a arte gráfica de rafael sica

Desilusão, medo, melancolia, solidão e um quê de humor aplicados ao questionamento da rotina e aos sentidos das ações humanas, em geral. Tudo isso em ilustrações e cartuns superdetalhados.


bd quadrinho quadrinhos rafael sica

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Mais conhecido por seu trabalho com ilustrações e histórias em quadrinhos (banda desenhada, em Portugal), Rafael Sica desponta como uma das novas revelações do underground brasileiro. Iniciou sua carreira em 2001 e vê a internet como uma grande ferramenta de divulgação de trabalhos artísticos. Já conta com uma notável gama de leitores que acessam sua página periodicamente em busca de suas obras mais recentes. Utilizar o termo “leitor”, aliás, pode parecer curioso, visto que uma de suas características é utilizar pouco ou nenhum conteúdo textual.

A temática mais recorrente é o questionamento do modo de vida contemporâneo do ser urbano. Em seus quadrinhos encontramos o horror lado a lado com questões puramente existenciais inseridos na rotina e nos sonhos (ou na falta deles) de seus personagens. Há também críticas ao pragmatismo exarcebado do mundo pós-moderno e à eterna massificação das pessoas, que são a deixa perfeita para o surgimento de um surrealismo poético. Excentricidade pura!

O conteúdo muitas vezes subentendido e a perceptível riqueza de detalhes fazem com que despendamos mais tempo que o habitual para a (nem sempre) assimilação da mensagem de seus cartuns. Seus personagens contêm um grande teor de frustração, medo, melancolia e solidão, demonstrados sobre o que há de mais banal e corriqueiro no dia-a-dia. Apesar disso, há também quem encontre um humor bastante peculiar, e muitos chegam a classificar os desenhos num gênero de tragicomédia.

Características e alusões às obras de Kafka, Bukovski, Crumb e Dostoiévksi são facilmente identificadas. Quando perguntado sobre a veracidade dessa afirmação, Sica não só admitiu quanto listou outras influências “(...) Leminski, Manoel de Barros, Raul Seixas, Cortázar, Orson Welles, Tom Zé e o sujeito que passou a pouco ali pela calçada”.

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O universo de temas abordados nos cartoons é tão vasto que, em ao menos um deles, o leitor se verá refletido. E é do impacto causado por essa identificação que vem a repercussão mais direta. Percebe-se em sua página, que cada tira promove uma incessante discussão entre os visitantes: há tanto os que aclamam seu trabalho entusiasticamente quanto os que o veem como simples especulação a fim de atarracar a mente do leitor. E isso, convenhamos, não é de todo mau. Talvez até seja o objetivo do cartunista.

Atualmente Sica colabora também com o site ideafixa e as revistas Soma e Picabu. Já teve seus quadrinhos publicados em jornais e promoveu exposições. Comunicou o lançamento (em breve) de seu primeiro livro. Aguardemos.

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