o segredos dos felinos

Não se trata do endeusamento dos gatos. Pelo contrário do contrário. O eco que transita, sem perder força, é o da subserviência por parte deles. Os cínicos e misteriosos felinos estariam a serviço de nós, meros existencialistas? Os revestidos por uma terna pelagem estariam propensos à obediência? A máxima “dar para receber” configura uma interação recíproca de carícia?
Estabelecemos uma relação afetiva, supostamente, mútua. Até o mais cético reconheceria a correspondência por parte deles. Romantistas de noites mal dormidas romperiam com esse mito.
Domesticados, manifestam desdém profundo com os bípedes. São tratados, cuidados, bajulados, e retribuem com desprezo. Felinos são enigmáticos. Divertidos. E estupidificantes, diria. Por mais equivocado que pareça, não nos dão a mínima bola.
No ínfimo dos cuidadosos e flexíveis rastros, sustentam um detalhado e minucioso estudo sobre a raça humana. E, por vezes, percebo que manifestam uma sensação de perda de tempo. Como se a humanidade fosse um objeto trivial, pífio, fútil, banal, ordinário, vulgar, medíocre – e mais alguns adjetivos refletores da raça humana.
Nossas ciências positivistas, vãs filosofias, artes subjetivas e literaturas líricas devem ser, para eles, uma piada de mal gosto. Nosso caso é um caso perdido – por isso, não há vantagens que justifiquem a revelação deles, como seres absurdamente inteligentes.
Às vezes, entre meia e cheia xícara de chá, observo um deles desatando uma bola de lã. Aparentemente, direitíssimo. No entanto, acredito que o traiçoeiro está estruturando uma nova teoria macroeconômica, de proporções que deixariam Marxistas com os cigarros apagados.
Algumas bibliotecas empregam gatos. Em troca de ração, eles respeitam o silêncio e atribuem um teor lúdico ao estabelecimento. Um tanto exótico: os cautelosos e introspectivos felinos vagando pelas estantes de livros. Estes, na sociedade felídea, são os humoristas – e que comédia sem sal é o arsenal de escritos humanos!
Termino por aqui meu atrevimento. E espero, nesta noite, não transubstanciar em um cadáver imerso ao leite.


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19 comentários
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dri em 13 de março de 2010
Os felinos são tão bons amigos, quanto os cachorros, por mais que não pulem de alegria quando nos veem, procuram estar sempre no mesmo ambiente, nos observando e trasmitindo sempre uma sensação de paz e tranquilidade. São uma peça a mais no equilíbrio de qualquer lar. São independentes e os admiro por isso.
Adoro esses bichanos!!
Isis em 13 de março de 2010
I agree, cats are simply the best!
Join my group, cats are the best pets!
AB
amelia brooker em 13 de março de 2010
Na verdade os gatos são muito pouco inteligentes, diria quase burros até.
Mas têm um sentido elevadíssimo da geometria e da mecânica (verificação pessoal durante anos a fio), para além de um equilíbrio dinâmico incrível.
Penso que é a sua burrice inata que os faz ter um ar de desprezo por tudo quanto é humano. No entanto sabem estabelecer relações de cumplicidade connosco quando, por exemplo, se deitam de costas viradas para nós para que os afaguemos e protejamos, ou quando vão buscar um brinquedo deles para que nós nos alegremos a jogar com eles.
Pessoalmente considero que os gatos são a melhor companhia animal de um humano.
cisco em 13 de março de 2010
Tive gatos durante a maior parte da minha vida.
O último que tive faria 20 anos no ano posterior
à sua morte. Posso portanto comentar um pouco
sobre este animal tão social, amigo, reconhecido
mas sempre independente e de uma dignidade
notável. Não tem o comportamento de um cão,
nem se espero as brincadeiras destes,mas sabem muito bem quem os trata e isso reconhe-
cem sem bajulice. Gostam muito de esfregarem
os focinhos e especialmente a zona dos lábios nos nós dos dedos da mão, que se lhe coce de-
baixo do maxilar e arqueiam o lombo quando se
lhe passa a mão,mas não repetitivamente pois
a electricidade estática que se cria com essa ca-
rícia deve ser dolorosa pois prontamente se viram e arranham ou mordem a mão próxima,às
vezes a do dono. Apesar de se conviver diaria-
mente com eles continuam a sempre sempre enigmáticos e misteriosos,Em suma um felino doméstico mas pouco. Gosto muito destes animais.G.Birth
para morder
jorge nascimento em 13 de março de 2010
Meu gato parece mais um cachorro, quando chego em casa do trabalho, ele fica o tempo todo comigo, sempre q eu deixo, ele está no meu colo, parece mais uma relação cachorro + homem do que de gatos, muitos 'desprezam' mais o meu é muito atencioso, engraçado não?
Leno em 13 de março de 2010
Ouvi um ditado uma vez: do cachorro você é dono, do gato voce é funcionário.
Exigentes, autolimpantes, misteriosos, companheiros, etc. Enfim, são animais muito astrais, logo percebem um ambiente alegre ou não, pessoas hostis, etc. Nós é que não os entendemos.
Estela em 13 de março de 2010
O autor quis ser brilhante, mas resultou pedante e completamente ignorante em matéria de felideos.
