Avatar: a experiência visual definitiva

Revolucionário. É muito complicado associar uma palavra como essa a qualquer tipo de filme. Foram poucos, em toda a história do cinema, que tiveram o privilégio de carregar esse adjetivo vinculado ao seu nome. Então o que dizer de Avatar?


avatar cinema cameron

Cameron planeia Avatar desde meados dos anos 90. A impossibilidade técnica de dar vida ao universo que ele vem imaginando desde então nos fez esperar até este ano. Primeiro, o óbvio: o filme é bom. O filme é muito bom. Em segundo lugar: dê preferência à projeção 3-D. Uma pena que a projeção ainda seja raridade no país.

O visual que Cameron conseguiu dar ao filme é absurdamente impactante. Pessoas que nunca viram um filme em 3-D antes vão ter uma certa dificuldade de se adaptar a essa forma de ver as coisas na tela, tamanha a grandeza das cenas. Os que já estão habituados à tecnologia vão se sentir diante da melhor projeção 3-D que já viram na vida, e mais: vão reparar que Cameron opta por tratar a ferramenta não como um mero recurso extra para dar impacto a cenas de ação, mas como algo indispensável na construção de seu universo. Mais do que jogar objetos na nossa direção, o filme flui inteiramente no formato. Cada cena, cada paisagem foi delicadamente pensada nessa forma.

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Nos primeiros minutos de Avatar, somos apresentados a Jack Sully (Sam Worthington), soldado preso a uma cadeira de rodas que perde seu irmão cientista. O irmão fazia experiências no planeta Pandora, onde a humanidade quer explorar um certo minério que pode significar sua sobrevivência mesmo numa Terra completamente esgotada de recursos naturais. Jack, graças à semelhança genética com seu irmão, tem a chance de continuar seu trabalho no planeta selvagem. Ele aceita a oportunidade e é apresentado aos Avatares, seres híbridos entre os humanos e os alienígenas que permite aos primeiros sobreviver na atmosfera de Pandora. Os Avatares são controlados à distância por humanos de onde o código genético foi retirado. Jack fica encarregado de controlar o Avatar de seu irmão falecido e entra no mundo de Pandora, onde tem contato com a raça dominante local, os Na´Vi.

O que se segue é uma história que você provavelmente já viu. De fato. Avatar, como história, não traz grandes novidades. O que faz a gente se segurar nas cadeiras, prender a respiração, grudar os olhos na tela, é a forma como essa velha história – e por velha, não queremos dizer ruim, muito longe disso - é contada.

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A paixão com que Cameron tratou Avatar está refletida em cada árvore, animal, paisagem e na atuação de cada um dos atores e atrizes. Por sinal, todos: Worthington como Jack, Zoe Saldana (a Uhura do novo Star Trek) como a princesa Na´Vi Neytiri, e Sigourney Weaver como a doutora Grace Augustine, estão excelentes. A tecnologia visual, ainda que embasbacante, não ofusca o enredo ou as suas atuações, antes, complementa e incrementa a experiência sensorial que é assistir a um filme na tela grande.

E isso é positivo? É. A imersão é absolutamente completa. Você esquece que está vendo a um filme 3-D. Em alguns momentos, você está mesmo em Pandora, voando ou caindo de uma cachoeira.

O jogo no cinema mudou? A forma de contas histórias mudou? Muitos que viram Avatar apostam nisso. Talvez seja cedo para dizer. O que dá para dizer imediatamente após sair da sessão é: o próximo filme 3-D que eu for assistir vai ter que se esforçar e muito para igualar a experiência de Avatar.

Artigo da autoria de Leonardo Carvalho
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