a vida de brian: um filme de natal

Brian nasceu em Belém quando Jesus nasceu e chegou a receber a visita de Baltazar, Belchior e Gaspar, mas os reis magos foram-se embora quando perceberam que se tinham enganado no estábulo.



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Todos os anos por esta altura somos bombardeados com exibições televisivas da mesma meia dúzia de histórias: "Música no Coração"; adaptações do "Natal de Mr. Scrooge" - o velho avarento - do Charles Dickens; longas metragens com episódios bíblicos; qualquer filme da saga Harry Potter, de preferência um dos primeiros (quando as crianças eram crianças e Daniel Radcliffe ainda não parecia um duende musculado); qualquer filme do Tim Burton, de preferência um dos mais fofinhos (chocolate, bom; noivas mortas, menos bom; raptos do pai natal, mau). Desconfio que "Wall-E" também encontrará o seu caminho até ao coração natalício da programação televisiva, se é que não encontrou já. E o filme "O Sexo e a Cidade" acaba de fazer a sua espectacular e inesperada entrada na programação festiva da estação portuguesa TVI.

Ano após ano, injustiça após injustiça, os canais de televisão ignoram aquele que é um dos melhores filmes de Natal de todos os tempos, se não o filme de Natal perfeito: "A Vida de Brian", de Monty Python. Urge inverter esta vil tendência.

"A Vida de Brian" acompanha Brian do nascimento à morte e mostra-nos tudo o que existe de mais comovente, essencial e profundo na história da humanidade: o nascimento do menino; o surgimento das religiões, das seitas, dos cultos; a dinâmica dos partidos políticos, das facções, das revoluções, das guerrilhas, das traições; a reciprocidade dos poderes espiritual e temporal - religião não existe sem política, política não existe sem religião (e já tarda um estudo sério sobre a raiz dos afectos sob o jugo do pater familias); psicologia de massas e individualismo; a importância de prestar atenção nas aulas de latim; a importância ou a insignificância do Império Romano, consoante a opinião de cada humilde perspectiva.

Brian e Jesus partilham data de nascimento e naturalidade, viveram nos mesmos lugares, na mesma realidade sócio-política, vestiram roupas parecidas, frequentaram as mesmas escolas. Brian não é um messias, mas viu e ouviu o Messias discursar.

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Não se sabe se Jesus viu Brian, mas é muito provável que se tenham cruzado na mesma rua, com um leve tocar de ombros. E Brian também morreu na cruz.



São Reino

é uma colaboradora multifacetada do obvious, verdadeira malabarista que tanto escreve sobre arte como aparos de canetas.
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