Zilda Arns e o Haiti: nossas condolências...

publicado em outros por camila oliveira em 26 jan 2010 | 35 comentários

 Zilda Arns

O trabalho como médica pediatra e sanitarista (formou-se em 1959) lhe fizeram adquirir muita experiência. Como estudante de Medicina, trabalhou como voluntária no hospital infantil Cezar Pernetta. A Drª. Zilda atendia crianças de até um ano de idade e percebia que muitas tinham doenças ou sofriam acidentes facilmente evitáveis. Por isso, sempre dedicava tempo para conversar com as mães e ensiná-las a cuidar melhor de seus filhos. A dedicação passou a conquistar admiradores, tanto que, em 1980, foi convidada a coordenar uma campanha de vacinação para combater a primeira epidemia de poliomielite, tornando-se referência para o próprio Ministério da Saúde. Daí a chegar à Pastoral da Criança foi um passo.

Em 1983, James Grant, na época diretor-executivo do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), propôs ao irmão de Zilda, Dom Paulo Evaristo Arns (hoje cardeal-arcebispo emérito de São Paulo), que a Igreja Católica contribuísse para a diminuição da mortalidade infantil pela difusão do soro caseiro (em um copo médio de água, colocar a medida de duas colheres de chá de açúcar e uma colher de sobremesa de sal, misturar e oferecer para criança em pequenas doses ao longo do dia). Dom Paulo telefonou para a irmã e propôs que ela escrevesse um projeto para apresentar à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Estava nascendo a Pastoral.

 Zilda Arns

Com o surgimento da Pastoral da Criança, abriram-se possibilidades para um novo modo de assistencialismo para diversas regiões do Brasil e no exterior. Nascia uma extensão de auxílio para a saúde pública brasileira e um desses países acalentado recentemente por um desses projetos fora o Haiti. A Drª. Zilda Arns encontrava-se no Haiti, em missão humanitária, quando se deu o terramoto. O teto do edifício onde se encontrava desabou e ela foi atingida, falecendo de imediato.

Da catástrofe ocorrida no Haiti, pelo menos para o Brasil, ficará sempre a lembrança do falecimento da Drª. Zilda Arns, além de levar a refletir sobre vários aspectos da vida humana; como ela é frágil no aspecto físico mas, ao mesmo tempo, adaptável a grandes mudanças desse tipo. Muitos chegam a perguntar porquê certas desventuras da vida acontecem com pessoas e lugares como o Haiti. Em todo caso, pouco sobra para falar da dor da população, tentando se achar ao que sobrou para encarar uma nova realidade.

 Zilda Arns

Camila Oliveiracamila oliveira, 29 anos, brasileira, futura médica, curiosa por natureza, vivendo a vida sem tristeza, para escrever sobre diversos assuntos para testar minha destreza. Saiba como colaborar.

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35 comentários

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Excelente matéria, como sempre muito bem redigida, explicativa, ilustrativa...
Mas vem cá (em off) vc está fazendo medicina ou Jornalismo??? Leva jeito pros 2 hein!!!
Heheheheheh
Bjos

Xarope e Menino em 26 de janeiro de 2010

Obrigada pelo comentario... pois é.. vejam só... uma coisa puxou a outra. Só sei que tenho paixão pelos dois :)..

camila em 26 de janeiro de 2010

Muitos parabéns pelo artigo.
São textos como estes que nos lembram o que é, de facto, bom jornalismo.

João em 26 de janeiro de 2010

Há uma máxima (aqui no Brasil, pelo menos) que o povo esquece sempre o que aconteceu após 5 anos. Talvez o seja pelo ciclo das eleições, onde os erros se repetem e os desmandos oficiais continuam. Mas o trabalho da Dra. Zilda, por mais assistencialista que seja em nossa sociedade desigual, há de ser sempre lembrado. Assim como o de D. Paulo Evaristo, que enfrentou a ditadura e a própria corrente conservadora da Igreja nos anos de chumbo.
Reverenciar e guardar na memória a lembrança destas duas pessoas há de superar os tais cinco anos que a correnteza damediocridade sempre arrasta.

