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O que ouvi amanhã e vou ouvir ontem: Anywhen

publicado em musica por | 13 comentários

No início dos anos 90, na Suécia surgiu Anywhen, uma banda composta por Thomas Feiner, Frederick Falander, Mikael Andersson, Jan Sandahl, Erik Nolander e Kalle Thorsland. Lançaram 3 álbuns e 2 EPs e acabaram. O último álbum saiu em 2001 e foi reeditado em 2008 com dois novos temas. Chamaram-lhe "The Opiates". Nada nunca mais foi como antes.

 Música: Anywhen

O mosaico tem tudo. Da esquerda para a direita, de baixo para cima: "As we know it", de 1993; "Movie" e "Blank" (EPs), de 1997; "Anywhen", de 1997; "The Opiates", de 2001; e "The Opiates Revised" de Thomas Feiner e Anywhen, de 2008. Anywhen já não existe, embora faça sentido estar-se atento ao que será, a partir daqui, a carreira de Thomas Feiner.

Ouvi todos os discos excepto "Movie", mas não por esta ordem. Ouvi primeiro "Opiates". A primeira coisa que achei do álbum foi que era fácil. Era fácil ouvi-lo e desaparecer lá dentro. Não era necessária qualquer adaptação de luz ou som da minha parte, subir ou baixar a temperatura da água do aquário, qualquer esforço extraordinário. "The Opiates" é um elegante épico pop, sombrio e tépido, que nos leva em grande estilo aos nossos próprios destroços. É um disco generoso: nunca nos larga, nunca nos deixa completamente sós e faz-nos regressar à superfície com a mesma dedicação com que nos levou ao fundo. Acontece que, chegados cá a cima, queremos descer outra vez: imediatamente.


the siren songs 2001-2008


all that numbs you 2001-2008

A voz de Thomas Feiner é um dos elementos mais fortes desta mistura irresistível, mas não só. A música cria um ambiente muito denso, muito nocturno, que nos acorda para uma grande lucidez. Depois, os textos são inteligentes. Mesmo que seja ouvido ao meio-dia, "The Opiates" é a noite. E acho que este é um dos grandes feitos da música quando é mesmo muito boa: predispõe-nos à companhia dos mais perigosos demónios, que são afinal os nossos, mas também nos oferece uma espécie muito rara e agradável de redenção. E se pensarmos bem, este até é um álbum que se chama opiates, sendo pois natural que nos ofereça céus, infernos e um grande vício.

Durante alguns anos vivi bem com um único álbum de Anywhen, até que, depois de ouvir "The Opiates Revised", decidi que, já que não podia ouvir mais para a frente, ia ouvir mais para trás. Procurar discos de Anywhen que não sejam "Opiates" é um jogo de paciência mas, por fim, só ainda não consegui encontrar o "Movie". Ouvir os álbuns mais antigos confirma que "Opiates" não é só uma raridade entre as outras bandas, é também uma raridade na carreira dos Anywhen, mas é uma raridade em preparação e é interessante saber que sim, é bom ouvir como foi. "Dinah and the beautiful blue", por exemplo, aparece logo em "As we know it", com uma sonoridade completamente diferente, enquanto "Anywhen" está já bastante perto de "Opiates".

Todos estes discos são discos a encontrar e a não deixar fugir. Memorizar as capas e estar atento é boa ideia. Ir passear e descobrir para o youtube é bom. E os dois álbuns fáceis de encontrar, "The Opiates" e "The Opiates Revised", serão sempre gestos bonitos para nos mimarmos e àqueles de quem gostamos.


movie 1997


dinah and the beautiful blue 1993 & waking state 1997

sao
Sobre a autora: São Reino é uma colaboradora multifacetada do obvious, verdadeira malabarista que tanto escreve sobre arte como aparos de canetas. Saiba como fazer parte da obvious.

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Comentários

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Luisana

Muito bom, não conhecia...

Fernanda Gonçalves

Muito inspirador!

Sandra

Aí está uma boa sugestão para começar bem o ano!

Lenise Correa

O primeiro videoclip é inspirador. adorei.

Madalena

Como sempre o obvious dá-nos (boa) música. Impagável.

Padilhe Vidotto

Não conhecia Thomas Feiner... valeu a dica. Vou procurar mais.

Júlio Santos

Nunca vi à venda. Vou tentar encontrar. Muito obrigado pela excelente sugestão. Gostei bastante

Cirleude

Pop e da boa. Valeu! Continuem assim parabéns

Darci

De onde é a banda? nunca tinha ouvido

Miguel

Nunca vi à venda. Valha-nos o youtube ;)

Sérgio Marques

Prefiro de longe o "movie"

sao

Darci: Suécia.

Ora aí estão boas referências.

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