
Kusho é uma palavra japonesa que significa literalmente "escrever no céu". Melhor: enquanto que ku quer dizer céu, a palavra sho designa tanto caligrafia, como escrita e manuscrito. O significado final da palavra fica a cargo da interpretação de cada leitor. No entanto, kusho é também o nome da nova série de fotografias do japonês Shinini Maruyama a que o autor atribui uma forte carga filosófica.
Sendo um fotógrafo multifacetado, Maruyama já trabalhou em diversos campos, tendo-se dedicado à captura de paisagens pitorescas do mundo japonês no início da carreira. Trabalhou em publicidade na Hakuhodo Photo Creative e mais tarde publicou dois livros que reportavam a vida quotidiana tibetana e a sua cultura. Há cinco anos interessou-se pelas técnicas e características formais da Fotografia. É neste quadro que surge a colecção "Kusho".

À primeira vista as fotografias deste trabalho podem parecer sem sentido ou com pouca criatividade. Contudo as 23 imagens das séries Kusho têm subjacente um forte conceito que o autor explica.
Representando a interacção entre tinta preta e água em superfícies brancas ou no ar, Maruyama capta imagens irrepetíveis: os milésimos de segundo exactos antes dos dois líquidos se fundirem em cinzento, que permitem ver em detalhe os processos físicos e químicos invisíveis a olho nu. O timing perfeito na captura das imagens é conseguido através de avanços recentes na tecnologia da luz estroboscópica: há fotografias que têm uma velocidade de obturação de 1/20 000 de segundo.
Jogando com o aleatório, o conceito japonês wabi-sabi está por detrás da ideia desta sessão fotográfica, significando a beleza das coisas imperfeitas, efémeras e incompletas. A própria escolha da palavra foi cuidadosa. Enquanto que ku explora o abstracto e nos leva para o campo ideal da representação como forma de ausência radical, o sufixo sho alude à escrita, porque a fotografia é também expressiva e comunica sempre qualquer coisa. Nas palavras do autor, mais que um espelho com memória este meio pode ser uma experiência conceptual, abstracta e espiritual.




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comments powered by DisqusLisa Zig
xpetacular!!!!!
Alexandra Lopes
o céu ja é uma arte... e pintar a senti lo!! viva a arte e o céu!!!!
Becas Melo
:)))))))))))))))))))))))))...
Mirza rachel
Fantástico!!
Vera Silva
Realmente belo e irrepetível!:)
RAFAEL JÁCOME
"INCOPIÁVEL"
Jorge Silva
"Ai, eu já pensei, mandar pintar o ku em tons de azul, para ser original..."
À parte da brincadeira acima... quer o trabalho do fotógrafo Maruyama quer o artigo da Diana Guerra estão fantásticos!
ione gonzalez
Espetacular!!!!!!!!!
Pablo de Regino
Muito bacana as imagens e o conceito do projeto. Como é bom ter quem divulgue a fotografia que acontece do outro lado do globo.
Nuno R
Muito bom
Claudine Rodrigues
é tao libertador!
Carla Violante
brutal...tecnicamente brutal.
Pedro Mendes
Isto é ser criativo e original. Excelente.
Sandra Albuquerque
Um trabalho fantástico, único que transmite muita leveza, por ser "desenhado" no céu" quase que me atrevia a dizer "experiência espiritual".
Patricia Bowles
Sinhici Maruyama segue o gesto da caligrafia chinesa q é umas das minhas paixões, interessante notar também a arte da espada...como ele pinta no ar, seu pincel. Os orientais me fascinam com esta leveza.
Marcelo Alves
cada um na sua loucura...
Andrea M.
Adorei Patricia !
Maria Francisca
arte sem fim
Meri Oliveira
Lindo!!!!
Adriano
Lindo. Parece mais uma foto.
Karluz
Interessante, pois a arte do acaso também pode ser Arte.
fernanda
"À primeira vista as fotografias deste trabalho podem parecer sem sentido ou com pouca criatividade". NUNCA! E desde quando arte deve fazer um sentido absoluto? A arte é primordialmente subjetiva. Se Maruyama é sem criativiade, meus filhos, o mundo tá perdido.
Karluz
"Não existe algo a que se possa chamar Arte. Existem apenas artistas." (E.H.Gombrich)
De resto, Cara Fernanda, mesmo com muita criatividade, " mundo tá (mesmo) perdido".
Paula
Adoraria fazer isto ....
Rufus
O que distingue a Arte dos comuns objectos estético é precisamente o Sentido, cara Fernanda. E ser subjectiva não quer dizer desprovida de sentido; apenas que tem múltiplos sentidos.
Diana Guerra
Fernanda,
Eu não disse que não fazia sentido, apenas que "à primeira vista", depois passo a explicar toda a lógica que está por trás.
Obrigada!
Karluz
O que é fazer sentido em Arte?
O problema é que os gostos e os padrões de beleza variam muitíssimo.
Cordiais cumprimentos para todos.
Rufus
Fazer sentido é... fazer sentido, ter significado. Não é em Arte, é em tudo.
Quanto aos padrões de beleza não são para aqui chamados - a Arte não é beleza - mas essa variação não é um infortúnio e sim a essência de todo o processo.
Desde Platão que anda gente a escrever sobre isto...
Sérgio Quixadá
É a possibilidade de contemplar o belo no limiar da existência.
manrel
Na minha ignara opinião a fotocaligrafia do ku do Maruayama é a arte mais insípida que já vi. Coisa de quem não conhece o céu que abunda nas praias brasileiras!