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Annemarie Schwarzenbach - O poder da imagem e da palavra

publicado em fotografia por | 16 comentários

Annemarie Schwarzenbach, foi escritora, fotógrafa e jornalista. A sede de viagens, fez com que percorre-se o mundo retratando a sua realidade histórica e cultural e descrevendo as suas vivências. Uma mulher atraída pelo perigo e que vivia sobre o limite do risco. Uma vida difícil, um testemunho que é caracterizado pela coragem de simplesmente se ser o que se é. O poder da imagem e da palavra foi o bem mais valioso que entregou ao mundo.

Annemarie SchwarzenbachAnnemarie Schwarzenbach

Numa época difícil e histórica, onde imperava o fascismo, Annemarie Schwarzenbach, foi mulher, escritora, jornalista e fotógrafa. Escolheu viver uma vida repleta de aventuras e perigos, desafiando-se a si própria, retratando o mundo, descrevendo o que vivia e o que sentia.

"Não tenho profissão. Poderia exercer qualquer uma. Viver em todas as cidades. Sentir-me em casa em todos os países." Sede de viagens, perigo, luta contra os ideais fascistas, foram uma constante no seu percurso de vida.

Annemarie Schwarzenbach, nasceu em Zurique a 23 de Maio de 1908. Proveniente de uma família abastada e conservadora, frequentou escolas particulares, explorou a vertente artística musical e, mais tarde, veio a obter o doutoramento em história pela Universidade de Zurique.

Rompeu a regra e fez parte do grupo das primeiras mulheres a obter este estatuto Universitário. Descobriu cedo a sua vocação para a escrita, tendo publicado o seu primeiro romance, "Um Bernhard Freunde", mal terminou os estudos. Ao dom da palavra escrita juntou-se a profissão de Jornalista que iniciou ainda enquanto estudava.

A vida de Annemarie, foi recheada de conflitos interiores e descobertas. Numa época em que se propagava a ideologia Nazi e Fascista, criou amizade com Judeus e refugiados políticos Alemães, entrando em conflito com a ideologia da própria família.

Annemarie SchwarzenbachAnnemarie Schwarzenbach
USA, Nov. a Dez de 1937

Assume-se como lésbica, atraindo no entanto homens e mulheres, devido ao seu estilo de vida invulgar e sentido de risco que a caracterizavam. Em Berlim, na companhia de Klaus Mann, seu grande amigo, Annemarie adopta um estilo de vida boémio. Círculos artísticos, contacto com drogas, estados de embriagues frequentes, faziam parte da sua vida nocturna, vivendo perigosamente e tornando-se, mais tarde, toxicodependente.

Ao longo da sua breve vida (1908-1942), Annemarie Schwarzenbach, efectuou numerosas reportagens fotográficas pela Europa, Médio Oriente (Irão, Iraque e Afeganistão), África e América do Norte, destacando-se a sua passagem por Lisboa durante o Estado Novo.

Annemarie SchwarzenbachAnnemarie Schwarzenbach
Afeganistão, 1939-1940

As suas reportagens fotográficas, textos jornalísticos e literários, desempenharam a função de nos permitir entender o que era o mundo entre as duas Grandes Guerras. Foi-nos deixado todo um legado de imagens reais e estados de alma genuínos. Muito da personalidade de Annemarie consta nas suas obras, como por exemplo, A morte na pérsia, obra que escreveu após ter enfrentado o isolamento no seu percurso pelo país.

Durante o seu percurso de vida casou com um amigo homossexual apenas por conveniência, e viveu algumas relações com mulheres, que resultaram em relações falhadas, sobretudo devido à sua dependência em relação às drogas. Travou lutas constantes contra a toxicodependência e contra a depressão. As viagens, assumiam uma forma de escape, e a fotografia e a escrita uma forma de entrega pessoal para com o mundo.

Annemarie Schwarzenbach morre em 1942, vítima de uma queda e de um diagnóstico equivocado. Deixou-nos um legado de imagens e textos literários que nos enchem a alma, um testemunho de vida surpreendente, recheado de coragem, e uma visão histórica de épocas difíceis de serem vividas.

"Só me meti a caminho para aprender o terror." Annemarie Schwarzenbach, O Vale Feliz

Annemarie SchwarzenbachAnnemarie Schwarzenbach
Afeganistão, 1939-1940

Annemarie SchwarzenbachAnnemarie Schwarzenbach
Índia, 1939-1940

Annemarie Schwarzenbach

 

catarina pires de olhos e ouvidos atentos para boas histórias, acredita no poder da imagem e valoriza o poder da palavra. Saiba como fazer parte da obvious.