Edson em 26 de janeiro de 2010

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O povo seguia Jesus porque tinha palavras
de esperança. Eis a grande cruz deixada
pela Drª Zilda Ams.
E cumpra-se a missão.

silvioafonso.


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silvioafonso em 26 de janeiro de 2010

uma coisa é certa, ainda bem que passam por este mundo pessoas como a Drª Zilda. Acalenta o coração pois ela fez muito presente plantando sementes de exemplo por onde permaneceu :)...

camila em 26 de janeiro de 2010

Esta mulher era excepcional. Se há tristeza na terra por sua partida, há júbilo nos céus pela sua chegada.

Adilson em 26 de janeiro de 2010

Eu trabalhei na Pastoral em minha terra natal, onde ela nasceu, no interior do Paraná. Trabalhei por mais de 12 anos, voluntariamente. Foram anos de intenso aprendizado: metodologias de alfabetização para adultos, "shantalla" - massagem para bebês, e "brinquedista"..pois esta mulher maravilhosa e sua equipe sabiam que nem só de pão vive o ser humano, sobretudo as cças. Tive o prazer de morar e trabalhar em Timor-Leste..onde de novo reencontro a Pastoral da Criança e oportunamente líderes religiosas e leigas que "cuidavam" para manter acesa essa chama de amor intenso pela vida. Mais do que a todos que "ajudei" nos anos de Pastoral, ajudei seguramente a mim mesma ...e ressignifiquei meu conceito de pobreza. Tive o prazer de conversar e comer junto à mesa, algumas poucas vezes com Dona Zilda, uma delas em Timor-Leste, terra onde o Brasil é tão amado. Ela (é) era um ser humano doce e simples, como poucos. Pena que seu Nobel da paz não veio em vida....apenas foi indicado por 2 vezes àquela que "gerenciava" sempre que possível de bem pertinho, a maior ONG do planeta Terra. Saudades do convívio fraterno com àquela que sempre rejeitou poder político partidário, mas jamais recusou trabalho puramente político, de articulação do e pelo bem! Amém!

Cleo Fernandes em 26 de janeiro de 2010

Eu fiquei triste com a notícia, perplexa mesmo. Ao longo do dia eu tentei entender. Ao cair da tarde eu soube. Dra. Zilda já havia cumprido a parte dela na missão de diminuir o sofrimento daqueles que nascem e precisam de tanto. Cumpriu duplamente ao dar adeus à vida no Haiti. Lugar onde pessoas comem bolachas de terra, de barro, cozidas ao sol para enganar a fome. Ela, ao morrer ali, fez com que alguns de nós, porque nunca são todos, voltassemos a nos indignar com o que é indigno. O descaso, o desprezo pelo semelhante. Ela confirmou a missão familiar: O fazer o que pode ser feito, sem alarde, sem escândalo, sem julgamento, sem exagero. Fazer o que é justo. Na hora justa, sem paixões exacerbadas e amparado na conduta correta, doce mas firme D.Paulo também agiu assim.

Luiza Helena em 27 de janeiro de 2010

Lutou pela vida de tanta gente... Acabou dando a dela... Ficando tantos de novo sem quem lute por eles... A Ela.. a minha homenagem e respeito...

Anabela cabral em 27 de janeiro de 2010

Que tal criar o Prémio Nobel do Fazer Bem sem olhar a quem e entregar a muitas Zildas que existem por esse Mundo.....

Carmo Carvalho em 27 de janeiro de 2010

Concordo com vc Carmo!

Regina Câmara em 27 de janeiro de 2010

Exemplo a ser seguido, sem dúvida uma grande perda para o Brasil e o mundo. Justa homenagem, amigo!

Elce Marie em 27 de janeiro de 2010

Carmo falou tudo:
"Que tal criar o Prémio Nobel do Fazer Bem sem olhar a quem e entregar a muitas Zildas que existem por esse Mundo."

Kity Amaral em 27 de janeiro de 2010

Sem dúvidas uma grande mulher. O mundo vai sentir sua falta.

Igor Patrico em 27 de janeiro de 2010

A dedicação da Dra Zilda Arns é um exemplo a ser seguido e mostra como pedidas simples salvam a vida de muitas crianças desprotegidas neste nosso mundo onde existem ainda tantos pessoas carentes do bem maior que se tem que é a própria vida.

