DORYU 2-16: uma câmera numa pistola

Há objectos surpreendentes. Quem se lembraria de desenhar uma câmara de vídeo que não só tem a forma de uma pistola de polícia como também funciona do mesmo modo? Só os japoneses, claro. Tal objecto existiu, vendeu-se e é hoje uma peça de colecção rara e cobiçada. Conheça a DORYU 2-16.


 DORYU 2-16: uma câmera numa pistola

A Doriu Kamera K.K. foi uma firma japonesa que se dedicou ao fabrico de câmeras de filmar com forma de pistola no já longínquo ano de 1949. Este tipo de artefacto era destinado ao uso das forças policiais ou de segurança, principalmente para registar actos criminosos em filme e poder servir de prova em tribunal. O primeiro modelo, a DORYU 1, produzido em 1952, utilizava película de 9,5 mm mas logo foi abandonado por falta de robustez e pelo formato pouco comum da película. A firma desenhou então uma nova versão para película de 16 mm, a DORYU 2-16.

O novo modelo, terminado apenas em 1954, possuía uma lente de 30 mm de f 2.7 ou, em alternativa, um conjunto mais sofisticado de lentes Nikkor de 25 mm de f 1.4. O suporte era uma réplica muito realista do corpo de uma pistola. Na parte da frente, onde seria o cano da arma, era colocada a câmara propriamente dita, com as lentes e as mini-bobinas com o filme, accionada pelo gatilho, obviamente.

 DORYU 2-16: uma câmera numa pistola

Um pormenor interessante situava-se ao nível do punho do aparelho que recebia um carregador não de munições mas de... cartuchos de magnésio! Estes cartuchos, accionados pelo gatilho como numa arma comum, lançavam o pó de magnésio para o ar e actuavam como um flash potente que iluminava até 20 metros. Depois de usados eram ejectados como uma vulgar munição. Todo o processo era um pouco perigoso para o utilizador, que podia queimar-se.

 DORYU 2-16: uma câmera numa pistola

A DORYU 2-16 nunca chegou a ser adoptada pela polícia, que preferiu um produto idêntico da Mamiya. De facto, há alguns relatos de testes ao aparelho nada favoráveis, referindo a má qualidade das lentes e a pouca funcionalidade dos sistemas mecânicos, o que talvez tenha sido o motivo da sua rejeição. Mesmo assim a concepção da câmera revelava grande engenho e originalidade. Com algumas modificações, que a tornaram mais simples e robusta, foi posta à venda ao público. Muito poucos a adquiriram, como o senhor Ryu Koakimoto, hoje o feliz proprietário de um objecto tão raro como fantástico.

 DORYU 2-16: uma câmera numa pistola

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benjamin júnior

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