
Leonard Cohen escreveu e compôs "Hallelujah", editado em "Various Positions", de 1985, mas a interpretação de Jeff Buckley, no "Grace", de 1994, aperfeiçoou extraordinariamente o tema. Diz-se que Cohen, depois de ouvir Buckley, terá dito que não mais teria coragem para cantar a sua própria canção – não sei se isto é verdade, tem ar de lenda urbana, mas a canção de Jeff Buckley impõe-se a qualquer outra, até, um bocadinho, ao original de Cohen.
"Hallelujah" não é uma canção de Natal ou uma canção de amor convencional: é um poema de amor total que usa um imaginário antigo, rico, e o reconcilia com a sensibilidade actual, a do homem que se questiona e questiona, que não sabe, que cai e se levanta, se desanima, anima e continua.
Poema de amor, desilusão e fé, "Hallelujah" abre, de uma forma muito bonita, a ideia de hallelujah. Sobretudo em Buckley, que teve de dar muito de si para chegar a esta guitarra assombrosa, a este ritmo, à voz a deslizar pela música como um corpo vivo, à intimidade delicada e insuportável, à textura exacta que cada verso encontrou para sair inteiro de cada nervo seu e soar inteiro em cada nervo nosso, a esta demora magnífica, à sílaba que prolonga no fim da canção, imediatamente antes de nos deixar sozinhos na noite escura.
Jeff Buckley:
Leonard Cohen:
Comentários
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Diana
E sempre que oiço, parece que me arrepia ainda mais...
Francisco Costa
Continuo a preferir o original de Cohen
Patricia Peixoto
Uma das minhas canções favoritas!
Monica Eleuterio
linda... *suspiro* eheh :)
Ana Aguilar
gosto MUITO, MUITO, MUITO
Debora Cambe
onvém, no entanto, nunca esquecer que Jeff Buckley é muito, muito mais do que a sua versão da Hallelujah...
Tiago Andre
eff Buckley = Génio
Marilia Fornazieri
Jeff Buckley = Gênio 2X !
Rui Nicola
Dotado de um talento gigantesco, cantava como uma chama intensa e infelizmente breve.
Cristiana Pimenta
O texto não é sobre Jeff Buckley, mas sobre Hallelujah. Convém termos sempre em conta os títulos dos textos ;)
Ana Luiza
Nao seria muito religioso o tema?O titulo Hallelujah parece ate de romeiro do Pe. Cicero...hehehe
Paula Miranda
Adoro esta música .....
Maristela Gava
O texto não é nem sobre Jeff Buckley, nem sobre Hallelujah, mas sim sobre duas interpretações diferentes para a mesma música e complementado com um breve resumo sobre o tema central da letra da música. Entre as duas interpretações, a meu ver, a de Jeff Buckley sem dúvida é muito mais carregada de sentimento e de uma suavidade incrível, dado até mesmo pelo timbre de sua voz. Mas acho tb que isso não desmerece em nada o talento Cohen que compôs essa maravilha.
Ana Paula
Amo esta música, ontem mesmo estava escutando , mas na interpretação de Alter Bridge !
Jair Correia
É só lenda que o canadense Cohen não teve coragem de cantar halleluja depois de Buckley. Cantou várias vezes e tem até uma gravação memorável feita em 2009. Podem conferir a maravilhosa canção. http://www.youtube.com/watch?v=01nV-IfC98M
Bruno Leal
pesar de achar a versão do Jeff Buckley boa, acho que ainda fica longe da original, que me parece bem mais conseguida... mas isto pode ser só a minha opinião...
Enne Ferreira
A Cohen versão original é muuuuuuuuuuuito melhor! Está a 3 pontos de distância como diriam os gregos!
obvious
De facto o artigo não é sobre Buckley ou Coen mas, não resisto. Há uma outra música de Mister Cohen que mexe comigo... recordando momentos de sedução: http://blog.uncovering.org/archives/2009/06/refugio_a_beira-rio_-_leonard_cohen.html
David Campus
Jeff Buckley cantou como se fora dele... Pode soar sacrilégio, mas a versão dele, na minha opinião, é uma daquelas exceções em que a cover soa melhor que a original.
VU
Continuo a preferir a versão do John Cale às duas :p
sao
Ana Luiza: o tema é religioso em Cohen; em Buckley também mas num tom muito mais agnóstico.
Maristela: o texto é sobre Hallelujah, mas acho que poucas versões valem a pena e, entre as poucas que valem, a do Buckley é a melhor. Portanto ignorei toda a gente excepto Cohen e Buckley :) Mas ouvi pelo menos 50 versões e o grande acontecimento, no texto, é existir uma canção chamada Hallelujah, graças a Cohen, e Buckley tê-la compreendido tão bem ou melhor que o autor.
