Amphicar, o automóvel anfíbio

O Amphicar foi o primeiro veículo anfíbio civil produzido até hoje. A sua comercialização começou há quase 50 anos e terminou pouco tempo depois. Durante estes poucos anos construíram-se quase 4000 unidades, dos quais cerca de um milhar sobreviveram até aos dias de hoje. Conheça melhor a história deste estranho veículo.



 Amphicar, o automóvel anfíbio

De entre todos os veículos originais e estranhos que surgiram depois da Segunda Guerra Mundial merece destaque o Amphicar. Como o seu nome indica, trata-se de um veículo que é capaz de se deslocar simultaneamente em terra e na água; para ser mais rigoroso, trata-se de um automóvel capaz de andar na água. Nada disto nos parece realmente novo, pois os veículos anfíbios desde há muito equiparam as forças militares, mas o Amphicar destinava-se ao público civil. Foi uma aposta arrojada e inovadora que teve uma vida breve: previam-se vendas anuais de cerca de 20 000 unidades mas, ao fim de meia dúzia de anos a fábrica encerrou com menos de 4000 modelos vendidos. Quem, afinal, ia querer comprar um carro anfíbio para o dia-a-dia?

O criador do Amphicar foi o alemão Hans Trippel, um indivíduo com um currículo muito extenso e variado: antigo piloto de corridas, supervisor da fábrica Bugatti em Molsheim durante a guerra, inventor das famosas portas em asa de gaivota dos Mercedes-Benz e membro das SA e apoiante do regime nazi. Este último facto, porém, não lhe tira o mérito da concepção deste notável veículo.

 Amphicar, o automóvel anfíbio

 Amphicar, o automóvel anfíbio

 Amphicar, o automóvel anfíbio

Sob o aspecto de um vulgar automóvel escondiam-se algumas características que lhe permitiam deslocar-se na água e o assemelhavam a um barco. A frente era muito recortada em baixo (como uma proa), a distância ao solo elevada, as rodas altas, o pára-brisas curvo e, fundamentalmente, duas hélices situadas atrás do eixo traseiro. Originalmente um motor Triumph de 4 cilindros e 1147 cc. fornecia a potência necessária para atingir 110 Km/hora em terra e 7 nós na água. Posteriormente foram instaladas versões mais potentes. Quando imerso na água, as rodas da frente actuavam como um leme e o Amphicar conduzia-se como se estivesse em terra. Era muito menos estável e manobrável do que um verdadeiro barco.

A produção iniciou-se em 1961 na fábrica do grupo Quandt, em Lübeck, mas terminou quatro anos depois. Todavia, as vendas continuaram até 1968, com a maioria das unidades a serem exportadas para os Estados Unidos. Um pequeno número foi adquirido pela polícia de Berlim e algumas foram adaptadas para operações de salvamento. No total foram produzidas 3878 unidades. Actualmente subsistem cerca de um milhar destes veículos e podem ser adquiridas peças num importador da Califórnia que comprou todo o espólio da fábrica quando esta encerrou.

 Amphicar, o automóvel anfíbio

Deste veículo espantoso houve quem dissesse que não era um bom carro nem um bom barco. No entanto dois deles chegaram mesmo a atravessar o Canal da Mancha, em 1968! Talvez seja bom olhar para o Amphicar simultaneamente como o carro mais rápido na água e o barco mais veloz em terra...

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benjamin júnior

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