febre do vinil - Unison MK2

Quantos discos de vinil tem em casa? E quantos CDs? O culto do vinil está de volta e explicamos-lhe aqui por que é que tem de tirar o gira-discos da arredação e limpar-lhe o pó.


classica disco musica vinil

Os tempos áureos do disco de vinil começaram nos anos 50 e viriam a durar até ao final dos anos 80. Em 1948 a Columbia Records apresentava em Nova Iorque um novo material, o primeiro LP de 33 rpm, e, no ano seguinte, a RCA Victor lançou o primeiro de 45rpm. As rotações foram diminuindo e o mote estava lançado: tinha nascido o disco de vinil, um novo meio de reprodução musical.

Composto por micro-sulcos ou ranhuras em forma espiral, estas permitem que as agulhas dos gira-discos leiam a informação que contêm. A vibração que advém do toque da agulha no disco é transformada em sinal eléctrico que, por sua vez, é amplificado num som a que chamamos música. Mas é até possível ouvir um disco de vinil sem a ajuda de amplificadores eléctricos: é esse o charme do meio analógico. Mais maleáveis e resistentes, deixaram rapidamente de lado os discos de goma-laca, que se usaram na primeira metade do século XX.

No entanto, com o advento do Compact Disc nos anos 80, o vinil pareceu tornar-se obsoleto. Ao contrário deste novo meio, os LPs são bastante frágeis e qualquer arranhão pode danificar a qualidade sonora. O vinil precisa ainda de ser constantemente limpo e convém que os exemplares sejam guardados na vertical: cuidados que hoje em dia pouca gente está disposta a ter. Além disso, o CD, sendo o primeiro meio digital, é muito mais duradouro, fiável e com muito maior capacidade de armazenamento.

A febre do vinil

Apesar das claras vantagens do CD sobre o vinil, este último continua a subsistir e parece que nos últimos anos tem até ganho força. Mesmo com a supremacia da internet, em que os álbuns são facilmente descarregados, e com o declínio da indústria discográfica, não há ninguém que retire os vinis das lojas de música.

Aliás, parece até que as lojas de música voltam a dar destaque a estas grandes bolachas, mantendo viva a cultura do vinil. Se, por um lado, os CDs cada vez se vendem menos e o praticismo e acessibilidade deste meio estão a ser ultrapassados pelos computadores e pela internet, o vinil é uma cultura completamente à parte, que rema contra a maré - e é isso mesmo que lhe permite continuar a resistir.

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Em primeiro lugar, este culto está em muito relacionado com a rivalidade entre o digital e o analógico. Os puristas musicais defendem que o meio digital não tem tanta qualidade como o analógico porque elimina as frequências sonoras mais altas e mais baixas, eliminando os ecos e as batidas graves e tornando a música menos natural. Para eles, o que interessa é a música na sua forma original. Também a quantidade de informação debitada por unidade de tempo no vinil é muito maior, tornando a qualidade da música deste materior superior, tal como a sua atenção ao pormenor.

Por outro lado, os coleccionadores interessam-se muito mais pelo vinil, do que pelos Compac Discs. É que, enquanto que o segundo é, na sua grande maioria, um meio potenciado pelas indústrias discográficas e, por isso, menos artístico, o vinil tem todo um conjunto de especificidades que deixam qualquer amante de música a salivar. Os lado b, as canções inéditas, as edições especiais e, até, as capas são pontos a favor deste meio. Por exemplo, nos anos 70, os invólcuros eram alvo de um cuidado artístico levado ao extremo: tornaram-se tão importantes e minuciosos que os fãs dedicavam-lhes horas para tentarem descobrir os pequenos pormenores escondidos.

Hoje, a febre não é tão alta, mas os coleccionadores ainda andam por aí, e não são apenas nostálgicos crónicos ou saudosistas: muitas camadas mais jovens estão a apaixonar-se por este meio retro. Existem até bandas que, devido à pirataria, decidem editar os seus álbuns apenas em vinil, para que não sejam copiados ilegalmente.

O Unison MK2

Agora, os amantes do vinil têm mais um objecto de culto: lançado pela Da Vinci Audio Labs, o In Unision MK2 é um gira-discos composto por 3 unidades - fácil de desmontar para poder levá-lo para outras festas - e com rolamentos magnéticos completamente silenciosos, para que apenas oiça o que interessa. A parte má é que pesa 35kg e custa 27800 dólares, não sendo, por isso, acessível a todas as bolsas.

Trata-se de um aparelho moderno e sofisticado, com a base preta, o apoio para o disco prateado e o braço da agulha dourado. O design é minimalista está de acordo com o mote da empresa Da Vinci Labs: "sentido e sensibilidade". Eles próprios se definem como fascinados pela música na sua forma mais pura.

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Unison MK2


Diana Caldeira Guerra

A Diana gosta de caracóis temperados no verão, canja de galinha no inverno e autores clássicos em todas as estações do ano
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