Beatles: Tudo que você precisa é amor (o dinheiro vem depois)

Publicado em musica por homem em 4 set 2009 | 8 comentários

 Reedição dos álbuns dos Beatles

Os Beatles foram a primeira banda que eu amei. Foi em 1975. De lá para cá já gastei muito dinheiro e tempo com eles. É a marca mais valiosa da história do rock. A explicação é que eles tiveram impacto social maior e mais permanente que qualquer outro. Música não foi o ponto. Agora é. Neste nove de Setembro, os Beatles voltam à vida. Pela primeira vez, os velhos fãs terão os doze álbuns originais em versão remasterizada, em CD e DVD, repletos de extras, documentários etc.

E pela primeira vez, a nova geração terá os Beatles disponíveis onde interessa, nos videogames. O jogo The Beatles: Rock Band vem com 45 músicas para você tocar. As outras você comprará, futuramente, direto no site do game. Você toca os instrumentos, canta, faz harmonia, enquanto assiste versões animadas da banda em diferentes fases e cenários.

Vi ao vivo dia 2 de Junho na E3, em Los Angeles, em cabine fechada para a imprensa. Um colega testou com “Here Comes the Sun”. Quase subi e mandei “Taxman”, mas fiquei meio constrangido. Para anunciar a parada, Paul, Ringo, Yoko e Olivia, viúva de George, subiram ao palco da E3.

 Reedição dos álbuns dos Beatles

Giles Martin, filho de George, é o produtor do game. É coisa fina. É surpreendente. Porque a marca Beatles nunca foi bem gerenciada. A Apple Corps, que gerencia os negócios dos Beatles, é uma burocracia sem fim. Nunca atende os fãs. É apavorada com o mundo digital. E não aprova nada que não tenha o OK dos quatro Beatles ou seus herdeiros. A coisa só andou porque Dhani Harrison, fiho de George, é fã de games musicais, e vendeu o peixe para Paul, Ringo e Yoko. Não foi um business deal. Foi família.

Tudo virá embalado em uma megablitz de marketing, naturalmente. O timing é bizarro. Michael Jackson era dono de 50% dos direitos sobre as canções dos Beatles. Comprou porque era ótimo negócio. O negócio lhe valeu a amizade com Paul McCartney. Jackson ia faturar bonito agora. Não deu tempo, porque morreu de overdose. Enquanto isso, da banda que mais promoveu as drogas para o mundo, dois estão contando dinheiro, John morreu baleado e George de câncer.

O grande professor de Michael foi Berry Gordy, fundador da Motown e compositor do primeiro hit da gravadora. “Money (That’s What I Want)” é mais conhecida na versão dos Beatles, de 1963. “Seu amor me dá arrepios / mas não paga minhas contas… o dinheiro não traz tudo / para o que ele não traz, não tenho uso”.

Quatro anos depois, os fab four mudariam o papo para “All You Need is Love”. Que estará entre as primeiras canções disponíveis para download pago no game The Beatles: Rock Band. Com a receita doada para os Médicos Sem Fronteiras. Amor ou dinheiro? A letra de “All You Need is Love” dá a pista: “nothing you can say but you can learn how to play the game – it’s easy”.

Porque o século 21 deixa mais claro que nunca: se você faz com amor, as pessoas percebem. Se faz só pela grana, idem. Eu já tinha aprendido isso com Julius Schwarz.

Julius co-criou o primeiro fanzine do mundo, Time Traveller, em 1932. Foi agente literário de lendas como H.P. Lovecraft e Ray Bradbury. De 1944 a 1986, trabalhou na DC Comics. Foi responsável por sucessivas modernizações do conceito de super-herói nos anos 50, 60, 70, 80.

Vi uma vez de longe em San Diego, 96. Nem fui lá agradecer por tantas memórias boas. Que pateta que eu era. Se os gibis de super-herói têm um pai, mais do que Siegel & Shuster ou Bob Kane ou Stan Lee ou Jack Kirby ou quem você quiser, ele é Julius. Que não escrevia nem desenhava. Era editor. Ele nunca terá sua importância reconhecida. Julie mesmo dizia: “ninguém sabe direito o que faz um editor”.

Sem ele não existiria muito do que você reconhece hoje como cultura pop. E eu seria uma pessoa muito diferente do que sou e não estaria escrevendo isso e você não estaria lendo. Confio muito num lema que Julie revelou em sua autobiografia, Man of Two Worlds:

“Pegue uma coisa que você ama e conte para todo mundo sobre ela. Encontre outras pessoas que tem a mesma paixão, e juntos se dediquem a tornar essa coisa ainda melhor. No final, você vai ter muito mais do que você ama, para você e para poder compartilhar com o mundo.”