Ana Paula: a versão de Alter Bridge é outra que não é uma cover do Cohen, mas uma cover da cover do Buckley. Depois de 1994 é difícil encontrar uma adaptação desta música que não seja adaptação da adaptação :)
E estamos a falar de monstros: a versão original do Cohen é tão boa quanto a do Buckley, depois é uma mera questão de preferência, sensibilidade, acordar de manhã e apetecer mais uma ou outra, dependendo dos dias. Pretender fazer uma escolha QUALITATIVA séria entre duas canções geniais parece-me uma perda de tempo e uma pobreza. Para quê ter uma, se podemos ter duas? Ou três... ainda ponho a do Cale neste grupo das melhores, pois não há nada do Cale que alguma vez me tenha soado menos que excelente.
Intimamente, a versão do Buckley toca-me mais – a letra, no fim, também me soa mais familiar… aquele é o meu tipo de poema, o meu tipo de "conclusão", nunca diria nada como Cohen diz no fim, portanto não me identifico tanto.
E depois, no fim, o "hallelujah" prolongado pelo Buckley, aquele momento é assombroso, não há igual em três milhões de canções e é um momento inteiramente do Buckley (e o "Grace", o álbum, tem mais :))
Lourdes Botelho
É muito bacana ouvir e saber que se pode deixar ou fazer coisas transformando em algo tao bonita quanto ou mais...
Felicidades pelo talento!!
Rui Fragoso
??? O Cohen disse isso da versão do Buckley? Não tenho dúvidas que ele devia estar bêbado. As músicas do LC valem pela letra, e pela alma da pessoa que as canta (ele). A técnica... que fique para os técnicos.
Maria da
Esta música na voz de Buckley, é sensacional!
Ana Monica
que haja sempre alguém suficientemente ousado e talentoso a interpretar originais de forma diferente, é sinal de que a música assim como própria vida estão sempre a fluir! Muito obrigada pela partilha. Aleluia!
Myriam Toscano
parece que Cohen disse isso a respeito da versao de Rufus Wainwright...e nao de Buckey como estao dizendo aqui...
Rafaela
Uma das canções mais lindas para mim.Gosto bastante, também, da versão que a Imogen Heap fez.
Roberto Ramos
Great song. Great singer.
sao
rui: buckley era um técnico? O_o
myriam: se foi sobre rufus, vou ali morrer. ouvi a versão do rufus a achei muito pãozinho sem sal... mas também sou suspeita porque é o que acho em geral do mundo-rufus :)
Vinicius Dalvi
Olha que coincidência. Fiz uma lista de três músicas que soam como natal para mim e uma delas fo Hallelujah. No entanto, a minha versão escolhida foi a música interpretada por Damien Rice (lá no meu blog tem o audio). Acho a versão de Damien ainda mais viceral e dramática (apesar de se ter usado a versão elaborada por Jeff.
abraços
P.E.
Com toda subjetividade que é concedida a uma interpretação, diferente do cover, esses grandes músicos deixaram sua marca nessa belíssima canção.Adoro os dois!!
suyane
esse cara é foda..
Zé Manel
Sem dúvida para mim que a versão do JB é suberba, tanto cantada como tocada. 5 Estrelas.
G.Birth
É impossível ouvir esta canção sem que a emoção nos atinja e nos esmague, ficando a pele arrepiada pela beleza da letra e voz extra-
ordinária deste cantor. Sublinhada por uma viola
fabulosa de uma sonoridade sinal,permite-nos
transportar para uma manhã radiante onde não
vemos mas ouvimos o repicar dos sinos. Só o
Chorus of the Hebrew Slaves, na obra de Verdi
me emociona tanto.Parabens São e obgd.GBirth
Bona Red Peace
A maior parte das pessoas não ouvia Hallelujah do Cohen. Valorizaram-na após Jeff Buckley ter cantado e glorificaram-na após a sua morte. Simplesmente divinal.
Marcelo
Sim a guitarra é maravilhosa, conhen é um gênio, mas o uqe masi me arrepia, é qdo ouço com Rufus Wainwrigth
Cláudio Soares
Essa musica é um coro aos fracasados no Amor ous outros.
Como tantos canta sobre algo que não entende. Numa opinião simplista vista do angulo do exesso de amor proprio.
Pelomenos a Letra o é. Já a melodia é um convite a melanconia, depresão e solidão um verdadeiro esperar pelo nada.
Sem contar a nitida intenção de se camuflar como algo divino mistico etc...
Lamentavel.
Francisco Azevedo
Claro que a versão de Buckley soa melhor. Desde logo porque ele é um cantor com recursos consideráveis. Cohen, por outro lado, nunca foi cantor. Como ele mesmo disse um dia, entoava os versos que escrevia. Pode gostar-se ou não, mas que é uma voz limitada isso é.
sao
Lourdes e Ana Mónica: acho que o princípio mais interessante da criação é a reinvenção :) E a música está cheia de exemplos mesmo, a música é um território muito rico :)
Maria, Roberto, Suyane, Zé, Bona Red Peace: Ah, pois é ;)
Obrigada, GBirth :)
VInicius e Rafaela: essas não conheço ;) vou procurar (e fazer figas).
