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freak folk e naturalismo: devendra banhart

publicado em musica por | 8 comentários

Músico da cena New Weird America, Devendra Banhart está a criar um novo tipo de folk: ele alia o psicadelismo à formas tradicionais acústicas de fazer música, tendo já editado seis álbuns de estúdio. Acredita no Naturalismo e no Karma e a sua inspiração vai buscá-la ao Brasil: diz-se influenciado pelo Tropicalismo dos anos 60 e Caetano Veloso é o seu artista preferido.

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Sons inovadores, temas incomuns e registos vocais nunca antes utilizados - pelo menos para cantar. Ninguém canta como os Animal Collective, os temas de Sufjan Stevens e Devendra Banhart trazem de volta a natureza à cidade e os novos instrumentos que todos eles usam são uma lufada de ar fresco para música alternativa. Freak-folk é um género musical inovador que junta os intrumentos acústicos tradicionais da música folk norte-americana a novos elementos electrónicos e psicadélicos.

Mas há mais: Six Organs of Admittance, Feathers, Vetiver, Joanna Newsom, Antony And The Johnsons, Bright Eyes, Iron & Wine, Coco Rosie. A estes e a muitos outros a Wired Magazine batizou-os "New Weird America", num paralelismo ao Old Weird America que integrava desde os músicos pré-Segunda Guerra Mundial até Bob Dylan.

Nome primeiro da cena freak-folk americana (ou como lhe queiram chamar), Devendra Obi Banhart, de 29 anos, é um explosão de cores, miçangas, barba e psicadelismo. O primeiro nome dele pode parecer estranho: é sinónimo para Indra, o deus Hindu para a chuva e tempestade, e foi sugerido por Prem Rawat, um líder religioso que acompanhava os pais. Já o segundo nome - Obi - é uma personagem da Guerra das Estrelas.

Depois da infância na Venezuela, frequentou o Instituto de Arte de São Francisco, EUA, mas rapidamente começou a faltar às aulas para tocar em espaços públicos: o primeiro concerto que deu foi numa igreja num casamento homossexual. Acabou por desistir da escola para se dedicar inteiramente à música, passando uma temporada em Paris a tocar com bandas da cena indie.

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Quando regressou aos EUA assinou com a editora Young God Records, com a qual gravou os seus primeiros três álbuns de estúdio: Oh Me, Oh My; Rejoicing in the Hands e Niño Rojo. "Considero-o um antídoto, uma espécie de narcótico - um raro caso em que nos sentimos em casa quando ouvimos uma música" foram as palavras do responsável pela editora, Michael Gira, referindo-se a Devendra, já depois de ele ter terminado o seu contrato.

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Quanto ao estilo musical a que pertence, Devendra chama-lhe apenas "a família". Ouvir qualquer um dos seus álbuns é uma viagem dupla: no espaço somos transportados para um lugar andrógino entre o caos em desenvolvimento de Caracas, Venezuela, e a liberdade (e libertinagem) californiana, em solarenga harmonia com o mundo desenvolvido. No tempo, percorremos a nossa infânica ("I feel like a child" é uma autêntica birra de bebé) ao mesmo tempo que somos lançados para uma época anterior à supremacia dos yuppies nas grandes metrópoles - quando ainda só existiam hippies e quem usava fato e gravata era careta; quando ainda não existiam telemóveis e se percorria a América à boleia, ao estilo Christopher McCandless.

Nesta amálaga onde provavelmente estão presentes vários estupefacientes (vulgo, ácidos), auto-definiu-se naturalista. Acredita no místico e tem uma atitude antropológica - a mãe natureza em tudo manda e tudo liga. Por exemplo, o quarto álbum de estúdio, já na XL Recordings, intitula-se Cripple Crow e está fundado na noção de karma: "Acredito. São ondas - o que pões é o que tiras. O karma é uma forma de equilíbrio. E existe fora do tempo. Nós existimos num mundo de tempo, mas o karma não. Uma coisa do passado pode atingir-te agora", disse numa entrevista acerca do álbum.

A barba e as tatuagens são a imagem de marca do músico que até ouve bastante rock e se faz acompanhar do seu computador portátil, um MacBook por sinal. Influenciado pelo Tropicalismo - movimento artístico brasileiro dos anos 60 - Caetano Veloso é assumidamente o seu músico preferido e ouve bastante música brasileira. Mas o seu interesse musical não pára por aqui: houve um pouco de tudo, desde música indiana a bripop e faz questão de oferecer CDs com as suas escolhas musicais a amigos e jornalistas - incluindo a Lindsay Lohan.

Se Cripple Crow trouxe Devendra para a ribalta da música alternativa norte-americana, os dois álbuns seguintes consolidaram esse trabalho: Smokey Rolls Down Thunder Canyon e What Will We Be têm músicas mais limpas - principalmente o último - e os artistas do New Weird America ganham cada vez mais voz, liderados pela persistência e talento de Devendra. Imprevesível, é também artista plástico e os seus desenhos estão presentes em várias galerias: em São Francisco, Miami, Nova Iorque, Bruxelas e Modena (Itália).

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devendra banhart

diana
Sobre a autora: diana guerra é normalmente zote, mas dizem que também se interessa por arte, cultura e essas coisas óbvias. Saiba como fazer parte da obvious.

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Comentários

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Ainda não conhecia Devendra Banhart e fiquei a gostar :)
Quanto aos outros já conhecia alguns e adoro CocoRosie +.+

HGS

Gostei. Boa Descoberta.

Miguel

este homem é genial! o rejoicing in the hands é totalmente inspirador. excellent article.

Nayara Machado

Eu escuto Devendra por mais ou menos cinco anos, e a cada novo trabalho ele mostra uma face diferente do artista que é. Para mim, Devendra é o artista mais criativo dos dias atuais.

Alexandre

É isso que é Davendra Banhart?
Genial? Inovador?
As pessoas ficam indo atrás do que dizem críticos musicais e os tais moderninhos, e terminam não aprendendo a ouvir. Qualquer porcaria que apareça vira sinônimo de coisa boa.
Gosto se refina gente. Ouçam mais, conheçam o passado que vcs encontrarão o presente...e nem sempre esse presente presta.

marcel antoni

Concordo com Alexandre até certo ponto,chamar algum músico e artista genial é algo muito promissor,mais também entendo do ponto de vista de cada pessoa,o que é genial para um não é nem um pouco para outro,genial é Beethoven,Mozart,Beatles....gosto muito do trabalho do Devendra,acompanho há anos,os vídeos aí colocados apenas dão uma vaga noção deste musico,ele nos remete aos bons da década de 60 70,remete muito bem com batidas e percussões latinas como em Carmensita,Cristobal,Quedate Luna etc....,há toda psicodelia para uma boa viagem musical sim ......

Matheus

Devandra é o cara!

Otima matéria, meus parabéns

Camila

Devendra é uma fonte de luz! Suas musicas nos fazer sentir, é um genio!

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