Zilda Arns e o Haiti: nossas condolências...

Existem pessoas que aparentemente nascem com uma irremediável vocação. É o caso de Zilda Arns Neumann, que chegou a pensar em dar aulas, mas migrou para a Medicina e, desde sempre, para o trabalho voluntário. Da catástrofe ocorrida no Haiti, pelo menos para o Brasil, ficará sempre a lembrança do falecimento da Drª. Zilda Arns.


 Zilda Arns

O trabalho como médica pediatra e sanitarista (formou-se em 1959) lhe fizeram adquirir muita experiência. Como estudante de Medicina, trabalhou como voluntária no hospital infantil Cezar Pernetta. A Drª. Zilda atendia crianças de até um ano de idade e percebia que muitas tinham doenças ou sofriam acidentes facilmente evitáveis. Por isso, sempre dedicava tempo para conversar com as mães e ensiná-las a cuidar melhor de seus filhos. A dedicação passou a conquistar admiradores, tanto que, em 1980, foi convidada a coordenar uma campanha de vacinação para combater a primeira epidemia de poliomielite, tornando-se referência para o próprio Ministério da Saúde. Daí a chegar à Pastoral da Criança foi um passo.

Em 1983, James Grant, na época diretor-executivo do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), propôs ao irmão de Zilda, Dom Paulo Evaristo Arns (hoje cardeal-arcebispo emérito de São Paulo), que a Igreja Católica contribuísse para a diminuição da mortalidade infantil pela difusão do soro caseiro (em um copo médio de água, colocar a medida de duas colheres de chá de açúcar e uma colher de sobremesa de sal, misturar e oferecer para criança em pequenas doses ao longo do dia). Dom Paulo telefonou para a irmã e propôs que ela escrevesse um projeto para apresentar à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Estava nascendo a Pastoral.

 Zilda Arns

Com o surgimento da Pastoral da Criança, abriram-se possibilidades para um novo modo de assistencialismo para diversas regiões do Brasil e no exterior. Nascia uma extensão de auxílio para a saúde pública brasileira e um desses países acalentado recentemente por um desses projetos fora o Haiti. A Drª. Zilda Arns encontrava-se no Haiti, em missão humanitária, quando se deu o terramoto. O teto do edifício onde se encontrava desabou e ela foi atingida, falecendo de imediato.

Da catástrofe ocorrida no Haiti, pelo menos para o Brasil, ficará sempre a lembrança do falecimento da Drª. Zilda Arns, além de levar a refletir sobre vários aspectos da vida humana; como ela é frágil no aspecto físico mas, ao mesmo tempo, adaptável a grandes mudanças desse tipo. Muitos chegam a perguntar porquê certas desventuras da vida acontecem com pessoas e lugares como o Haiti. Em todo caso, pouco sobra para falar da dor da população, tentando se achar ao que sobrou para encarar uma nova realidade.

 Zilda Arns


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