El Bulli, o melhor restaurante do mundo

Ímpar, atípico, inovador, arrojado. Uma experiência gastronómica única é o que o melhor dos restaurantes, sob a alçada do chef Ferran Adrià, propõe aos seus selectos clientes e, no fundo, a todos pelo seu savoir-faire. Fechado seis meses por ano e com uma procura de dois milhões para apenas 8000 refeições servidas, conseguir uma reserva será uma proeza e, a experiência algo que nunca esquecerá.


restaurante gastronomia

Antes de mais, não é de todo, um restaurante comum, ainda que comparado a alguns dos melhores e mais exclusivos restaurantes do planeta. O El Bulli, localizado em Roses, na Costa Brava espanhola, foi descrito como “o mais imaginativo gerador de haute cuisine no mundo”, tendo já arrebatado três estrelas do Guia Michelin. Detém também o recorde da prestigiada revista gastronómica “Restaurant”, ficando em 2002 e de 2006 a 2009, no primeiro lugar do ranking, distinguindo-se como "o melhor restaurante do mundo", na lista dos 50 melhores.

Abre apenas por um período de seis meses por ano, consecutivos mas variáveis. Em 2010, por exemplo, estará em funcionamento entre Junho e Dezembro. É impossível conseguir entrar sem reserva, e conseguir uma é, por si só, um feito, uma vez que as reservas são feitas exclusivamente no dia seguinte ao fecho da estação. Abrindo só para jantares, serve anualmente um total de 8000 refeições, ainda que os pedidos possam ascender aos dois milhões.

Propriedade do chef catalão Ferran Adrià, o pequeno restaurante, entre as montanhas e o mar, contemplando a baía de Cala Montjoi, conta já com quase meio século de existência. Foi criado em 1964 pelo Dr. Hans Schilling e pela sua mulher, Marketta, e curiosamente baptizado de “El Bulli” devido aos bulldogs franceses que o casal tinha na sua companhia.

O restaurante recebeu a sua primeira estrela Michelin sob a direcção do chef francês Jean-Louis Neichel. Ferran Adrià veio a juntar-se ao staff em 1984, e já sob a sua tutela, o El Bulli recebeu as restantes estrelas, em 1990 e 1997, respectivamente.

Adrià é hoje para a gastronomia o que Dali foi para a pintura e, pela arte de subverter o senso comum e pelo desafiar constante do conhecimento dos outros chefs, transformou o seu restaurante num dos mais conhecidos e influentes do mundo. Transforma foie gras em espuma, serve molhos em ampolas de plástico, e é também em plástico que serve a sua ‘paella crujiente’, um arroz tostado com um fortíssimo sabor a crustáceos que o cliente deve sorver de uma só vez… O seu menu de degustação de trinta pratos, com o qual são brindados, sem excepção, todos os clientes, é assim uma síntese das artes culinárias que desconstrói as receitas e necessita de instruções para ser desfrutado adequadamente. Faz tudo parte da experiência!

Conhecido internacionalmente como o “alquimista da cozinha”, Ferran Adrià, continua a revolucionar a gastronomia com conceitos de química e física, muitos deles adquiridos pela intensa pesquisa e desenvolvimento na área da gastronomia molecular. Esta é a razão pela qual o El Bulli é encerrado durante tanto tempo. Estudando as micropropriedades de alimentos específicos, bem como os processos químicos por detrás da transformação destes, foi possível a criação de receitas inigualáveis, de texturas e sabores únicos e inesperados.

restaurante gastronomia

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Ao contrário do que seria de esperar, uma refeição no El Bulli tem um custo médio de €250, o que não pode contrabalançar de forma alguma o investimento na criação dos pratos, a exclusividade e, claro, a experiência em si. É em resultado deste desprendimento económico que o restaurante tem operado em prejuízo desde o ano 2000. Porém, longe de ditar o seu declínio, Ferran Adrià faz das características do El Bulli a fonte de lucro, não sendo o seu objectivo outro senão o de ser não só um laboratório, mas também uma escola, já que emprega até 42 chefs em simultâneo e estabelece parcerias rentáveis com grandes cadeias alimentares. Isto permite que o estabelecimento subsista, ao mesmo tempo que investiga, inova, partilha e se protege legalmente dos que procuram copiar a sua fórmula de sucesso. Embora o restaurante não seja rentável, o conjunto de negócios de que participa, é-o.

Personificando em Adrià o espírito vanguardista, o El Bulli, um pequeno ponto a 150 Km de Barcelona, na fronteira com França, passará os anos de 2012 e 2013 encerrado ao público – reabre em 2014 –, num período destinado a repensar novos formatos e a reinventar aquele que é já um dos mais emblemáticos restaurantes do mundo.

restaurante gastronomia

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El Bulli


alexandre romero

, um cidadão do mundo. Classicista, escritor, fotógrafo, pintor experimental, o homem dos mil ofícios.
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