
Muitas vezes tentamos imaginar como será a arquitectura num mundo futuro e, nessa altura, vêm-nos à cabeça imagens estereotipadas provenientes do cinema e da literatura de ficção científica. Talvez tenha sido o caso de Iosa Ghini, o arquitecto italiano de Bologna que ultimamente tem sido falado pela loja / stand que fez para a Ferrari na Serravalle Scrivia, Itália, no exterior do outlet de McArthur Glen.
A Ferrari Factory Store salta imediatamente à vista de qualquer visitante graças à forma, cor e estilo que a identificam inequivocamente com a marca. Encontra-se numa posição privilegiada no outlet, sendo visível do estacionamento e dos acessos locais circundantes. O edifício, com aproximadamente 370 m2, é caracterizado por uma galeria de vidro em curva, sem armação, que permite uma visibilidade total, quer se olhe de dentro ou de fora e dá uma percepção de continuidade a todo o edifício. O controle ambiental é assegurado por um sistema que aproveita a natural convecção do ar. Além disso, a superfície envidraçada é dotada de uma malha pontilhada que filtra os raios solares e armazena energia. Vanguardista, sem dúvida.

No entanto, o arquitecto e designer italiano há vários anos que desenvolve projectos inovadores e, quem conhece o seu percurso, não se deixa surpreender por mais este edifício. Entre outros, contam-se projectos de mobiliário, equipamentos diversos, objectos utilitários, instalações e arquitectura, obviamente. Além de tudo isto, presta assessoria em matéria de arte a diversas empresas de referência na área, como a Yamagiwa Lighting, a Silhouette Modellbrillen e a Zumtobell. Olhando para o conjunto da sua obra, percebe-se que estamos perante um caso de grande talento e criatividade e de uma visão arrojada e extremamente pessoal da arquitectura e do design.
O que existe então de tão original e único no estilo de Iosa Ghini que torna a sua assinatura inconfundível? Há no seu traço algo de retro e futurista, simultaneamente, mas combinado de uma forma hábil e até sensata. Para quem conhece um pouco da história da arquitectura não é difícil vislumbrar nas suas obras formas e referências ao construtivismo soviético e ao futurismo italiano, das primeiras décadas do século XX, e mesmo ao arquitecto inglês James Stirling. Tal como ele, Iosa Ghini sabe jogar bem com o significado das formas. Não embarca, tal como tantos dos seus colegas da actualidade, na facilidade da moda das formas abstractas. Vai mais além, por isso, do que a arquitectura contemporânea e dá-nos hoje a verdadeira arquitectura do futuro.





Visita obrigatória ao site de Massimo Iosa Ghini.
Comentários
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João Maria Saleiro
Gostei especialmente, dos interiores: cores, formas e especialmente sua criatividade, o que torna tudo simples e prático. Quanto aos exteriores: são formas originais.
Susana Della
extraordinario talento. gracias Tere por enviarlo!!
Maria Teresa
a mi me siguen gustando las casas de madera con atmosferas de intimidad....pero estoy abierta...
Adriano Fernandes
Curto isso, mas achei o modelo mostrado na matéria masiparecido com uma loja que uma casa...Acho que, mesmo no futuro, não iremos perder a ideia de casa = lar.
Alessandra Campos
Acho tudo muito legal
como é algo a longo prazo, não dá para se ter muitas expectativas, mas espero também que seja flutuante, no caso de uma enchente por exemplo..seria bem vendida, no mais, espero estar viva até lá para ver os mais criativos e modernos modelos de moradia..mas tenho minhas dúvidas, já que a natureza tem se rebelado com os homens ultimamente.
Jorge Lima
Gostei imenso, principalmente do look em vermelho
Nícia Cruz
Continuo a preferir a visão de Jaques Fresco, somente porque ele alia a practicidade e o bem-estar à estética.
Caso nunca tenham ouvido falar dele, o que eu duvido, vejam o filme Future By Design e visitem o seu site: http://www.thevenusproject.com. Verão que o conceito dele de futuro, e que realmente o vai tentando implementar, é muito agradável.
Luiza Helena
Se o que o futuro reserva é esse design de padaria decadente com balcões que parecem fórmica e paredes de plástico, como fico triste!
Tudo muito "fake", artificial e cafona insuportavelmente C-A-F-O-N-A ! Será que as notícias de ameaça de destruição do nosso meio ambiente não chegam até esses "A-R-T-I-S-T-A-S?
Sônia
Maravilhoso!
Rita Mourao Barbosa
Lembro-me de seus quadrinhos na revista FRIGIDAIRE/Mi ricordo dei suoi fumetti pubblicati a FRIGIDAIRE:
http://www.frigolandia.eu
Grande Sparagna!!!
d
parece o cenário do filme LARANJA MECÂNICA!
legal.
Chin
Uma coisa, nós arquitectos não devemos de projectar coisas para o futuro, mas ter a capacidade de criar coisas novas tendo em conta aquilo que sabemos e conhecemos. Imagine-se no caso de há 50 anos alguém preparar uma casa para 2010, com parques de estacionamento para carros voadores. 50 anos depois em 2010 seria algo absurdo, pois não é algo que seja necessário para o homem ter um carro voador. Temos de focar-nos mais nas necessidades da sociedade que vão surgindo. Deves sempre ter o teu próprio estilo de arquitectura mas nunca por a estética à frente da função. A arquitectura é a arte que transforma o sonho na realidade.
Martha C. Restrepo
Simply Fantastic, Y love this article and OBVIOUS is really interesting!!!!!!!!!!
Chiénetany Ndzôvo
Tá uma bela arquitectura, um design de se lhe tirar o chapeu, (por enquanto).
vitor gil
Isto só prova que não há limites para a imaginação dum arquitecto.
Não fossem os políticos deste país serem culturalmente pobres, e também seriamos mais atrevidos na concepção.
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