos e ouvimos, que nos cativaram de uma forma intensa a ponto de erguerem novos personagens, cenários e universos é a grande proposta das Transmedia Storytelling. 5 mil anos depois, descobrimos que mal começamos a explorar a imensa aventura de contar histórias.

#4 Descolagem

#4 Descolagem

#4 Descolagem Imagens: Bigdigo, Bruno Fontes e Thiago Velloso


Priscilla santos

é adoradora de cervejas e colabora com a obvious.
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