
Sempre existiram muitas argumentações entre o que é belo e o que é feio, invariavelmente sempre dependente do ponto de vista ou de um fenômeno cultural.
Desde 2007 que artista Inglesa Kate MaccGwire surge com a iniciativa de unir esses dois conceitos. Através de suas impressionantes esculturas com penas de pombos, busca resgatar a natureza da beleza e mostrar-nos que a idéia do belo, não necessariamente significa algo que somente encanta os sentidos; mas que também pode repelir e nos fazer questionar as coisas à nossa volta.
Os pombos da cidade que lotam o topo dos prédios, igrejas e calhas de galpões, são aves geralmente conhecidas como sendo sujas e transmissoras de doenças, podendo à primeira vista causar uma certa repulsa. É precisamente por esse motivo que Kate optou por utilizar as penas dessas aves como matéria prima em suas obras. Tipicamente, dispõe as penas nas suas esculturas de forma a causar uma impressão de algo líquido em movimento, como um fluxo de água.
O seu primeiro trabalho - Retch - não decorreu numa galeria de artes, mas sim, nos esgotos da cripta da Igreja de St. Pancras, em Londres. A idéia repelente de uma inundação de penas que saem do esgoto é propositada, mas ao mesmo tempo o observador compreende o conceito, e a repulsa transforma-se em admiração perante a obra que observa


Outra instalação - intitulada Heave - decorreu em 2008, desta vez na Fieldgate Gallery, também em Londres. Através de um buraco na parede jorra um fluxo de penas que se espalham pelo chão. A instalação segue o mesmo conceito; capturar a visão do espectador levando-o novamente a concepção do estranho e belo, fazendo-o rever idéias preconcebidas e preconceitos, assim como faz com os pombos.


Uma das grandes referências no trabalho de Kate vem de Freud e do seu artigo sobre a palavra Unheimlich, que significa inquietante. Esta referencia fica nítida numa das suas mais intrigantes obras - Vex - feita em 2009. Presa numa caixa de vidro, surge uma criatura que desafia os naturalistas a chegarem a alguma classificação. Metade serpente, metade ave, esconde seu rosto dentro de seu corpo causando uma sensação de completa estranheza e contemplação.

Diante de tantas penas, é inevitável perguntar-se por sua proveniência, porém, não se preocupe, nenhum pombo foi ferido no processo. Kate segue a idéia de coleta e reutilização, e grande parte das penas é angariada em armazéns abandonados e através de doações de criadores de pombos-correio.
O trabalho de Kate MaccGwire pode transmitir inúmeras sensações, porém nenhuma delas é a indiferença. O conceito que gera em torno da utilização das penas e o modo como o faz é surpreendente. Beirando uma perspectiva abstrata, transporta o espectador para dentro de um mundo, onde nem tudo é o que parece ser.



Conheça mais no site da kate mccgwire.
Comentários
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Ludji
Tá, desculpa mais vou ter que ser ligeiramente indecente: o blog é do kctttt, putz, maravilhosa fonte de pesquisa e enaltecimento. Pois é, as vezes faço uso de palavras pedantes, quando o sujeito merece um adjetivo mais opulento... Obrigadiuuu!
Uma brasileira perdida (literalmente?) em Montreal. ;)
paca
Muito louco!
lilia
isso é completamente incrivel.$$$
Gilmara
Como as penas foram obtidas? Provavelmente foram retiradas dos animais ainda vivo, submetendo-os a dor terrível. Isso não é arte!!!
Rafaela
Entre tantos questionamento sobre a Arte,o Belo,o Incrivel,minha pergunta é:São penas verdadeiras?ja me intristeço so de pensar na possibilidade de serem!!!
A Arte é linda,é Bela,desde que ñ ameaça a Natureza.
Dan
As penas?
"é inevitável perguntar-se por sua proveniência, porém, não se preocupe, nenhum pombo foi ferido no processo. Kate segue a idéia de coleta e reutilização, e grande parte das penas é angariada em armazéns abandonados e através de doações de criadores de pombos-correio."
Angelo
Haja pena p/ fazer esses trabalhos.
As esculturas são geniais! mas n tenho pena.
avimo
Fantastico.
Sandro
Eu achei belo. Embora não concordar com a matança das avesse forem penas naturais.
F.S
Incrível como ela consegue retratar em sua arte o movimento perfeito de um líquido se espalhando...
Impressionante!
Fabio Soares
Irado!!! Haja paciência...
disco
No Porto hoje em dia já não há pombos... só podem ter vindo daí!
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