Confesso o meu preconceito em relação às cantoras de jazz mais jovens. Quando comecei a ouvir jazz gostava de tudo o que se fizesse acompanhar por um saxofone ou um contrabaixo afinadinhos. Depois a minha descoberta subiu em direcção ao início do século XX, as senhoras convergiram e começaram a tomar conta de mim. Ouvir jazz é uma aprendizagem de liberdade.
Não sei ao certo quando é que a minha escolha de vozes começou a afunilar e, sem contradição, a minha liberdade foi crescendo. Aconteceu à medida que fui ouvindo mais discos. O que também parece contraditório: como é que o aumento das possibilidades faz escolher cada vez mais e cada vez menos? Diana Krall foi a primeira que deixei de conseguir ouvir. Lisa Ekdahl é engraçada, mas consigo passar um ano sem me lembrar que existe. Da Norah Jones só me lembro quando o nome se atravessa nos resultados relacionados das pesquisas que faço sobre as outras. Madeleine Peyroux, Lyambiko e Cassandra Wilson são as que mais regressam ao som dos meus dias.
Ah, mas acabo por ouvir tudo (obrigada, gerentes de supermercado e DJs de elevador). Até a Krall, sem urticária. Mas ouvi-la, a ela ou a um dos outros ódiozinhos ou indiferenças célebres, acaba sempre de forma abrupta: eu, com a sensação de ter ido procurar a minha casa na rua errada, uma rua parecida, com casas parecidas, mas errada, a pôr a tocar um disco da Ella Fitzgerald ou da Sarah Vaughan assim que posso - e a ouvi-lo morta de fome. Como se antes me tivessem dado a comer morangos que, não obstante a cor e a promessa de sumo, eram, afinal, frutas de plástico para decorar cozinhas.
Melody Gardot é interessante por ter 24 anos, três anos de carreira, uma voz bonita e dois discos e meio que consigo ouvir seguidos, repetidos, sem me lembrar de outros discos nem de outras vozes.
São Reino é uma colaboradora multifcetada do obvious, verdadeira malabarista que tanto escreve sobre arte como aparos de canetas. Saiba como colaborar.
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A musicalidade de Melody Gardot é uma coisa que encanta...
Shisuii
? Ricardo em 21 de novembro de 2009
Não conhecia, vou procurar ouvir. Das antigas, além da Ella, imbatível, eu amo a Billie Holliday e a Dinah Washington. Gosto muito também de ouvir a Doris Day, confesso que gosto mais dela cantando do que atuando.
Das contemporâneas, eu recomendo com muita força a Nana Mouskouri, ela é cantora lírica também, uma voz cristalina, redondinha, suave e potente ao mesmo tempo. Tenta o cd "Nana Swings".
Em tempo: eu amo esse blog, é dos meus favoritos sempre!
Ana Paula em 21 de novembro de 2009
Fico pensando em ouvir JAZZ em LP, deve ser FABULOSO. amo Ella, Louis, Billie Holliday entre outras das antigas.. A experiencia auditiva faz com que escutemos menos.. vc tem toda razão. Adorei a materia. ficou muito boaaa
Marina em 22 de novembro de 2009
Sempre achei a Diana Krall muito fria, não tem alma mesmo e é assim com muitas cantoras modernas de jazz. mas gostei dessa
Luisana em 22 de novembro de 2009
Ela é paraplégica?
Felipe José Cruz em 22 de novembro de 2009
Tambei sempre achei a Diana Krall muito fria,
Ana
empilhadeira em 22 de novembro de 2009
Excelente
Dayana em 22 de novembro de 2009
Fiquei curiosa depois de ler este post, daí baixei, à esmo, o "My One and Only Thrill". Já ouvi umas três vezes. Ela tem uma voz deliciosíssima, as melodias dão água na boca e as letras são liiiiiindas! Baixem (ou comprem rss) porque ela é boa mesmo!
Luciane em 23 de novembro de 2009
muito bom o artigo
anderson em 23 de novembro de 2009
Tem uma voz esquisita
Natalina em 23 de novembro de 2009
Ela sabe cozinhar?
Benedito de Almeida Petrocoquínio em 24 de novembro de 2009
Obrigada Ricardo, Dayana, Anderson :)
Ana Paula: também gosto de Billie, Dinah e Doris :)) E há pouco tempo, um amigo mostrou-me Helen Humes, da geração de Ella, muito interessante Helen Humes.
Marina: Jazz e Tom Waits. Ando muito tentada com o vinil.
Ana e Luisana: A Krall não é má de todo. Toca bem, escolhe bem os temas e tem uma voz bonitinha. Mas outras cantam e tocam melhor e a Krall não sobrevive à comparação. Esse foi o principal problema dela para mim.
Felipe e Benedito: Acho que a único problema provocado pelo atropelamento que Melody ainda tem é alguma falta de vista.
Luciane: Ainda bem que gostaste ;) Medoly Gardot já está na minha lista de presentes de Natal. Vou oferecer pelo menos um disco dela.
Natalina: Também me soa assim. E não linear, não óbvia. Gosto muito da dicção dela, também :)
sao em 24 de novembro de 2009
muito, muito melhor foi seu texto, São.
não sei se semeou fácil, mas germinou bonito.
Ferolla em 31 de janeiro de 2010
Gostei da frase "Ouvir jazz é uma aprendizagem de liberdade", pois assim o é de facto. Nada melhor que o jazz para descobrir o mundo da musicalidade e a musicalidade do mundo :)
Camila Haase em 31 de janeiro de 2010
Conheci a Melanie Gardot aqui e fiquei fã.
Já comprei um CD dela que tenho ouvido assiduamente.
Agradeço ao Obvious pela descoberta.
Ferolla: muito obrigada :) que elogio tão bonito :)
Camila: agora fiquei na dúvida se essa frase era do fim do primeiro parágrafo ou do princípio do segundo. o sentido será sempre esse, de qualquer forma. Até as orquestras clássicas, a afinar, soam a liberdade no início dos concertos.
Eugen: que bom! Gosto muito de pegar vícios :)
sao em 9 de fevereiro de 2010
Comprei o cd de Melody, ouvi, e fiz um esforço muito grande pra gostar. Acabei gostando de alguma coisa, mas ela não empolga, a música é muito linear, não achei nada muito sublime não.
Acho Diana uma grande musicista, mas a impressão é que ela popularizou demais o jazz e jazzificou demais o pop. Será que é isso?