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Certo...e muito bonito ser aventureiro e gabar-se sobre isso quando se tem dinheiro!

""Não tenho profissão. Poderia exercer qualquer uma. Viver em todas as cidades. Sentir-me em casa em todos os países."

Faz-me lembrar Darwin...que grande homem!
Para quem nao reparou, estou a ser sarcastico...

Realmente, para na epoca dele, com a idade dele, ter podido viajar pelo mundo estava ao alcance de qualquer um!

E o mesmo digo para os "grandes artistas", escultores e cientistas da idade media. Quando todos os outros passavam fome e lixavam-se a trabalhar, aqueles podiam dar-se ao luxo de serem intelectuais...e agora sao louvados por que eram muito inteligentes!

Hugz,
Luis

Cesar

Luis, que coisa mais mesquinha e invejosa...

Tem um monte de artistas, cientistas, e intelectuais que "comeram o pão que o Diabo amassou", eram pobres e se conservaram pobres até o fim dos dias. Entre os artistas, havia até os loucos e os desajustados, gente como Leonardo, Van Gogh e etc. E havia os que nasceram em berço esplêndido, e não tinham dificuldades financeiras, mas ainda assim tiveram que enfrentar as pressões da sociedade da época, como o machismo, ou o comunismo, ou o capitalismo, ou o fascismo, ou o pensamento religioso fanático, etc. A vida é assim.

O que não se pode admitir é que alguém seja criticado por que nasceu rico ou nasceu pobre: isto é um preconceito, uma besteira. Um quadro não é mais belo por que o artista passou fome, uma teoria científica não é mais verdadeira por que o cientista era bem-nascido, uma filosofia não é mais importante por que o filósofo era perseguido. Este tipo de argumentação, que fulano nasceu rico e por isto fez o que fez, não leva a nada, é uma crítica vazia, e que só faz pensar na inveja de quem a emitiu, além de ser falsa: tem muito mais gente que nasce rica e não faz absolutamente nada que mereça menção, e tem gente pobre que não faz mais que fortalecer a estrutura que o fez pobre. E daí?

Karim König

Só, passei para dizer que:
Faço das palavras do Sr. Cesar as minhas!!

E tenho dito!!!

João M. Santos

Tanto o Luís, quanto o César, ambos estão corretos em partes dos seus argumentos.
O que me choca são as colocações deselegantes, como julgar o confrade do OBVIUS, disso e daquilo.
Ora, vamos e venhamos, todos tem o direito de dar suas opiniões e de serem respeitados.
Não vejo razão nenhuma desse julgamento da PESSOA.
Se alguém não concorda com os argumentos, exponha os seus sem ferir o outro e ponto final.

Joanália

João M. Santos

Concordo com você em parte. Acho que o que o cesar disse, talves um tanto ríspido, seja pela
surperesa, de depois de ler um texto que fale de coragem, pessoas com personalidade, luta contra preconceitos, vícios (Veja que ela própria travou uma luta pessoal ), a pessoa consegue ver apenas o lado ruim. É como quem vê numa rosa, apenas espinhos.

Cesar,

Atencao que eu nao tenho nada contra quem faz pela vida e luta por ela - tenho o MAIOR respeito.

Neste caso, dei-me ao trabalho de pesquisar e vi que ela era filha de um industrial abastado (o que, obviamente, lhe permitiu ter aquele tipo de vida).

Novamente, sou contra alguem ser rico e se gabar disso - tal como foi demonstrado naquela frase - ...acho estupido, porco e nojento.

Hugz,
Luis

César

Acho mesquinharia desprezar alguém e o que esta pessoa fez baseado em um conceito como o berço que a pessoa nasceu. Charles Darwin era um gênio, sim, e fez uma viagem ao redor do mundo, onde descobriu um monte de coisas. Mas quer saber? No navio haviam marinheiros, carvoeiros, e mais um monte de gente. E não foi só Charles Darwin quem viajou ao redor do mundo e conheceu animais diferentes, piratas, bandidos, e mesmo mendigos também fizeram isto. Mas foi Charles Darwin quem coligiu as observações em um livro e acabou por lançar a teoria da evolução das espécies. Não foi o carvoeiro do navio. Não foi o marujo no cesto da gávea. Não foi o capitão do navio. Foi o gênio Charles Darwin.

Voltando à Annemarie, sim, ela nasceu de família abastada. Sim, ela poderia trabalhar em qualquer profissão, e poderia até não trabalhar em profissão alguma. Sim, ela era drogada, lésbica, e depressão. E ela também deixou um legado. Ela não é celebrada como um gênio fantástico, mas uma pessoa sensível, que retratou a época em que vivia. Uma vida preciosa, simplesmente por que ela viveu. Vamos agora desprezar todo o trabalho da vida dela, só por que ela nasceu de família abastada? Nada mais conta, na vida de alguma pessoa, senão alguma coisa sobre a qual ela não tem controle algum? Ou alguém escolhe onde quer nascer, e de quem quer nascer?

