As grandes câmaras fotográficas do século XX: a Leica

A primeira Leica de Henri Cartier-Bresson
Leica. Este nome faz qualquer amante de fotografia curvar-se respeitosamente. Todavia, as origens deste puro-sangue das câmaras fotográficas remontam, curiosamente, ao cinema. Em 1913 Oscar Barnack, um funcionário da empresa de óptica Leitz, construiu uma câmara para testar película cinematográfica. O aparelho era em tudo idêntico a uma câmara de cinema com uma bobina no seu interior que alojava cerca de 2 metros de filme de 35 mm. No entanto, tinha a possibilidade de captar um fotograma de cada vez, sendo necessário rodar uma alavanca para passar ao seguinte. Durante esta operação um obturador tapava a abertura da lente impedindo a luz de impressionar o filme. A câmara era pequena e portátil mas a qualidade das fotografias que fazia era espantosa.
Durante a guerra Barnack interrompeu o desenvolvimento do seu aparelho mas encontrava-se de tal modo fascinado pelas suas potencialidades que, mal o conflito terminou, retomou o trabalho. Uma nova objectiva foi desenhada tendo em conta as particularidades do formato do filme de 24x36 mm. Outra inovação foi a introdução de um visor com um sistema óptico de precisão. Até então as câmaras fotográficas eram equipadas com uma simples moldura por onde o fotógrafo espreitava, dando origem a erros de paralaxe e de enquadramento frequentes.

O modelo original de 1914
Em 1923 produziram-se 31 exemplares deste novo modelo, distribuídos a fotógrafos profissionais para que o testassem. Paradoxalmente, as críticas foram desfavoráveis, pois achavam o formato muito pequeno. Mesmo assim a produção foi avante e na Feira de Leipzig de 1925 foi apresentada ao público a primeira Leica, abreviatura de Leitz Camera, um nome que haveria de perdurar e brilhar no mundo da fotografia. Nesse ano venderam-se 1000 exemplares e, em 1929, 15000.
O sucesso consolidou-se. A cada ano que passava a Leica apresentava melhoramentos técnicos e novos acessórios. Em 1932 lançou um modelo com um mecanismo de focagem integral e uma gama de velocidades de obturação que ia até 1/1000 de segundo, equipado com um conjunto de objectivas e compartimentos de filme intermutáveis. Sólida, pequena e fácil de usar, a Leica introduziu o padrão das modernas câmaras fotográficas. Tudo o que apresentava de inovador haveria de se tornar regra e ser copiado por todos os fabricantes de equipamento fotográfico, a começar pelo uso do filme de 24x36 mm.

Modelo de 1923

Modelo de 1925

Modelo de 1932
As suas características fizeram com que fosse o instrumento de trabalho favorito de muitos fotojornalistas, nomeadamente na Europa. Nas mãos de mestres como André Kertész ou Cartier-Bresson deu ao mundo algumas das melhores imagens do século XX.
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13 comentários
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Um artigo muito interessante :)
As máquinas Leica (ou mesmo as lentes que são equipadas em outras boas camera) são muito boas.
Abraço.
Joao Jesus em 28 de setembro de 2009

sabes que sou viciada na loja vintage da leica? e ainda bem que não vivo em viena, onde ela fisicamente existe... iria à falência com as coisas lindas que eles vendem :|
cristiana em 28 de setembro de 2009

qual vai ser a terceira? posso meter uma cunha para a nikon fm2? >:
seja qual for a escolhida, "cuidado não te descaia o teu pé de catraia em óleo sujo à beira mar" :D:D e não te lembres de dar o 3º lugar à primeira digital ou assim.
a 3ª tem de ser analógica! :D
cristiana em 28 de setembro de 2009

Para amantes da fotografia como eu, esta matéria é otima.
valmir santtos em 28 de setembro de 2009

Amigos,
Além de ser um aparelho fora de série, comparável ao melhor que há ao dispôr do público no tocante a máquinas (Mercedes-Benz, isqueiro Dupont, Rolex, Bang & Holufson, Vitton, etc.), essa máquina é um prodígio do design.
Ainda a escola Bahaus não tinha iniciado a revolução do design mundial, esta Leica foi uma inovação estética - além de prática e funcional.
Há uns anos, comprei um livro num alfarrabista denominado "Leica - the first 50 years", que é muito engraçado e curioso.
Estou convicto de que num futuro próximo, a Leica ira fabricar um modelo idêntico em digital.
Parabéns pelo artigo.
Bite em 28 de setembro de 2009

Acho q meu pai tinha uma câmera dessas.
Por acaso o é feito através de uns pontinhos q têm q se encaichar para q a imagem fique nítida?
Lembro-me q o seu sistema de foco era diferente das q conheci mais tarde.