All You Need is Love. Pode até te render um dinheirinho, no final…

Por André Forastieri

em parceria com
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8 comentários

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Adorei seu artigo,os Beatles foram meus ídolos na juventude e continuo amando-os até hoje,fico feliz
pois os Bleatles vão acompanhar também minha velhice...Tenho 61 anos atualmente, e causa me muito prazer perceber que pela qualidade meus ídolos vão sobreviver-me!!!!
Um verdadeiro presente os dois videos youtube anexados.
suely benetti

Suely Benetti em 4 de setembro de 2009

Adorei o artigo :) Não sou do tempo dos Beatles, mas a boa música não tem tempo. Certo?
Para quem procura uma oportunidadezinha de ganhar um prémio sem esforço e 100% à borla basta ir a http://www.premios-online.com

Pedro Martins em 5 de setembro de 2009

Gostei do artigo... nostalgia.

Author Profile Page Benjamin em 6 de setembro de 2009

Realmente, uma marca de respeito e eterna. Os habitantes desta Terra que tiveram a oportunidade de viver parte do fenômeno beatlemania, podem se orgulhar de ter passado por este período, onde se chegou a acreditar que tudo seria mais simples com uma bela música dos inigualaveis e incomparáveis The Beatles. Eu tinha 13 anos de idade quando eles se separaram em 1970. Eu cantarolava suas músicas desde os 9. Assistí HELP num cinema de São Paulo, onde minha mãe trabalhava de atendente de bomboniere e me colocou dentro da sala. A histeria era geral...o pessoal os chamavam de "os reis do ié ié ié ..."
Não voltam mais...

delaorden em 8 de setembro de 2009

Óptimo artigo: interessante e elucidativo.

Convém ter em atenção, que os Beatles empreenderam uma revolução cultural que avassalou o mundo ocidental no início dos anos 60 do séc. passado.

A importância sociológica dos Beatles nas sociedades industriais, além de profunda, foi imediata.

Foram eles que iniciaram os "swinging sixties", com a bandeira inglesa como símbolo máximo da nova sociedade pós-moderna e, com esta, tudo o que agora ainda vamos tendo: os cabelos compridos, a liberdade sexual, a pílula, os collans, a mini-saia de Mary Quant, as mulheres com empregos e remunerações à homem, Andie Warohl, a arte psicadélica, os automóveis Mini, as drogas, as bandas pop-rock, as manifs anti-guerra, a cultura hindu, os hippies, a divulgação das mensagens de paz e amor, a fraternidade dos povos, e o respeito pela pessoa humana.

E tudo isto em meia dúzia de anos: 1962- 1967.

Por isso a música genial do grupo é apenas um dos simples factores da revolução que empreenderam, talvez um pouco ingenuamente. A música era o seu forte e o seu meio de expressão concreto, mas a sua atitude (a roupa, as drogas, o respeito pela Raínha, o tratamento com os pais, etc.) e as respostas nas entrevistas, consubstanciam uma modificação sem precedentes no mundo ocidental, culturalmente iniciada uns anos antes pelos firmes "Rebel Without a Cause", "Spendor In The Grass" e "Est of Eden".

Também eles próprios ficaram espantados e incomodados quando viram milhares de jovens a persegui-los, pelas ruas e nos estádios de futebol. Eles não sabiam o que aquilo era, e o que aquilo significava. Claro que os americanos já tinham tido Sinatra e Elvis, mas nada era semelhante: ali eram umas centenas de miúdas da província, e com eles eram milhares de jovens urbanas.

O que eles desconheciam era que a juventude e o progresso precisavam deles. Para os quatro rapazes lá da terrinha (Liverpool), habituados a tocar numa cave escura para uma trintena de pessoas, também tudo aquilo era novidade.

E a verdade é que no meio daquela revolução avassaladora, eles iam compondo e produzindo cada vez mais música - e muito boa. Quando em 1965 decidiram deixar de dar espectáculos porque o seu som era abafado pelo dos fãns, fecharam-se em estúdios e foram plublicando êxitos sucessiva e paulatinamente até 1970.

Portugal era dominado pela cultura francesa desde a famosa Geração de 70, com Eça, Ramalho e Antero e o seu herói comum: Proudon. A língua de Voltaire era dada logo no primeiro ano do liceu (5º ano). Além da primazia na literatura (com Camus, Sartre, Gennet, Malroux), também no cinema (Bardot, Trouffaux, Goddard, Delon, Belmondo), e na música os bretões impunham a sua marca dominadora em todos os seus géneros (Vartin, Hardy, Brel, Ferré, Gainsbourg, Bécaud, Mhatié, Dalida, Adamo, Trenet, Chevallier e Tino Rossi).

Amigo delaorden: o "ié-ié" era mais o nome da pop francesa (com Holliday, Claude Francois, Adamo, Antoine, Sheila e sobretudo Richard Anthony), nome este divulgado no mundo pela oportuna revista de jovens denominada "SALUT LES COPAINS". O próprio Roberto Carlos (justamente apelidado de "O Rei", porque o é), era muito mais ié-ié do que pop inglês - acho-lhe muitas semelhanças com Adamo.