Felipe

Só uma coisa, Luiz: Darwin nao viveu na idade média, e se qualquer pessoa na idade média se atrevesse a dizer o que ele dizia, certamente seria morto por contestar o criacionismo.
Quanto à sua visão sobre os intelectuais, saiba que se não fosse por eles a vida das pessoas que "se lixavam" de trabalhar jamais melhoraria. Mas se você não gosta mesmo dos intelectuais fique tranquilo, aposto que você jamais se tornará um.

Caros intelectuais (especialmente o Felipe),

Em primeiro lugar, eu nao disse que Darwin viveu na idade media - eu comparei-o aos "grandes artistas da idade media".

Quanto ao meu ponto de vista, formei-o a partir de informacao que, nao sendo intelectual, li no passado:
http://blogs.sciencemag.org/origins/2009/03/darwins-college-bills.html

"The bills add up to a grand total of £636 for the 3 years Darwin spent in Cambridge. In modern standards, this sum translates to about £40,000 ($57,700) according to the Victorian Web's conversion table. A seemingly staggering amount of money, but van Wyhe calls it "nothing unusual for a student from a wealthy background." Still, he admits, "Darwin was a little on the expensive side.""

Estas informacoes fizeram-me repensar no valor que damos aos genios - mas la esta, nao sou intelectual, dei apenas por mim a pensar nisso nao por estar a filosofar sobre o assunto mas porque sou mesquinho nao e?

A grande diferenca entre mim e voces e que eu dou real valor a quem tem de batalhar pela vida.

Voces duvidam que teriamos tantos outros "genios" se toda a gente tivesse as oportunidades que eles tiveram por virem de familias abastadas?

Cumprimentos,
Luis Silva

Cesar

Luiz

Opinião é opinião, mas você aí fez um pouco mais do que emitir a tua opinião. Formou um julgamento preconceituoso sobre os que responderam à sua mensagem.

Primeiro, só por que eu dou valor ao gênio, não significa que não dou valor a quem não trabalha. Não é esta a diferença entre eu e você, como você chegou à conclusão. A diferença é que você não dá valor a quem nasce em berço rico. Preconceito por que o cara nasceu de família rica, é o que você tem.

Segundo, se você só dá valor ao que rala para viver, poderia ser coerente e viver com o que eles realizaram. Por exemplo, o saneamento básico com certeza foi idéia de alguém que tinha tempo para pensar, e não precisava ralar para viver, então começa morando em uma favela sem água nem esgoto. Da mesma forma, a energia elétrica com certeza foi invenção de gente abastada, não de gente que tinha que ralar para viver. Então desiste de ter energia elétrica - em nome da coerência. A medicina também é uma coisa de desocupados, até mesmo a pajelança é coisa de pajés, índios que não precisam caçar para viver, então esquece medicina, medicamentos, e mesmo passes e outras coisas. Entendeu o que quero dizer? É fácil hipocritamente acusar os gênios do passado de serem janotas e filhinhos de papai enquanto aproveita todos os benefícios do que fizeram. E se você acha que não tem nenhum benefício direto da Teoria da Evolução, você precisa se informar mais...

Finalmente, eu duvido que quem rala, se tivesse a oportunidade de nascer rico e não precisar se preocupar com a vida, faria tanto ou mais que os artistas e cientistas e gênios do passado. Quantas pessoas já nasceram com a vida feita, e passaram na vida sem deixar marcas? Viveram vidas vazias, sem apresentar a marca do gênio? E quantos gênios viveram na miséria, e mesmo assim brilharam, deixando a marca do gênio na história? Quantos gastaram tanto ou mais que Charles Darwin em sua faculdade e nunca fizeram mais que assumir um consultório deixado pelo pai, ou se estabelecer como um profissional medíocre?