P.E.: Também eu. E John Cale e Zach Condon.
Marcelo: Rufus e eu não dá. Não posso dizer que não gosto. Mas esqueço-me. Ouço-o e esqueço-me que o ouvi. Ouvi um ou dois álbuns dele e não me lembro de nada.
Cláudio: vc parece o padre do meu colégio que via maldade em todas as nossas roupas da adolescência. ou era a saia curta demais ou a saia comprida demais. a canção do Cohen, e refiro-me à letra, é das mais belas noções de hallelujah que já li: intimidade, fé, esperança, amor – nada falta. é uma canção de amor total, desde o amor a deus ao amor a uma pessoa. sim, claro, fala também do que dói, do que se quebra, do que se perde – o mundo ou é inteiro ou não é mundo. mas é essencialmente uma canção de fé. está escrita assim, tem sido sempre cantada assim. até um agnóstico consegue mergulhar na esperança arrebatadora desta canção. compreendo, todavia, que para aqueles que têm medo da melancolia e da solidão seja mais complicado – ou estamos inteiros no mundo ou não estamos.
Francisco: Cohen é um senhor. Eu também prefiro a versão de JB, mas Cohen sabe cantar as suas músicas. Antes mil Cohens que meia Dion gritadeira.
Paulo kaki
Estava procurando vários artigos sobre esta canção Hallelujah até chegar a este blog.
Parabéns pela pesquisa e qualidade !!!
Cláudio Soares
""...intimidade, fé, esperança, amor – nada falta. é uma canção de amor total, desde o amor a deus ao amor a uma pessoa. sim, claro, fala também do que dói, do que se quebra, do que se perde – o mundo ou é inteiro ou não é mundo. mas é essencialmente uma canção de fé. está escrita assim, tem sido sempre cantada assim. até um agnóstico consegue mergulhar na esperança arrebatadora desta canção...""
KKKkkk .. Acredite a sua noção de musica de ´"Fé" está limitadissima e comprometida.
Pois essa musica
exalta o pecado de Davi, filha. ( O qual Deus perdoou como a mim e a ti.) Mas sou mais o Salmo 50 onde o Proprio Davi reconhece sua falta etc mas ai é outra História. E isso não muda o Fato dessa musica hallelujh ser "Lamentavel".
ADRIEL JOSÉ
Gosto muito, também, da interpretação de Jeff na musica ALIGATOR WINE.
vasco
esta musica e fantastica, nao admira que muitos dos actuais artistas admirem o jeff buckley como um deus. e maravilhoso o que ele fez com esta musica, e com a last goodbye, nem se fala.
Vleydson
Não escutei a versão original, nem me atrevo, pois acredito que cada artista tem a sua interpretação para cada ação que se deva ter dentro da arte, aqui ele teve a sua, e prefiro a interpretação de jeff, se analisar o dico, ele é todo cheio de interpretações diferentes até mesmo para as próprias música de jeff.
wilson
Também gosto desta versão, mas acima delas estão a de K.D.Lang e Cohen.
São Azevedo
Jeff é admirado por todos, não admira! A alma com que se entrega, o sentimento que provoca em nós é arrepiante. Simplesmente fantástico!!!!
Evandro Morelli
Poeta sensacional, Cohen. Intérprete sensacional, Jeff. A maioria dos 46 comentários também são excelentes. Mas eu não aceito que essa música tenha o caráter religioso. Quero crer que o poeta esteja nos confundindo. Eu ainda não descobri o significado... As vezes, num lampejo, ele fica claro na minha mente e de repente some. Por favor, peçam para o próprio Cohen esclarecer o que ele estava sentindo quando escreveu isso!... e me escrever de volta contando...Não aguento mais essa angústia!...Opa...Eu disse "angústia" ... talvez seja isso.
Eugen Robick
Gostos são gostos, e aprecio muito a voz rouca e cheia de cicratizes do Cohen.
Para mim é a diferença entre um rapazinho e um homem a cantá-la
jonas carioca
Caros leitores,
Eu gostaria de ter a explicação de cohen sobre esta composição, mas para se ter o conhecimento sobre o que ele diz ou tenta passar é necessário no mínimo conhecimento da história do Rei Davi e betseba. Eu, sem tentar ser único ou o gênio a desvendar venho dar minha humilde opinião, pois vejo isso como um suspiro de quem trocou a sua espiritualidade e ligação direta com Deus por um amor terreno e chorou lágrimas de sangue por isso. Mesmo que ele se reconcilie mais a frente, sentimos a melancolia e o arrependimento em todo o seu texto, pois a partir disto ele perde seu reino, filhos e também o primeiro filho que nasce deste ato com ela. Cohen é Judeu e com certeza conhece bem a história, mas ele se afasta dela e direciona a alguém, talvez a um amor de alto preço que como ele mesmo diz é um suspiro de dor e de aleluia.
alexandre
Me desculpa mas prefiro o Cohen é que ele é meio johnny cash voz sepulcral e tudo mais.
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