Hallelujah

"Hallelujah", de Leonard Cohen, teve centenas de interpretações desde 1985. John Cale e Zach Condon, com dezenas de anos entre si, fizeram versões bastante boas. Bob Dylan também. Depois há os desastres, as covers espremidinhas dos reality shows dos últimos anos, que alguns pensam ser tudo o que existe. Só ainda ninguém cantou "Hallelujah" como Jeff Buckley. Nem mesmo Cohen.


 Hallelujah - Leonard Cohen

Leonard Cohen escreveu e compôs "Hallelujah", editado em "Various Positions", de 1985, mas a interpretação de Jeff Buckley, no "Grace", de 1994, aperfeiçoou extraordinariamente o tema. Diz-se que Cohen, depois de ouvir Buckley, terá dito que não mais teria coragem para cantar a sua própria canção – não sei se isto é verdade, tem ar de lenda urbana, mas a canção de Jeff Buckley impõe-se a qualquer outra, até, um bocadinho, ao original de Cohen.

"Hallelujah" não é uma canção de Natal ou uma canção de amor convencional: é um poema de amor total que usa um imaginário antigo, rico, e o reconcilia com a sensibilidade actual, a do homem que se questiona e questiona, que não sabe, que cai e se levanta, se desanima, anima e continua.

Poema de amor, desilusão e fé, "Hallelujah" abre, de uma forma muito bonita, a ideia de hallelujah. Sobretudo em Buckley, que teve de dar muito de si para chegar a esta guitarra assombrosa, a este ritmo, à voz a deslizar pela música como um corpo vivo, à intimidade delicada e insuportável, à textura exacta que cada verso encontrou para sair inteiro de cada nervo seu e soar inteiro em cada nervo nosso, a esta demora magnífica, à sílaba que prolonga no fim da canção, imediatamente antes de nos deixar sozinhos na noite escura.

Jeff Buckley:

Leonard Cohen:


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