Deixe Ela Entrar

Deixe Ela Entrar (2009) – Låt den Rätte Komma In, no idioma original, ou Let The Right One In, em inglês –, difere-se dos filmes de vampiros da atualidade. O que poderia ter caído no lugar comum se tornou algo muito maior. O filme que vem conquistando elogios e prêmios no mundo todo, usa o vampiro como um dos elementos para falar sobre as descobertas e dificuldades que acontecem na transição da infância para a vida adulta.


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Com a atual febre sobre vampiros, é difícil acreditar quando produzem algo com real qualidade e que foge do lugar comum. Definitivamente o filme sueco Deixe Ela Entrar (2009) – Låt den Rätte Komma In, no idioma original, ou Let The Right One In, em inglês –, atingiu tal feito. Apesar do elemento sugador de sangue a história não é sobre isso. O mito do vampiro é mais um dos meios que encontramos no filme para falar sobre as dificuldades da adolescência e mostrar que a transição para a vida adulta, como todas as outras fases da vida, tem seus obstáculos.

O Filme conta a história de Oskar, um solitário menino de doze anos que é maltratado pelos colegas de escola e pouco diálogo tem com os seus pais, que são separados. Sem ter a quem recorrer, ele se apega a Eli, uma garota de mesma idade que conhece em seu prédio. A menina, que também não tem amigos, é um vampiro. Do mútuo reconhecimento e da necessidade de se ter alguém nasce a amizade, o encontro um no outro da proteção de que precisam. É em Oskar que Eli encontra segurança quando se vê sozinha, e é com Eli que Oskar descobre o amor e a sexualidade, e aprende a se defender dos maus tratos.

É interessante notar a construção e as sutilezas de cada personagem. Oskar reprime a sua vontade de reagir aos colegas colecionando matérias sobre crimes e imaginando-se, a ele mesmo, cometendo alguns. Eli está presa em seu corpo de doze anos: não atingiu a maturidade de uma adulta, mas também não é como uma menina de sua idade. Apesar e depender deles, ela exerce poder primeiramente sobre o homem que a acompanha e cuida dela e depois sobre Oskar. Um homem mais velho que inicialmente a ajuda conseguir sangue e, ao contrário das outras pessoas, a única coisa que o vemos beber nos bares é leite. Além disso, na maior parte do tempo, carrega um silêncio que acentua a tragédia na qual se encontra.

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O diretor, Tomas Alfredson, soube explorar as frias paisagens da Suécia. Boa parte da história acontece em meio a neve e escuridão. O uso de som também foi importante para a trama, especialmente nas cenas em que Eli se alimenta. Esses recursos enfatizaram a situação atroz dos personagens. A história é cheia de metáforas e merece um olhar mais atento, a relação entre a adolescência e o sangue, bem como todos os questionamentos desse período são bem expressos através do vampiro, também há a superação da relação com os pais e a escolha de um companheiro para a vida adulta. A presença desses elementos aproxima a história das primeiras versões dos contos de fadas nas quais a violência e o sangue eram presentes e tratavam dos conflitos internos que as crianças enfrentam.

Deixe Ela Entrar ganhou mais de 50 prêmios e foi bem recebido em festivais em todo o mundo, lançando o nome de Tomas Alfredson no cenário internacional, rendendo convites para novos trabalhos e uma refilmagem americana do filme prevista para 2010. O filme foi baseado no livro de um autor sueco, John Ajvide Lindqvist.

Como em um bom filme com vampiros, as questões existenciais, principalmente a morte, são assuntos recorrentes.

Deixe Ela Entrar é como um rito de passagem, e por isso tem sangue. Fala da dor, da superação e da perda de uma forma poética, sutil, mas não menos cruel.

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tomas alfredson filme vampiro vampiros criança crianças sangue créditos das imagens: Magnolia Pictures

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