Jeff Koons - a banalidade transformada em arte

Recolhe as opiniões mais díspares acerca do seu trabalho. Para uns as suas obras podem ser caracterizadas por uma virtuosidade técnica que resulta numa explosão visual transmitindo uma presença grandiosa. Para outros, é apenas um artista decadente cuja falta de imaginação não o leva a fazer mais do que banalizar os temas em que trabalha. Seja contra ou a favor, a verdade é que não há crítico de arte que não conheça Jeff Koons e as suas obras, uma vez que a originalidade marca não só o seu trabalho como a sua vida.



Andy arte banal Jeff Koons Warhol Made in Heaven (litografia, 317,5x690,9cm, 1989)

Jeff Koons é conhecido por transformar objectos e fantasias do quotidiano em peças de arte, sendo conotado como um artista controverso, intrigante e provocador, à semelhança dos seus antecessores Marcel Duchamp e Andy Warhol. Tenta focar assuntos relacionados com o pós-modernismo dando-lhes ênfase nas suas peças, o que lhes confere um cunho de crítica social pretendendo chocar ou até ferir susceptibilidades.

Nascido em York, na Pennsylvania, em 1955, Jeff Koons teve um percurso de vida vasto e multifacetado desde a infância, altura da sua vida em que calcorreava as ruas depois das aulas para vender doces e prendinhas embrulhadas em papel, numa tentativa de fazer algumas poupanças.

Estudou pintura, no entanto o seu primeiro emprego foi como corrector em Wall Street, ao mesmo tempo que se tentava estabelecer e afirmar como artista. Tal aconteceu nos anos 80, época em que, à semelhança de Andy Warhol e a sua «Factory», Koons monta um estúdio num loft do Soho onde emprega cerca de trinta assistentes, cada um com papéis diferentes na produção e divulgação do seu trabalho, método conhecido como «Art Fabrication».

Koons apostou igualmente em marketing, tendo contratado um consultor de imagem, ficando conhecidas as suas fotografias onde aparece rodeado de objectos alusivos às armadilhas do sucesso, assim como as entrevistas em que se refere a si mesmo na terceira pessoa.

Um dos seus trabalhos iniciais, intitulado «Three Ball 50/50 Tank», em 1985, consiste em três bolas de basquetebol a flutuar dentro de tanques de vidro com água-destilada até meio.

Andy arte banal Jeff Koons Warhol Three Ball 50/50 Tank (vidro, metal, água dstilada, três bolas de basquetebol; 153,7x123,8x33,7cm; 1985)

Seguiram-se as séries «Statuary» e «Banality», grandes ampliações de brinquedos em aço inoxidável, em 1988, que incluem a peça onde figuram Michael Jackson e o seu chimpanzé Bubbles que, três anos mais tarde, foi vendida por 5,6 milhões de dólares integrando actualmente a colecção permanente do Museu de Arte Moderna de São Francisco.

Andy arte banal Jeff Koons Warhol Michael Jackson and Bubbles (Porcelana; 106,7x179,1x82,6cm; 1988)

Alusivas ao seu controverso casamento em 1991 com a não menos controversa Ilona Staller, a estrela porno conhecida por Cicciolina, são as peças da série «Made in Heaven» que englobam pinturas, fotografias e esculturas que retratam o casal em posições sexuais, gerando ainda mais polémica em torno desta relação.

Em 1992 surge «Puppy», a sua escultura de 12,4 metros de altura que retrata um «West Highland White Terrier» todo ele executado numa variedade de flores sobre uma estrutura em aço irrigada internamente, tendo sido encomendado para uma exibição de arte na Alemanha. Depois de ter estado no Museu de Arte Contemporânea de Sydney e no Rockefeller Center em 2000, actualmente encontra-se no terraço exterior do Museu Guggenheim em Bilbao, uma vez que foi adquirido pela fundação à qual o museu pertence.

Andy arte banal Jeff Koons Warhol Puppy (aço inoxidável, madeira, terra, tecido, sistema interno de irrigação, flores vivas; 1234,4x1234,4x650,2cm; 1992)

Em 2001, Koons surge com uma série de pinturas intituladas «Easyfun-Ethereal», que são o resultado de uma técnica que combina colagens de imagens de bikinis sem corpos, comida e paisagens pintadas por assistentes sob a sua supervisão.

Como parte integrante da série «Celebration», em 2006, é exibido o «Hanging Heart», um coração de 2,74 metros de altura em aço polido.

Andy arte banal Jeff Koons Warhol Hanging Heart (aço inoxidável com pintura de cor transparente e fita amarela; 269,2x215,9x101,6cm; 1994-2006)

Um desenho inspirado nos «Tulip Ballons» foi utilizado pelo motor de busca da Google na sua página inicial em 2008. Ainda nesse ano, em França, é realizada uma exposição que faz uma retrospectiva ao trabalho de Jeff Koons, exibindo dezassete das suas esculturas no Palácio de Versalhes. Seguiu-se uma outra retrospectiva, desta vez no Museu de Arte Contemporânea de Chicago que foi amplamente publicitada na comunicação social.

Seguiram-se exposições em Londres e Toronto em 2009, onde foi exposto o seu coelho prateado gigante realizado para celebrar o Dia de Acção de Graças organizado pela Macy´s.

Andy arte banal Jeff Koons Warhol Rabbit (preenchido com 1.417,32m³ de hélio; 13,6x6,7x4,5m; 2007)

Em 2010, surge um novo desafio a Koons, decorar o 17.º «Art Car» da BMW (um M3 GT2), juntando-se assim a nomes como Andy Warhol, Roy Lichtenstein, Frank Stella ou Alexander Calder, carro esse que irá participar nas 24Horas de Le Mans.

Apesar de o continuarem a comparar com Warhol, ao contrário da figura andrógina, complexa e alienada de Andy, Koons representa ele mesmo a figura de superstar capitalista e de playboy que se interessou pela arte, não se coibindo de o ser ao mesmo tempo que não demonstra pretensões em ser mais do que isso.

Jeff Koons

cátia fernandes

viaja por locais, sonhos e projectos... pelos factos da História, questões da ciência e pela beleza da arte.
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