Ao contrário do que você parece pensar, NÃO É O DINHEIRO QUE FAZ O GÊNIO.

na época de Darwin, os estudiosos, intelectuais e etc, não trabalhavam, assim como também todos ou a maioria dos integrantes de sua classe.
O numero de criados trabalhando em Londres em casas de família era impressioante, não tenho dados concretos mas qualquer um que tenha tempo e saco pode pesquisar na rede.
Os trabalhadores, esses sim morriam nas tecelagens e nas siderurgicas em jornadas de trabalho insanas e imfames...OK, todos sabemos disso.
O que esta em pauta é outro assunto, o Burgues sabe que é burgues e pode-se dar-se ao luxo, inclusive de tentar ser artista, o operário é o que é e ninguém melhor do que ele para sabe-lo. O problema é o pequeno-burgues, esse sim é ressentido e invejoso, inveja o burgues e adoraria ser, no fundo, como ele e ao mesmo tempo não consegue pensar em defender a sua classe como o operário. Resta-lhe mastigar a sua resignação pelos cantos. Os ricos são ricos e queiramos ou não movem o mundo, as classes baixas trabalham e lutam por sair a superficie mas a classe média, essa sim é MÉDIA, inclusive e principalmente quando se põe a analizar o mundo que a cerca.

Tarava

César e Pablo temos que deixar o amigo Luís voltar ao seu mundo pré-histórico onde o homem não tinha tempo senão para tratar do imediato para a sua sobrevivência.
O Luís não tem tempo para emoções nem para as alegrias da criatividade. É um pouco como naquele poema de António Gedeão (era um professor que não vivia mal):

Calçada de Carriche:

Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe
sobe a calçada.
Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
...
http://www.citi.pt/cultura/literatura/poesia/antonio_gedeao/carriche.html

Ricardo Cardoso

Vou pedir desculpas, talvez pela minha ignorancia, mas entendo o que o Luis quis dizer. Ora vejamos:
Annemarie disse:"Não tenho profissão. Poderia exercer qualquer uma. Viver em todas as cidades. Sentir-me em casa em todos os países."
Posso interpretar isto de 2 formas: ela era uma pessoa do mundo, adaptava-se em qualquer lado e podia ter qualquer profissão porque era genial, ou então posso dar outro sentido: ela pertencia a uma familia abastada, logo podia viajar e viver em qualquer lado porque o dinheiro lhe permitia; por outro lado, o facto de ser rica, possivelmente influente, por si só dar-lhe-ía a oportunidade de ter a profissão que queria. Qual das 2 interpretações estão correctas?? Possivelmente só iríamos saber se ela tivesse nascido duas vezes: uma vez pobre e outra vez rica!
De facto, contrariar ideologias da época, foi um atrevimento que lhe poderia ter custado a vida, daí ter tido o seu mérito! Por outro lado pode ter sido simplesmente " l'enfant terrible" que gostava de ser do contra!!
Esta não é mais que uma história de vida( fantástica pelos vistos)

vania lucia evangelista

A gente vê tanta gente rica que não faz nada, e pobre também, alias por isso continuam pobre!
Então parabens para quem soube aproveitar o seu dinheiro(apesar das drogas e outros vicios mais)Ser lesbica não é defeito e sim opção sexual, vamos respeitar!!!!

Ladislau Cardoso

Sou brasileiro, não sou inteletual tampouco boçal. Não sou rico, sou pobre, porém não favelado.
Sou radialista e jornalista, cuja profissão exerço hoje com vergonha pelos critérios de subserviência que nos impõe as classe dominantes. Um jornalismo aético e comprometido com interesses mesquinhos do lucro voraz. O pobre sobrevive e o rico vive faustosamente. O rico tem mais oportunidades, o pobre não ousa pensar, não dispõe de tempo e recursos para o desenvolvimento de idéias e pesquisas. A má distribuição de renda no mundo, a ganância, a indiferença, o egoísmo, nos obriga a definir que o homem é, ainda, biológicamente primitivo. Sentimentos primários são exarcebados e corporativamente mantidos. Tivessem todos a mesma oportunidade e o mundo certamente seria mais justo e melhor. Todos, sem exceção, teriam direito ao desenvolvimento e aprimoramente de suas sensibiliades e idéias, seja através do registro fotográfico, literário, artístico enfim. No mundo atual, as guerras religiosas, as guerras pela água, pelas fronteiras do esgotável petróleo, pelos recursos naturais atuam como cortina da verdadeira causa: a injustiça social. Annemarie Schwarzenbach tem o nosso respeito e admiração como escritora, como jornalista, como fotógrafa, como mulher e, principalmente, como ser humano que olhou para o outro e se descobriu igual.

Maria S. Santos

Olá pessoal, fiquei tão impressionada com a história de vida, o período e contexto histórico em que viveu a moça, sua produção, seus registros fotográficos (fantásticos, dizem muito) e fiquei a pensar nas mulheres que ficaram famosas com vidas e trajetórias de luta bem aparecidas. E porque ela não?
E quantas pessoas que tiveram acessos econômico e intelectual e não fizeram o que ela fez?

Enfim... só mais umas lenhas para a fogueira da consciência...

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