ska-p - anarquistas de madrid

Uma banda formada por anarquistas madrilenhos é atualmente, por incrível que pareça, um dos maiores sucessos entre os jovens na Europa. Os punks do SKA-P são extremamente politizados, de opiniões radicais e, ao mesmo tempo, um dos maiores sucessos dos anos 1990 e 2000.


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Uma banda formada por anarquistas madrilenhos é atualmente, por incrível que pareça, um dos maiores sucessos entre os jovens na Europa. Os punks do SKA-P são extremamente politizados, de opiniões radicais e, ao mesmo tempo, um dos maiores sucessos dos anos 1990 e 2000.

Formada em 1994, a banda começou a carreira meteórica em shows no bairro de Vallecas, em Madri. Suas canções marcadas pelo inconformismo e críticas ao capitalismo, o racismo, a xenofobia e o fascismo levam a lembrar, em alguns momentos, grandes bandas de ska como The Specials, que nos anos 1970 abria os shows do mítico The Clash.

Mas o sucesso dos espanhóis veio mesmo quando o grupo passou a defender em suas músicas a legalização da maconha. Em poucos anos eles já eram famosos na Espanha, no México e na América do Sul, principalmente na Argentina. Na Europa, a banda já faz parte hoje do imaginário de toda uma geração.

Em 2005, após uma votação vencida por 4 votos contra 2, os membros da banda decidiram dar um tempo no SKA-P para trabalhar em projetos solos. O show de despedida da banda foi em Buenos Aires, em outubro do mesmo ano.

Em novembro de 2008, a banda voltou. Na nova turnê, o grupo já tocou para milhares de pessoas na Bélgica, Suíça, Venezuela, México, Equador, Chile, Argentina, Itália, França, Espanha, Holanda, Alemanha, República Tcheca, Áustria, Rússia, Grécia, Eslováquia e Hungria. Em 2009, seus shows são cada vez mais lotados. Na semana passada, no festival de música de Budapeste, a banda fez um dos melhores shows da turnê até agora.

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Mas o que mais chama atenção no SKA-P são as opiniões políticas. No início de 2009, a banda fez apresentações na Venezuela e não poupou elogios a Hugo Chávez. Em um artigo intitulado Uh, ah, Chávez no se va, o grupo pedia que os coletivos anarquistas da Espanha e da Europa voltassem seus olhos para a revolução bolivariana que está ocorrendo atualmente na Venezuela. Aliás, a música El Libertador da banda se tornou uma espécie de hino dos bolivarianos venezuelanos. O refrão Adelante, comandante, ponte al frente com honestidad é um dos hits mais tocados nas rádios do país latino-americano.

Paradoxalmente, o grupo, que não faz nenhuma menção às tendências cada vez mais ditatoriais do governo chavista, segue criticando com toda força a política espanhola. Sua música España va bien, por exemplo, diz o seguinte:

El congreso es una mierda, el senado una mentira no representais a nadie y es que en esta democracia, siempre gobiernan los mismos solo cambia el maquillaje

Apesar de ser um grupo inegavelmente interessante, o SKA-P parece ser completamente míope quando fala de democracia na Espanha e na Venezuela. Não que a democracia espanhola seja um primor, longe disso, mas entre ela e a tal da revolução bolivariana de Chávez é difícil acreditar que uma é infinitamente melhor que a outra.

Esse é o risco de politizar as músicas. Muita vez é fácil dar uma tremenda escorregada e acabar defendendo um político que cada vez mais se aproxima de um caudilho. Mesmo assim, prefiro a coragem dos membros do SKA-P ao som açucarado de boa parte do pop latino. Na verdade, como dizia o poeta, a dissonância me atrai, a consonância me distrai e muito açúcar me enjoa.

Concordar com todas as idéias dos membros do SKA-P não seria ouvir música. Quem quer fazer isto está, na verdade, procurando uma nova espécie de religião. Eu, de minha parte, espero que Nosso Senhor me livre das religiões e me mantenha ateu graças a Deus! Portanto, para quem ainda não ouviu, o som do pessoal do SKA-P é interessante e merece atenção. Basta continuar pensando com a própria cabeça que tudo acaba bem.

Artigo da autoria de Renato Roschel
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