
Leviathan é o nome do monstro marinho bíblico do Antigo Testamento que já foi usado em livros de Paul Auster e Thomas Hobbes. Nas novas séries de Scott Westerfeld, o famoso escritor de ciência ficção steampunk, Leviathan é o nome do barco gigante em forma de baleia em que o protagonista foge do Império Austro-húngaro. Trata-se do filho do arquiduque Franz Ferdinand, Aleksander, cujo assassinato do pai viria a causar a Primeira Guerra Mundial e o antagonismo entre aliados e potências centrais.

Misturando História e ficção, Westerfeld mostra-nos uma realidade alternativa àquela que conhecemos dos livros da escola. Na sua fuga, Aleksander encontra uma rapariga que se disfarça de homem para combater pelo Reino Unido e, apesar de estarem em lados opostos no conflito, une-os o facto de ambos esconderem qualquer coisa.
Dando vida a esta realidade paralela, Keith Thompson ilustra estas séries concebendo a Europa de forma completamente diferente e dividindo-a entre clankers, as potências centrais que usam armas bélicas mecânicas, e darwinistas, os aliados que criam criaturas vivas para combater. No website oficial de Thompson é possível encomendar as ilustrações e entrar no mundo criado para estes livros.

Por exemplo, está disponível um mapa da Europa em 1914, em que todos os países foram personificados. A Suíça é um pequeno relógio à espera que tudo aconteça, ou deixe de acontecer: o eterno território neutro. A Itália é um ninho de cobras que nunca se considerou verdadeiramente aliada, procurando apenas o seu próprio interesse. O Reino Unido é um leão de guerra com um capacete imperialista romano, rodeado das riquezas do seu império. Olhando para Portugal, pensamos a princípio que se trata de um mocho sábio na cauda do continente: desenganem-se, somos descritos na explicação lateral da ilustração como um papagaio que repete o discurso dos aliados e tenta convencer a Espanha a entrar em guerra.
Carregue na imagem para ver o mapa em tamanho grande.

fonte: Keith Thompson
Comentários
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Andrea Braga
fantástico...
Patricia Bowles
vale a pena ver as fotos da America Latina, muito boas!
Jorge Pires
Desconhecia estas referências, meio simbólicas, meio mitológicas (enfim o que dá uma unidade do mesmo, mitologia&simbolismo...). Mas vejo que as coisas evoluem, o que é expectável e salutar! É que o mito da Suíça neutral já passou. Hoje é bem pouco neutral, como a sua expressiva xenofobia! Aliás não acredito em neutralidades. Estou com os pensadores franceses dos anos 40 e 50 (Emmanuel Mounier?): "Quem sou eu se não participo?". Isto é,vai-se contra a própria identidade, se não a assumirmos.
Patricia Bowles
Concordo com vc Jorge.É apenas uma caricatura. Tudo mudou....seria interessante neste momento algum artista retratar a União Europeia.
Eu tenho um especial respeito pela França.A piramide do Louvre como imagem.
Antes de tudo Humanistas..respeito pela cultura do homem.
Isabel Biscaia
Só para ler o teu comentário valeu a pena partilhar...
Obrigada Jorge pelo teu contributo.
Bj
Sandra
Muito bonitas as imagens. Lembram a série de culto "as cidades invisíveis". Gostei muito
Lima
Lembram muito mas muito mesmo o trabalho de Max Ernst, um pintor surrealista alemão do século passado
Sofia Marçano
Adoro a onda steampunk
Pedro
eu adoro a onda steampunk e adorava poder ler essas obras traduzidas se possível
rpt
Para quem gosta de steampunk e, se calhar um pouco mais além, recomendo vivamente a leitura de "The Diamond Age or, A Young Lady's Illustrated Primer" (http://en.wikipedia.org/wiki/The_Diamond_Age) de Neal Stephenson, para mim um dos melhores escritores contemporâneos, e claro, um grande desconhecido das traduções portuguesas.
Como steampunk duro, nada como The Difference Engine da dupla Gibson & Sterling.
Isabela
Adorei! Muito criativo.
Ivana Rowena
Lamento não poder ver o mapa mais detalhadamente, não o encontrei no blog/site do autor.
Mas a visão steampunk específica do ano de 1914 é bem aproximada da que estudei para escrever um roteiro. Gostaria de encomendar este mapa porque utilizo todo tipo de recursos audiovisuais para facilitar a compreensão dos meus alunos e este, além de arte pura, também inclui uma profunda pesquisa histórica conceitual.
Concordo com Patrícia Bowles, adoraria ver como o artista desenharia a Europa de hoje,a União Européia. Os comentários e sugestões de vocês me foram preciosos, obrigada!
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