Edelweiss em 28 de setembro de 2009

convivi com Leica minha infância toda,pena que qd realmente me interessei por fotografias meus avós (Fotografos) não a tinham mais
Hérick em 29 de setembro de 2009

Por um acaso da sorte (ainda bem) depois de ter sido dada como praticamente em extinção a divisão de equipamentos fotográficos da Leica, parece que a rota se inflectiu e aparece agora na PMA com excelentes novos produtos.
A Leica M9 digital com um sensor de 18Mp e a Leica X1 com um sensor de 12.2Mp.
Ambas incorporam electrónica proveniente de parceiros japoneses mas são produzidas novamente na Alemanha, o que é sinónimo de construção artesanal.
Não são bem câmaras fotográficas. Eu chamar-lhes relojoaria suíça (feita na Alemanha) que faz excelentes fotografias.
Como tudo de bom na vida; só para apreciadores...
Antonio Caldeira em 1 de outubro de 2009

O que muita gente não sabe é que grande parte de uma máquina Leica é feita em Portugal.... mais de 90% para ser exacto... e depois montam tudo na Alemanha e metem a dizer Made in Germany, porque dizer Made in Portugal era mau para o negócio. E as partes de «relojoaria suíca», como o António Caldeira lhe chama tem grande parte de produção Portuguesa.
Ainda outro dia vinha uma reportagem no Público sobre a fábrica da Leica e o senhor tinha uma M9 na mão... (baratinha por sinal, 4500€ sem objectiva...)
Miguel em 8 de outubro de 2009

Pois não sabia que a fábrica de Famalicão ainda produzia componentes para as câmaras fotográficas. Há largos anos atrás fiquei a saber que ali já só produziam componentes para material de laboratório e na gama fotográfica apenas produziam os famosos projectores Leica Pradovit.
Houve uma altura em que saíam corpos fabricados em Portugal e algumas ópticas no Canadá...
Pena tenho eu que apesar de ser português não aufiro umsalário que me permita adquirir uma Leica sem correr o risco de ter de jejuar durante largos meses.
Antonio Caldeira em 15 de outubro de 2009

gostei !
Videos e Fotos em 20 de outubro de 2009

Excelente o pequeno resumo!
Gostava de passar uma ideia.. a nikon S2 do Che.... hmm?!
Migtex em 13 de dezembro de 2009

Como acontece com alguma frequência, há grandes descobertas que surgem antes do seu tempo e geram desconfiança e por vezes comentários menos favoráveis.
Quando oscar barnack desnvolveu a pequena Leica muitos fotógrafos trabalhavam ainda com as câmaras de grande formato que usavam placas de vidro revestidas por camadas de químicos sensíveis à luz que faziam o papel de negativo fotográfico.
A utilização do filme no formato 135 vei na verdade democratizar a fotografia na medida em que levou o registo dos eventos até locais antes inatingíveis pelos fotógrafos com equipqmentos tradicionais.
Sem a Leica e os sucessíveis sucedâneos uma Life jamais atingiria a dimensão e importância que atingiu.
Estamos a falar de um tempo em que os avanços na fotografia eram essencialmente produzidos pelos utilizadores directos da tecnologia. Mais tarde muitos dos supostos avanços não passaram de intentonas dos departamentos de marketing dos diversos fabricantes, mais preocupados em conseguir aumentar o seu mercado e consequente retorno financeiro do que outra coisa.
A título de exemplo recordo-vos os monumentais flops que foram os Photo Disk e o tão publicitado formato APS (Advanced Photo System) que na verdade em nada contribuiram para a evolução quer da fotografia enquanto arte ou na sua maior facilidade de utilização por parte dos fotógrafos.
Hoje vivemos uma situação similar na fotografia digital com o lançamento e a substituição de modelos uns atrás dos outros sem que na verdade os mais recentes acrescentem o melhoria significativa relativamente aos anteriores.
António Caldeira em 13 de dezembro de 2009
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