Foi com os quatro fabulosos que tudo mudou - e não apenas cá. Mesmo do ponto de vista político e comercial, foram eles que impuseram a língua inglesa como a "universal", quer no espectro das Nações Unidas, quer nas trocas comerciais (ajudados por um tal Mr. Bond...James Bond). E eles souberam prestar homenagem aos franceses, ao introduzirem no início de "All You Need Is Love" sons do seu hino nacional (A Marselhesa).

Chamou-se à divulgação da pop inglesa nos EUA, a "segunda invasão". A primeira tinha sido quando os ingleses ocuparam o continente americano nos idos de 1700, até serem corridos pelos independentistas (com a ajuda da França, pelo general Lafayette). A segunda "invasão" foi musical, com o pop inglês, na primeira digressão dos Beatles pelas terras do Tio Sam. Os américas ficaram com os olhos em bico - tendo o espectáculo do Ed Sullivan Show sido o mais visto em audiências.

A polícia estava maluca para dominar as miúdas, muitas filhas e sobrinhas dos próprios polícias, que gritavam até desmaiar. Mas o que era aquilo...? Meses antes tinham assassinado JFK...

O mundo estava a mudar.

E não se esqueçam que, na peugada dos "fab four" foram lá todos os outros britânicos da altura, que também eram muito (muito) bons: Manfred Mann (que incorporou um tipo com barba por fazer chamado Bruce Sprinsteen), Animals, Kinks, Hollies, David Clark Five, Bee Gees (da Austrália), Stones, Small Faces, etc..

Os empresários americanos ainda tentaram resistir, e subsidiaram os "Monkeys" que, com "I Am a Beliver" lograram um êxito contra os europeus (se não me engano "Lady Madona"). De resto, só lá do outro lado é que se ouviam os Beach Boys, que fizeram uma carreira à pala do surf, sem nunca terem subido para uma prancha em toda a sua vida. Só depois vieram os Doors, os Jafferson Airplane, os Mammas & Pappas, etc..

Para compreenderem o peso dos Beatles, conto uma história real: Paul MacCarthy foi passar o dia, em 1970 e por influência da sua mulher americana (Linda Eastman), a casa dos chefe dos Beach Boys - Brian Wilson. Ao fim da tarde, ao despedirem-se, uma filha menor do americano pediu ao inglês para ele cantar uma canção. Ele aceitou perante o constrangimento dos graúdos e, sentando-se ao piano da sala, tocou e cantou sozinho o "Yesterday". Depois dele sair, Wilson disse para quem ficou que ele nunca na sua vida seria capaz de fazer uma canção tão bonita como aquela. E entrou em depressão psicológica profunda, tendo ficado deitado na sua cama durante quatro anos.

Quanto aos Beatles, tudo o resto que se possa dizer é uma mera questão de opinião de cada um, com mais ou menos simpatia. No entanto, há denominadores comuns. A fim de tentarem estabelecer padrões, a revista Rollig Stone fez um inquérito generalizado para apurar o melhor album e a melhor canção do pop-rock, e adivinhem lá quem foi mais votado...? Claro..., o "Sargent Papper" e o "Yesterday".

Quanto a mim, os Beatles são a minha vida porque sempre me acompanharam. Tenho 55 anos e há 47 que os vou ouvindo. Vou oferecendo discos deles a quem mais gosto. Há uns 40 anos, lá em casa até houve um cão a quem chamámos "RINGO"...

Desculpem a prosa e cumprimentos a todos, do

Saloio

Saloio em 10 de setembro de 2009


Acompanho a música e vida dos beatles desde o início da carreira deles...... gostaria de poder fazer contato com estas pessoas que escrevem neste site.... como faço para fazer estes contatos??
Obrigado,
Massillon

Massillon Nogueira Novaes em 8 de novembro de 2009

Beatles envolve fantasia, delírios, romantismo,
mas também magia negra, capitalismo e ou-
tras coisas. Eu era criança no auge dos Beatles
e meus pais compravam vários Lps e compactos.
Cresci ouvindo Beatles mas só fui tornar-me um
beatlemaníaco quando adolescente.
Sempre lendo e relendo várias biografias do
quarteto, notava que havia alguma peça que
faltava nesse quebra-cabeças, faltava algo
que pudesse explicar uma série de estranhas
situações, desde meados da carreira deles
até a dissolução do grupo.
Até que no início deste século, em meio a
muitas pesquisas, e a Internet deu sua grande
contribuição, descobri o que muitos não aceitam
até hoje : Paul McCartney morreu mesmo em
novembro de 1966 e foi substituído por um
sósia.

Marcelo Alves em 16 de janeiro de 2010

gostei muito do artigo tenho apenas 13 anos de idade mais souu muito fã do beatles até hj fais 4 anos ki escutei essa musica:while my guitar gente weeps, fikei louco muito boua a musica!!!

joao victor de sumé - pb em 4 de fevereiro de 2010

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