Denise Braga em 27 de janeiro de 2010

Podiamos criar uma pagina no face para as Zilldas e homenagearmos cada uma... será muito muito pouco... mas pelo menos divulgamos... esses seres humanos... anjos descidos a terra...

Anabela cabral em 27 de janeiro de 2010

perdas... perdas...perdas...os bons modelos estão aí!!!

Ana Azevedo em 27 de janeiro de 2010

Gostaria que o trabalho da doutora Zilda tivesse agora mais respaldo institucional neste país... já que em vida, pouco foi o reconhecimento.

Miriam Luiza em 27 de janeiro de 2010

Uma das poucas pessoas que eu realmente admirava no mundo.

Renata Daou em 27 de janeiro de 2010

As vezes penso que Deus é injusto...tanto politico ladrão deveria morrer e não morre e pessoas como ela morrem muitas vezes de forma trágica.

Ines Chaim em 27 de janeiro de 2010

Seu trabalho é espetacular!!!

Luiza Gamosa em 27 de janeiro de 2010

DOUTORA ZILDA ARNS. FOI UMA GRANDE MULHER ...

Zelia Aniceto em 27 de janeiro de 2010

Cumpriu várias missões em 1 só vida.

Carla Castro em 27 de janeiro de 2010

Mulher maravilhosa, da um nó na garganta so pensa nela .....

Luciana Paula em 27 de janeiro de 2010

fico muito feliz que o trabalho de Zilda Arns tenha admiradores em vários lugares.

camila em 27 de janeiro de 2010

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CLEO FERNANDES, você pode ter ambicionado
os votos de pobreza, mas o seu coração se
entregou às maiores de todas as riquezas que
são; a educação e a bondade. Não foi à toa que
você sentou-se ao lado de quem sangrava
quando comia, por saber que muitos morriam
de fome.

silvioafonso.

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silvioafonso em 27 de janeiro de 2010

Silvio... belissima expresão!

camila em 27 de janeiro de 2010

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CAMILA, tem gente que é melhor do que acha.
Assim como tem os que nada valem e se
acham...

silvioafonso.

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silvioafonso em 27 de janeiro de 2010

Silvio.... é o que mais a gente encontra por ai... rs

camila em 28 de janeiro de 2010

MULHER------SHOWWWWWW!!!!

dehy coutinho em 28 de janeiro de 2010

Camila seu artigo cumpriu, de forma objetiva, uma tarefa social que julgo relevante: quem nunca ouviu falar em Zilda Arns poderá ter um contato inicial com a magnificência de um trabalho, de uma luta, de um sonho de uma vida inteira... após refletirmos um pouco sobre a grandiosidade da batalha de salvar crianças injustamente privadas de seus direitos mais básicos, constatamos perplexos, que tudo pode se resumir simbolicamente em uma simplicidade:

"em um copo médio de água, colocar a medida de duas colheres de chá de açúcar e uma colher de sobremesa de sal, misturar e oferecer para criança em pequenas doses ao longo do dia" - "RECEITA DE BOA VONTADE E BONDADE PARA SALVAR VIDAS"...

Andre Machado em 28 de janeiro de 2010

Andre.. obrigada pelo seu comentario sensivel e sincero. :)

camila em 29 de janeiro de 2010

Minha querida !! vc foi uma rosa colhida do jardi , e levada para o pai do céu..mais sempre fica o perfume nas mãos daqueles que oferecem flres..vc será eterna...amei trabalha contigo na recuperaçao de vidas...já sinto saudades de ti..descanse em paz....
cidinha massola...

maria aparecida dos reis massola em 16 de fevereiro de 2010

Com certeza;o Brasil perdeu uma grande omoplata que se chama Zilda Arns.Sò tenho 11 anos de idade mas jà conheco as pessoas legives para comanda essa imensa nacão que se chama Brasil e Zilda Arns era uma dessas pessoas competente com compromisso e cidadania na minha concepcão ela era uma das 50 pessoas capacitadas pra mudar o mundo perdemos ela;mas com certeza a sua memoria esta guardada na memoria de todos.

Samuel Rosàrio de jesus em 30 de abril de 2010

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