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hans zimmer - uma viagem onírica pela trilha sonora de inception (a origem)

publicado em cinema por | 10 comentários

Conhecido por agregar sons eletrônicos e contemporâneos ao seu premiado trabalho orquestral, o compositor tornou a música um dos protagonistas de Inception, unificando elementos díspares como a guitarra de Johnny Marr e a música de Edith Piaf.

Inception Hans Zimmer

Dentre os diversos elementos que contribuíram para a bem-sucedida equação cinematográfica de Inception ("A Origem", na versão brasileira), a trilha sonora composta por Hans Zimmer é certamente um dos mais impactantes. Não da maneira habitual aos blockbusters, com arranjos ultra-épicos e metais pomposos; sua obra agrega sutileza e força, momentos tensos a outros de puro lirismo.

A esta altura da carreira, Hans Zimmer dispensa apresentações. Com cerca de 100 scores em seu currículo - dos quais pode-se destacar Rain Man, O Rei Leão, Gladiador, Piratas do Caribe, O Último Samurai e Batman: O Cavaleiro das Trevas - o compositor de ascendência alemã já acumula um Oscar, dois Golden Globes e dois Grammys, entre outras premiações e indicações pelas inúmeras paisagens sonoras criadas e registradas para o cinema.

Em Inception, Zimmer tem uma responsabilidade tão grande quanto a do diretor Christopher Nolan: dar o ritmo e tom certos à narrativa, sem perder-se em meio às referências e camadas de informação da história. Mais do que nunca, a trilha revela-se um poderoso recurso narrativo e indicativo da atmosfera psique dos personagens. O feito do compositor é prodigioso nesse sentido, por ter construído, a partir de estruturas musicalmente simples, o ambiente complexo e onírico do filme.

Nolan e Zimmer trabalharam ao mesmo tempo em Inception: Enquanto um rodava as cenas, o outro seguia compondo, tal qual um sonho partilhado. Essa sincronia é visível ao analisarmos elementos da trilha que são construídos com a mesma lógica dos sonhos utilizada na trama. Zimmer sobrepõe acordes fúnebres a melodias etéreas e soundscapes eletrônicos; subitamente, ouve-se elementos do "mundo exterior" (carros, trens, uma música distante) em meio às composições, mais ou menos o que acontece quando nossos sonhos são invadidos por sons externos e acabam por se tornar parte do enredo.

Inception Hans Zimmer

Inception Hans Zimmer
interior do estúdio de Hans Zimmer, por Trey Ratcliff

O próprio tema principal foi criado a partir da canção "Je Ne Regrette Trién" de Edith Piaf. Num lance magistral, Zimmer usa a valsa característica do arranjo original em uma versão muito mais lenta e intimidadora - lembre que, nos sonhos, o tempo passa mais devagar...curiosamente, Nolan considerou descartar a canção de Piaf, a fim de evitar comparações com a personagem de Marion Cottilard, que havia interpretado a cantora francesa em outro filme, Piaf - Um Hino ao Amor, de 2007.

Mas a música de Zimmer, assim como Inception, é melhor apreciada ao ser conferida in loco, nos cinemas. Por mais que falemos aqui sobre processos criativos, referências e afins, o próprio compositor já declarou em entrevistas que não vê o filme sob a ótica cerebral da crítica; Inception não seria sobre conspirações e sonhos lúcidos, e sim uma história primordial de romance, de um homem que busca redenção. Nada melhor, portanto, do que encerrar com uma performance do próprio Zimmer executando a canção final do filme, Time, com participação do ilustre colaborador Johnny Marr (Smiths) na guitarra. Preparem seus ouvidos para uma audição mais demorada...e atentem o olhar para o pião girando logo acima do piano de Hans Zimmer. Seria esta trilha realmente um elaborado sonho?

página oficial

Fontes das imagens: 1, 2, 3.

fabio
Sobre o autor: fabio machado ainda não se decidiu se é um jornalista que desenha ou um músico que escreve textos. Enquanto isso, continua fazendo um pouco de tudo. Saiba como fazer parte da obvious.

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Comentários

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excelente artigo sobre uma genial banda sonora. só não concordo na questão de não se dever ouvir fora do cinema, é perfeito para nos recolocarmos de novo naquele ambiente Nolaniano :)

Ótimo post sobre uma trilha sonora brilhante de um filme genial!

Hans Zimmer é gênio. O que mais me fascina é a maneira que ele toca. Ele sente tanto a própria música que é impossível não senti-la do mesmo modo, ao assisti-lo.
Seu texto está impecável. Parabéns.

Franco Bichuette

Perfeito o post! Execelente mesmo o artigo.
Particularmente divulguei a todos que conheço.

Olá Jorge,

repare que eu não disse que não deveríamos ouvir a banda sonora fora dos cinemas, e sim que ela seria melhor apreciada junto com o filme, na tela grande e, de preferência, com um excelente sistema de som...tanto que ouvi repetidas vezes a trilha aqui em casa, como fonte de inspiração para o artigo :)

No mais, obrigado a todos pelos comentários. Abraço!

Fabio

certíssimo, I stand corrected!
esta versão do Time então...que delícia para a alma, para os sentidos...carago que me apetece outra vez ver o filme!!!

um abraço e continua o excelente trabalho aqui no obvious, é ponto de paragem obrigatória no meu dia :)

daniela lopes

Acompanho o trabalho de Hans Zimmer há algum tempo e é um dos meus compositores favoritos. Tive o prazer de assistir Inception e realmente a música valoriza o filme e vice-versa, nada que nos impeça de ouvi-la à parte. Os graves, na minha opinião, são o ponto alto da trilha e magistralmente tornam a experiência sensorial mais densa. Nolan e Zimmer são geniais e só bons frutos nascem de parcerias como essa.

Só vim aqui dizer que ontem acordei apavorada, com medo mesmo, impressionada com quando eu era criança e assisti à autopsia do ET, apavorada porque me lembrei que era Je ne regret devagarzinha. O coração disparado daí, bobamente, igual criança que não aguenta assistir A Hora do Pesadelo, mas quer mostrar que já superou, vim aqui ouvir o comparativo lento-normal. Ok, quem vai segurar minha mão :((

daniela lopes

Assisti Inception pela segunda vez e agora percebo mais nuances que a trama oferece. Não consigo deixar de pensar em outros filmes com abordagens semelhantes como Identidade, com John cusack; Alucinações do passado, com Tim Robbins e até mesmo A Ilha do medo, também com Leonardo Dicaprio, além de Morte nos sonhos, com Dennis Quaid, que não é tão fantástico quanto Inception, mas fala de sonhos.
Curioso como uma música pode alterar nossa percepção e nos remeter a lembranças ou sensações. Acho que cada pessoa já teve um sonho com trilha sonora pelo menos uma vez na vida.
A minha foi Stravinsky -Fortune's Labyrinth (Irrfahrt um's Glück) Doido demais!!!!

sidnei

ainda nunca ouvi algo semelhante,como a maioria das pessoas que gostam,eu ouço mas de três vezes por dia ,a musica não me sai da cabeça .uso como inspiração.muito obrigado.

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