Ora, os gatos - concordo que são enigmaticos -, que Borges via como "tigres domesticos" não subservientes como os cães. Não foram criados para servir, mas para serem servidos.
Franklin Jorge em 14 de março de 2010
Adorei como a idéia foi abordada.
A forma como você tratou a sua observação em relação as características deste animal, atribuindo um ar poético e mistico, sem parecer.
Talvez você simplesmente só tenha escrito sem muitas pretenções.
Mas achei bem original.
AALMEIDA em 14 de março de 2010
Os gatos ou os animais não tem sentimentos humanos. Desprezo e coisas assim são características que colocamos nos animais por uma carencia humana talvez. Eles só, não gostam (se é que se pode falar assim) de sofrer. Dor, fome e medo todos os seres que tem sistema Nervoso Central sentem. E não é nada bom. Mas qdo perdem a confiança em quem cuida deles, demora muito pra recuperar.
Bernadete de Paula em 14 de março de 2010
A "crônica" surgiu de inúmeros dias de detidas e ponderadas observações absurdamente minuciosas.
Brincadeiras á parte, não tinha muitas pretensões como disse alguém em um comentário acima.
André HP em 15 de março de 2010
Felinos não têm segredos. São instintivos. Gatos domésticos podem ser grandes companheiros e fiéis. Vai da personalidade. Soube da história de um gato que, após a morte de seu dono, bateu com a cabeça na parede repetidas vezes em busca da morte. Minha gata, que morreu de câncer há 4 anos, vinha dormir comigo quando eu dava dois leves tapas na cama, acompanhados de um chamado suave. Ela se enroscava em meus braços e esperava eu dormir, para poder buscar o sossego e a liberdade, inerente à raça. O caro jornalista André, que afirma que os gatos "não nos dão a mínima bola", não os conhece profundamente. Abraços!
Fernanda Serpa em 15 de março de 2010
Uma involução dos felinos, agora caseiros, quase bibelô, muitos até são desprovidos do sexo pelos donos.
Quem precise de companhia aconselho um bonzai.
Eduardo Correia em 19 de março de 2010
Muito do que foi dito aqui pode ser encontrado no livro "Eu sou um gato" de Natsume Soseki. Há críticas ao positivismo e a afirmação de que os humanos devem reconhercer sua própia imbecilidade, por exemplo.
Natanael em 19 de março de 2010
Gatos são animais fascinantes, altivos, lindos, parecem principes até para dormirem. Postura magnifica, são amigos e carinhosos, nada tem de burros, têm personalidade própria e não abanam os rabos como cachorros que latem enquanto fazem isso e então a gente nao sabe se estão bravos ou sendo amigos. É uma pena que sejam tão preconceituados, aliás devemos respeito a todos eles....Ja tive muitos gatos na vida e nunca vou deixar de tê-los, eles morreram de velhinhos de tão bem cuidados.....sempre dormiram na minha cama e manifestaram muito carinho e atenção como agradecimento aos cuidados surpreendendo com atitudes parecidas com as que têm em geral os cães......derrubando paradigmas a respeito deste animalzinho doméstico e maravilhoso........
Lilian M Mansur em 6 de maio de 2010
A injustiça seja lá com quem for, onde for, é
algo que me dói na alma... E nunca li algo
tão injusto como esse artigo em relação aos gatos.
Antes de conviver com eles, eu não entendia
muito a sua reserva, seu silêncio e por que
eram tão arredios... até que ganhei um gato,
vinte e cinco anos atrás. Então percebi como
eram seres especiais e maravilhosos; e muito úteis também.
Depois desse, tive um após outro...
É só aprender a entendê-los... São fáceis de se educar, amigos e companheiros; e amam como o ser humano jamais foi capaz de amar!
Nair Lúcia de Britto em 6 de maio de 2010
cães tem donos, gatos tem staff.
Bel em 31 de maio de 2010
"Domesticados, manifestam desdém profundo com os bípedes. São tratados, cuidados, bajulados, e retribuem com desprezo. Felinos são enigmáticos. Divertidos. E estupidificantes, diria. Por mais equivocado que pareça, não nos dão a mínima bola."
Acho que quem escreveu este texto nunca não entende nada de gatos.
Meus gatos são amigo e companheiros
Magali Oliveira em 3 de junho de 2010
Tenho um gato. O mais lindo e fofo do universo [com a sua licença, é claro]. Cresci sem ter tido um animal de estimação. Quando dei de cara com um em minha casa, já era adulta e o 'bicho' à pretensa estimação era um bichano. Pois bem, encarei com desafio e acho que foi um desafio recíproco. O tal bichano era recém nascido e não fugiu de mim embora tenha tido muitas oportunidades, quase sempre quis a minha companhia e demonstrou claramente isso. Eu ainda não o amava mas por causa dessa 'consideração' dele para comigo passei a lhe oferecer uma atenção um pouquinho mais diferenciada ao que ele retribuiu com performances incríveis de acrobacias e palhaçadas num nítido intúito deferencia. E não. Eu não o alimentava. Isso quem fazia era outra pessoa. De mim ele só recebia olhar curioso e atento. E assim foi até que ele me conseguiu conquistar. Amei aquele bichano e passei a gostar e admirar todos os outros felinos da face da terra por causa dele. São animais lindos e sofisticados. Merecem toda a nossa admiração e cuidado.
Shirley em 3 de junho de 2010
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